Millie Bobby Brown e Louis Partridge falam sobre "Enola Holmes 3", Brasil e relacionamentos
Millie Bobby Brown cresceu sob os olhos do público como a Onze, de Stranger Things, mas talvez tenha sido com a franquia Enola Holmes que ela aprendeu a liderar uma grande produção.
O terceiro filme da saga chegou à Netflix nesta quarta, 1º, com tom mais maduro, como reflexo do amadurecimento de sua protagonista e de seu agora noivo Lorde Tewkesbury, interpretado por Louis Partridge.
Se o primeiro longa acompanhou Enola conhecendo o rapaz e desvendando seu primeiro mistério, e o segundo mostrou a garota se estabelecendo como detetive e proclamando seu amor, a terceira parte começa com os preparativos para o casamento em Malta, pequeno arquipélago no Mar Mediterrâneo.
Acontece que Enola descobre que seu irmão, Sherlock Holmes (Henry Cavill), está desaparecido, e seus planos viram de ponta-cabeça.
O sumiço de Sherlock desencadeia uma série de mistérios que parecem envolver a família de Tewkesbury, o governo britânico e a arqui-inimiga da família Sherlock, Professora Moriarty (que, sim, é uma mulher interpretada pela atriz Sharon Duncan-Brewster).
Em entrevista ao Estadão, Millie Bobby Brown, de 22 anos, reforça como a trilogia nunca se esquivou de temas "mais sérios", como a reforma eleitoral britânica e o movimento sufragista do século 19.
A proposta do novo filme, porém, era trazer aspectos mais sombrios, abordando o impacto do colonialismo britânico por meio da história de Malta, cuja independência só veio em 1964.
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"O terceiro tem um tema mais pesado, mais sério.
Nós ainda não tínhamos falado sobre algo como guerra.
É definitivamente mais maduro, mas não é como se nós tivéssemos medo disso.
Eu adoro que o Jack Thorne tenha se aprofundado neste assunto", afirma a atriz.
'Enola Holmes 3' aborda o colonialismo britânico e se aprofunda na mitologia de Sherlock
Thorne, que escreveu todos os filmes da franquia inspirado pelos livros de Nancy Springer, foi também roteirista de Adolescência, talvez o maior hit da Netflix em 2025.
Para Enola Holmes 3, ele recrutou o colega responsável pela direção da série, Philip Barantini (antes dele, Harry Bradbeer dirigiu os dois primeiros longas).
"E eu li o roteiro e pensei: 'Sabe de uma coisa? Isso pode ser divertido, pode ser um grande desafio'.
É bem diferente.
E eu disse: "Olha, se eu puder dar meu toque na franquia, sem alterá-la de forma alguma, mas para fazê-la parecer um pouco mais madura, com um pouco mais de suspense e um tom mais sombrio, então eu adoraria tentar’", conta Barantini.
Para o diretor, abordar o colonialismo não significa "mostrar a Grã-Bretanha de um jeito negativo, mas apenas para mostrar o que estava acontecendo naquela época, como as pessoas eram tratadas e como o povo maltês era tratado em seu próprio país".
Ele completa: "Acho que isso é bastante relevante para o que está acontecendo hoje também.
Era muito importante contar essa história da maneira certa."
Himesh Patel, que vive o Dr.
Watson, se surpreendeu com o tom mais sombrio do filme quando leu o roteiro.
"Eu realmente admiro todos os envolvidos na produção que quiseram entrar [nestes assuntos].
Eles entenderam o fato de que a Enola está crescendo e a realidade do mundo começa a pesar sobre ela.
Como cineastas, eles não iam se esquivar de ser fiéis a isso porque torna a história ainda mais rica e poderosa."
Com a participação de Watson e de Moriarty, brevemente introduzidos nos minutos finais de Enola Holmes 2, a franquia se aprofunda na mitologia de Sherlock Holmes.
Patel, conhecido por Yesterday: A Trilha do Sucesso (2019), estudou o material original para criar sua própria versão de Watson, mas diz que o mais interessante deste filme é vê-lo longe de Sherlock.
"Foi bem emocionante interpretar uma versão que se passa em um mundo muito diferente de tudo o que já vimos antes.
Ele é menos um assistente; na verdade, é mais um mentor e um amigo em quem Enola pode se apoiar e a quem ela pode recorrer.
Achei isso uma dinâmica muito legal e foi muito divertido interpretar isso com a Millie", explica.
Relacionamento de Enola e Tewkesbury enfrenta desafios
Barantini teve o desafio de balancear a violência com o romance e a comédia, inclusive com o recurso da quebra da quarta parede, marca registrada de Enola.
Mas atribui esse balanço ao roteiro de Thorne e à própria Millie Bobby Brown, que é produtora do longa junto com o marido, Jake Bongiovi.
"Ela faz isso desde pequena e conhece a personagem melhor do que ninguém.
Então, havia momentos em que estávamos no set e ela ficava tipo: 'Ah, não, vou tentar outra coisa.
Quero tentar isso’.
E eu dizia: ‘Vai lá e faz.
Faz o que você sente que é certo'", diz.
Louis Partridge revela que um dos momentos mais românticos do filme, quando Tewkesbury faz uma trança no cabelo de Enola após uma briga, foi ideia de Millie.
Para o ator, os momentos de conflito entre o casal protagonista são os que mais farão o público se conectar com a história.
"Se esse filme reflete nosso relacionamento como casal, nem tudo pode ser só diversão e brincadeira.
É preciso passar por essa ruptura, como dizem, e depois se reconciliar.
E é realmente lindo nos relacionamentos quando isso acontece, quando vocês se reconciliam e há uma conversa que muda tudo.
Você se sente ainda mais próximo dessa pessoa", diz o ator.
"Toda essa jornada é muito importante nos relacionamentos, mas dá um certo medo toda vez.
Mas se você está com alguém legal, você consegue...
É uma oportunidade para se conectar ainda mais.
Isso existe nesse filme, e pareceu meio real", completa.
Partridge, de 23 anos, foi alçado ao estrelato por Enola Holmes, em 2020.
Desde então, participou de produções como A Casa Guinness (Netflix) e Disclaimer (Apple TV).
Nos últimos anos, viveu um relacionamento bastante público com a cantora americana Olivia Rodrigo.
O namoro, e o fim dele, são narrados por ela no disco You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, lançado em junho.
"Me sinto bem mais velho.
Uma pessoa bem diferente, na verdade", diz ele, sobre a diferença de quando interpretou Tewkesbury pela primeira vez.
"Mas há algo em interpretar esses papéis - já que os assumimos quando éramos jovens - que meio que nos congela um pouco no tempo.
Foi muito emocionante e reconfortante voltar a algo que eu conheci numa época em que era novo e estava criativamente inspirado.
Ainda estou, mas foi como uma cápsula especial quando fizemos nosso primeiro filme."
Partridge esteve no Brasil para um "mochilão" em 2021 - passou por Santarém (PA), Porto de Galinhas (PE) e foi até em um jogo do Flamengo, no Rio.
Já Millie Bobby Brown esteve em cidades como Curitiba e São Paulo para eventos de divulgação.
Questionados sobre como seria uma aventura de Tewkesbury e Enola no Brasil, Partridge respondeu animado: "Eles estariam no Pará.
Estariam acho que na Amazônia.
Meu Deus, isso seria divertido.
Então, eles teriam que dar uma volta e acabariam no carnaval.
Mas aí nós acharíamos um mistério na Amazônia…".
Quem sabe no próximo filme?
