Milton Cunha fala de novo casamento com corretor de Imóveis e lembra sexo com mulheres:

Milton Cunha fala de novo casamento com corretor de Imóveis e lembra sexo com mulheres: 'Não queria morrer sem experimentar'

 

Fonte: Bandeira



Quando saiu de Belém rumo ao Rio de Janeiro, em 1982, Milton Cunha tinha um objetivo: ser ator. Ele está cadastrado no banco de dramaturgia da Globo desde os anos 1990 e já fez participações em novelas e séries, ganhando cada vez mais destaque. Em breve, poderá ser visto no longa dos Estúdios Globo “Maravilha!”, estrelado por Marcus Majella.

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— É a minha migração do carnaval para o entretenimento e do entretenimento para ficção. Eu vejo esse meu caminho. Comecei fazendo teatro amador em Belém. Quando tirei meu DRT, em 1986, já tinha 16 anos de carreira como ator amador. Então, fui atrás da profissionalização. Ator é a minha primeira profissão, a profissão que tenho em carteira. Sou ator e diretor — afirma.

No longa, Cunha interpreta um repórter conservador de um jornal. Ele conta como foi viver alguém tão diferente dele:

— Esse filme se passa no Pará. As autoras de “Encantado’s” (série da qual eu já participei), Renata Andrade e Thais Pontes, escreveram para Gaby Amarantos, Fafá de Belém e para mim. Três paraenses. Este é um universo que eu adoro e no qual me movo com muito prazer. Ser o outro, com outra roupa, com outra tintura no cabelo, com o cabelo bem baixinho de gomalina… Eu fico a cara dos meus tios, do meu pai. É engraçado como elas me colocam como caretão. A minha família vem toda, né? Os senhores de respeito. Eu adoro ser o outro. É um exercício divino. É um processo lento, que eu tenho que ter paciência: pintar o cabelo demora duas horas (a caracterização). A roupa é horrorosa (risos). Mas é a serviço do drama, da dramaturgia.

O apresentador cobriu recentemente a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Ao ser questionado se terá algum quadro no mundial, ele diz acreditar que sim:

— Está todo mundo dizendo que eu vou para Miami. O figurinista já veio aqui em casa, já estamos fazendo umas roupas para Miami. A Joana, que é a diretora do entretenimento, me segurou e disse: “Vem novidade aí”. Eu acho que é a Copa. Só que está ficando cada vez mais em cima, e eu estou ficando cada vez mais desesperado. Então, sim, eu acho que eu vou para fazer quadros louquérrimos na porta dos estádios, com roupas inacreditáveis. E é tudo o que eu quero. O talento para o samba é de gente periférica, humilde. O talento do futebol é de gente periférica, humilde. Então, os jogadores, os compositores, vêm todos da várzea. Eu nunca vou perder a palhaçaria. A palhaçaria é um exercício profundo de encontro com o povo mais humilde. Esse palhaço me acompanha desde sempre, a vida toda. Por isso é tão fácil para mim chegar dançando, gritando. Me puxam, todos suados, e eu adoro, entro em transe. A palhaçaria, a roupa, o enfeite, a cor, a tintura no cabelo vão me acompanhar eternamente porque esse é o mais próximo do humano que eu tenho: o palhaço.

Milton conta que a alegria, a irreverência, as cores e a identificação com a cultura popular sempre fizeram parte de quem ele é. Mesmo quando era carnavalesco, ele também fazia as vezes de comunicador nas escolas em que trabalhou:

— Quando eu me emprego como carnavalesco, eu digo para os presidentes que me contratam: “Eu vou trabalhar de apresentador na quadra, eu vou subir no palco, eu vou pegar o microfone, eu vou subir nos queijos, eu vou dançar”. O carnavalesco me permitiu exercitar essa veia do falante, do falador, do mestre de cerimônias. Eu passei esses 25 anos nas quadras muito próximo do público. Eu não queria passar batido. Eu não queria ser só carnavalesco. Eu queria dançar, me exibir, me vestir. Em 2011, quando me demiti da última escola, foi para investir na TV. Só que eu não tinha convite nenhum. Eu já tinha estudado muito, sabia que ia ficar desempregado. E realmente fiquei dois anos. Mas eu tinha certeza que eu ia dar certo como ator, apresentador, que a minha hora ia chegar. Eu só não podia estar dentro de barracão, porque dentro do barracão você não consegue realmente se desvencilhar para estar disponível no mercado para o diretor te chamar.

