Milei diz que guerra no Oriente Médio levará 'melhora' econômica à Argentina; entenda

 

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O presidente argentino, Javier Milei, afirmou nesta segunda-feira que a guerra no Oriente Médio vai gerar uma "melhora" nas exportações argentinas de petróleo e produtos agrícolas, o que poderá favorecer o acúmulo de reservas cambiais. Os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, iniciados há dez dias, e a retaliação iraniana contra diversos países da Península Arábica, elevaram o preço do petróleo, que nesta segunda-feira ultrapassou os 100 dólares (cerca de R$ 521) por barril pela primeira vez desde 2022.

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"Nesse contexto, a Argentina verá uma melhora em seus termos de transação comercial, pois os preços do petróleo estão subindo, e a Argentina é uma exportadora líquida", disse Milei à rádio argentina FM NOW. Além disso, "todos os grãos que a Argentina exporta, soja, milho e girassol, também estão com preços em alta", acrescentou o presidente em Nova York, onde participa da "Semana Argentina", um evento de promoção de investimentos.

Milei expressou seu apoio à ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, seus principais aliados. O chefe de Estado ultraliberal estava entre a dúzia de líderes latino-americanos e caribenhos alinhados com Trump que participaram no sábado da cúpula "Escudo das Américas", um acordo de segurança para o continente promovido pelo presidente dos EUA.

Em entrevista à FM NOW, Milei enfatizou que este é um momento propício para acumular reservas internacionais, um compromisso assumido pela Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no acordo de 20 bilhões de dólares assinado em abril de 2025 (cerca de R$ 113 bilhões, na cotação da época).

A Argentina tornou-se exportadora líquida de petróleo nos últimos anos, principalmente devido às jazidas de Vaca Muerta, na província de Neuquén (sudoeste), a segunda maior reserva de gás não convencional e a quarta maior de petróleo de xisto do mundo. O setor de petróleo e gás representa 13,5% das exportações argentinas, o segundo maior setor, mas ainda muito atrás do setor agrícola, que responde por mais de 60%.

A soja, em particular, representa 24,6% do total das exportações, enquanto o trigo responde por 4,2%. Na semana passada, o mercado de grãos de Chicago fechou em alta: o trigo atingiu seu maior nível em um ano e a soja atingiu seu maior nível desde junho de 2024, segundo o Ministério da Economia da Argentina.