Milton Leite é transferido após regalias em cadeia na Grande São Paulo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ex-vereador Milton Leite, preso há mais de um mês sob a acusação de participar de esquemas criminosos ligado ao transporte público de São Paulo, deixou a Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana, e foi levado a outro local ainda não informado. A transferência, ocorrida por volta das 9h desta terça-feira (20), se deu em virtude da descoberta de regalias a Leite. Segundo denúncia anônima feita ao Ministério Público e depois investigada pela Polícia Civil, o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo teria sido beneficiado com visitas e outros benefícios incompatíveis com o cárcere na unidade. Entre as benesses estava o recebimento de alimentos, além da permanência de familiares e políticos no local, o que não é permitido.

Entre os políticos que visitaram Milton Leite sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e os deputados estaduais Delegado Olin (PP) e Rogério Franco (PL). Para o MP, os fatos investigados podem configurar crimes de corrupção passiva e ativa, prevaricação, entre outros. Quem ganhou o debate da Band, Flávio Bolsonaro ou Lula? Colunistas do GLOBO dão notas e avaliam Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp Na semana passada, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deu cumprimento a três mandados de busca e apreensão na unidade prisional e em outros endereços. Durante a operação, investigadores apreenderam R$ 155 mil e US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil), encontrados com um carcereiro em sua residência.

Imagens de câmeras de segurança mostram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite à cadeia nos dias 8 e 9 de outubro e a entrada de um carro de luxo na unidade. As imagens também registram a chegada de uma viatura descaracterizada ao 1º Distrito Policial, da qual desembarcaram dois homens e uma mulher que aparenta ser uma delegada. Segundo a investigação, um dos homens entrou na cadeia e retornou com Milton Leite, levado à delegacia pela entrada administrativa, de acesso restrito. O ex-vereador permaneceu no local por quase uma hora e depois foi levado de volta à carceragem. Pouco depois, a mulher deixou a delegacia na mesma viatura. Segundo as informações apuradas, o processo não informa o motivo da retirada de Milton Leite da cadeia nem do encontro na delegacia. No dia seguinte à busca e apreensão, a Polícia Civil decidiu afastar três delegados, um investigador e o carcereiro que teve o dinheiro encontrado, por suspeitas de promover e autorizar as regalias.

Justiça prorrogou prisão A Justiça de São Paulo prorrogou na quinta-feira (15), por mais 30 dias, a prisão temporária do ex-vereador. A investigação, conduzida pela Polícia Civil com participação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), busca esclarecer como integrantes da facção teriam estabelecido relações com empresas de ônibus, empresários e agentes públicos, além de apurar possíveis interferências em decisões estratégicas do setor. O ex-presidente da Câmara Municipal é apontado pelos investigadores como possível articulador político do esquema e suspeito de ser o proprietário de fato da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro para o PCC. Ele nega as acusações. A apuração que levou à prisão do ex-vereador foi feita com a análise de celulares e de conversas atribuídas a integrantes da organização criminosa. Em um dos diálogos, um homem apontado como membro do PCC afirma que seria necessário envolver Leite para resolver uma questão. Em outra conversa, os investigadores identificaram preocupação em informar o político sobre acontecimentos relacionados à UpBus, outra empresa de transporte coletivo investigada. A defesa de Milton Leite já havia recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar revogar a prisão temporária. Em 25 de setembro, o ministro Rogerio Schietti Cruz negou liminarmente o pedido. Os advogados alegaram que o ex-vereador tem comorbidades e pediram, alternativamente, que ele cumprisse prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

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