Naquela época, Cunha já tinha certa estabilidade financeira, mas relembra que nem sempre foi assim:

— O dinheiro nunca me segurou. Eu sempre achei que ia ganhar dinheiro, que ia chegar onde cheguei. Isso era questão de tempo. Então, quando eu saio de Belém, eu saio com R$ 100 e venho passar fome. Quando eu deixo a escola de samba, não. Foi um ato de coragem, mas eu já tinha o apartamento, já tinha o carro, já tinha as aplicações. Eu tive coragem de largar o que era um ganha-pão bom, mas eu tinha certeza de que a televisão ia ser melhor. Nesses dois anos desempregado, eu fico ligando para todos os diretores. Daniel Filho disse não, Roberto Talma disse não. E nada disso me derrotava. Eu já tinha pedido para todo mundo para entrar na transmissão do carnaval. Até que eu peço para o Miguel Athayde. Hoje ele é diretor da GloboNews, mas ele era o diretor do Jornalismo Rio. Ele disse sim e disse que eu era a cara do jornalismo. Então, essa minha entrada triunfal aconteceu pelas mãos do Miguel, que é o marido de Renata Vasconcellos. Ele é que me deu material jornalístico carioquíssimo para eu fazer carnaval, cobertura de Copa, cobertura de Olimpíada. Hoje o conforto é total, hoje a vida é mais maravilhosa em todos os sentidos, inclusive financeiro. Então, eu sabia que eu ia chegar aqui. Agora, acho que estou no meio do caminho. E agora, como eu já estou muito maduro, eu vou tirar de letra, matar no peito e fazer gol um atrás do outro porque agora nada mais me segura.

Casado com o corretor de imóveis Vitor Moraes, Cunha afirma estar feliz. Aos 64 anos, ele faz planos de envelhecer ao lado do marido:

— Ele é a companhia ideal. Ele cuida de mim, me faz rir, se preocupa comigo. Não é do meio artístico. É corretor de imóveis, tem tempo. Eu sou encantado pelo tratamento que ele me dá. E, nessa altura do campeonato, da vida, aos 64 anos, o que é que eu quero? Alguém que cuide de mim. Alguém que pegue no meu braço e me leve. Eu só quero rir, não quero chorar. Então, sim, é uma escolha para o envelhecimento, que só vai chegar aos 70 (risos).

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Na juventude, Cunha já se relacionou com mulheres, mas afirma que sempre se identificou como um homem gay:

— Eu quis experimentar tudo, me joguei. Eu não queria morrer sem ter experimentado. Então, eu experimentei, mas anunciava: “Olha, meninas, não se apaixonem por mim, porque eu sou gay”. Eu experimentei de tudo: gordo, magro, alto, baixo, tudo. Mas sou gay e sempre fui muito aberto. Quando, aos 5 anos, meu pai falava do meu olhar na mesa do jantar, eu já dizia: “Não se engane mesmo, eu sou isso mesmo. Não se engane”. Então, eu preferia apanhar a virar outra coisa. Então, se a briga, o espancamento era para me fazer retroceder, só me deu cada vez mais assumição. Eu fui me assumindo cada vez mais no sentido de: “Olha, esse é o ar que eu respiro. Isso é o que eu sou, é inegociável”. E eu disse para os meus pais: “Olha, vocês fizeram as suas escolhas, não adianta agora jogar culpa em filho, e eu estou indo embora, porque o meu trem está passando agora, aos 19 anos”. Então, eu preferi jogar com a verdade, com clareza.

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Reprodução/Instagram