O presidente argentino, Javier Milei, afirmou em um pronunciamento na TV dizendo que as Ilhas Malvinas são território argentino 'histórica e legalmente'. Ele acrescenta: 'Não há como discutir. Eles fazem parte do território argentino'. Milei prestou homenagem às centenas de soldados mortos durante o conflito de 74 dias em 1982. Depois, ele defendeu que as ilhas são 'relevantes para o país' e que 'não há outro caminho' a não ser da recuperação do território. O presidente afirma que as ilhas 'são o nosso futuro'. 'Precisamos recuperar essas ilhas, que são de importância nacional. Não há outro caminho a seguir. É a melhor maneira de homenagear aqueles que sacrificaram suas vidas por esta causa. É nossa obrigação, como nação, honrar sua memória'. O presidente da Argentina afirma que a reivindicação do país sobre as Ilhas Malvinas está 'enfrentando um novo temor', alegando que o Reino Unido 'não atendeu' ao apelo das Nações Unidas para não realizar 'ações unilaterais' no território.
'Há mais de 50 anos, as Nações Unidas vêm apelando à Argentina e ao Reino Unido para que não tomem medidas unilaterais no território das ilhas até que a disputa seja resolvida, incluindo o uso de seus recursos nacionais. No entanto, o Reino Unido tem sistematicamente falhado em atender a esse apelo'. Ele ainda defendeu a construção de uma base naval no sul argentino para ajudar no fortalecimento da presença militar na região. Jogadores argentinos com faixa escrita "As Malvinas são argentinas" após vitória contra Inglaterra na Copa do Mundo 2026. Paul ELLIS / AFP Em resposta ao tema, ao menos duas autoridades do governo do Reino Unido responderam. O secretário de Defesa, Wes Streeting, enfatizou a posição das Ilhas Malvinas como território britânico. 'A declaração de Milei durante a noite nos diz mais sobre a política interna da Argentina do que sobre as Ilhas Malvinas. As Ilhas Malvinas são britânicas porque os habitantes das Ilhas Malvinas escolhem ser britânicos. O nosso compromisso com as Ilhas Malvinas é absoluto e inabalável', disse nas redes sociais. Já o ministro das Relações Exteriores, Ed Mibiliand, afirmou que a posição do Reino Unido em relação às ilhas era 'inabalável'.
'As ilhas são britânicas e assim permanecerão, porque essa é a posição esmagadora dos ilhéus. O seu direito à autodeterminação é primordial, está alicerçado no direito internacional e iremos defendê-lo resolutamente', publicou nas redes. Trump afirma estar revisando apoio dos EUA ao Reino Unido sobre soberania das Ilhas Malvinas Ilhas Malvinas foram disputadas por Argentina e Reino Unido em um conflito. Reprodução O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que está reconsiderando o apoio dos EUA à soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas perante a Argentina. Ao ser questionado sobre ele estava revisando a posição dos EUA em relação às ilhas, ele comentou que essa é 'uma de muitas' que ele está revisando. Oficialmente, os EUA adotam uma posição neutra sobre a quem pertence a soberania legítima sobre as ilhas, que a Grã-Bretanha reivindicou pela primeira vez no final do século XVII e detém quase continuamente desde 1833. Apesar disso, na prática, reconhecem a administração britânica sobre o território, que foi alvo de uma invasão argentina e subsequente conflito militar com a Grã-Bretanha em 1982. O governo britânico não comentou o caso. As declarações de Trump foram o sinal mais claro até agora de que o governo está preparado para usar a disputa como moeda de troca para pressionar o governo do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, a aumentar os gastos com defesa e as contribuições para a OTAN. As declarações surgiram depois que um funcionário americano não identificado disse ao Telegraph na semana passada que Washington poderia mudar sua posição em relação às ilhas se a Grã-Bretanha não cumprisse seus compromissos de gastos com defesa. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos Divulgação/Casa Branca A afirmação foi após John Healey, o ministro das Finanças do Reino Unido, dizer estava se preparando para abandonar o compromisso anterior da Grã-Bretanha de destinar 3% do seu PIB a gastos com defesa até 2030, quando apresentar seu primeiro orçamento em 28 de outubro. Trump vem pressionando os aliados dos EUA a aumentarem seus orçamentos de defesa e suas contribuições para a OTAN, acusando outros países de 'aproveitarem-se indevidamente'. Em uma cúpula em Haia no ano passado, os aliados se comprometeram a investir 5% do PIB em despesas relacionadas à defesa e segurança até 2035. Há meses circulam especulações sobre uma possível mudança de lealdade dos EUA em relação às ilhas. Em abril, um e-mail vazado do Pentágono sugeriu a revisão da reivindicação britânica em resposta à falta de apoio à decisão de Trump de entrar em guerra com o Irã. Após a invasão argentina das ilhas em 1982, a decisão do governo de Margaret Thatcher de enviar uma força-tarefa naval que acabou resultando na sua recuperação foi reforçada pelo firme apoio diplomático de Ronald Reagan, que se posicionou ao lado da Grã-Bretanha, embora Washington também fosse aliado da junta militar governante argentina. Cerca de 649 militares argentinos e 255 britânicos morreram em combate antes da rendição das forças argentinas em junho de 1982. Nos últimos tempos, Trump se aproximou do presidente populista da Argentina, Javier Milei, que compareceu à sua segunda posse em janeiro do ano passado. No ano passado, Trump autorizou um auxílio financeiro de US$ 20 bilhões para a Argentina, para ajudar na superação de uma crise financeira, mas condicionou a liberação dos fundos à vitória do partido de Milei nas eleições legislativas subsequentes. Milei tem apoiado veementemente a reivindicação da Argentina sobre as ilhas. Em uma pesquisa de 2013, 1.513 dos 1.517 residentes das Ilhas Malvinas que votaram disseram que queriam que o território permanecesse parte do Reino Unido. O debate sobre o assunto ainda veio à tona após a vitória da Argentina por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo em julho, quando os jogadores argentinos, em comemoração, desfraldaram uma faixa com os dizeres 'Las Malvinas son Argentinas' (as Ilhas Malvinas são argentinas). A federação argentina de futebol foi posteriormente multada em US$ 235.000 pela Fifa por violar suas regras sobre manifestações não esportivas. Jogadores da Argentina levaram bandeira escrita 'As Malvinas são argentinas' após vitória sobre Inglaterra na Copa do Mundo. Jewel SAMAD / AFP
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