Milei chama ONU de ‘organização inútil’ que alimenta 'casta de parasitas' e cobra Reino Unido pelas Malvinas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente argentino, Javier Milei, chamou a Organização das Nações Unidas de "organização inútil" e acusou o organismo de olhar "para o outro lado" diante da disputa entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas. A declaração ocorre um dia depois do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, dizer ao presidente americano, Donald Trump, que Londres permanecerá firme na defesa do território. Em seu terceiro discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira, Milei também criticou a atuação da organização durante a pandemia de Covid-19 e defendeu o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) sem regulação preventiva. Contexto: Milei envia ao Congresso PL para endurecer sanções à exploração de recursos nas Ilhas Malvinas Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países — A ONU se tornou uma organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas, fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados — afirmou Milei. — Aqueles que deveriam garantir a segurança coletiva e os direitos humanos fracassaram em sua tarefa e, em seu lugar, permitiram o caos, a violência e o terrorismo internacional.

O presidente argentino dedicou parte significativa dos 19 minutos de discurso à reivindicação de soberania sobre as Malvinas, controladas pelo Reino Unido desde 1833.

— Malvinas é, para nós, uma causa nacional — disse.

Veja também: À margem da Assembleia Geral da ONU, aliados latino-americanos de Trump planejam sanções e classificar cartéis de drogas como 'terroristas' Ele ainda ressaltou que a questão não se limita à Argentina e ao Reino Unido, mas também coloca em xeque a capacidade da ONU de fazer cumprir suas próprias resoluções. — Os que seguem as regras não têm qualquer recompensa por fazê-lo, enquanto os que as descumprem não recebem a menor represália — argumentou. — De que serve uma resolução se, durante décadas, a contraparte pode agir em sentido contrário e essa resolução fica intacta nos arquivos, mas impotente diante da realidade? Entenda: O que é o Tratado do Rio, pacto que aliados de Trump querem usar contra cartéis na América Latina Segundo o presidente, há cinco décadas a Assembleia Geral aprovou a resolução 31/49, que pede às partes que se abstenham de introduzir mudanças unilaterais enquanto a disputa de soberania permanecer aberta. — Cinquenta anos depois, a situação não mudou, mas as modificações unilaterais continuam — observou.

Petróleo e tensão diplomática Milei voltou a cobrar o Reino Unido pela exploração de recursos naturais nas águas próximas às Malvinas. O presidente citou o projeto Sea Lion, de exploração de petróleo na Bacia Norte das Malvinas, e disse que as licenças concedidas pelas autoridades britânicas são consideradas ilegais e ilegítimas pela Argentina. Iniciativa do governo: Projeto de Milei sobre Malvinas prevê prisão por ‘desinformação’ e gera alerta sobre liberdade de imprensa O governo de Milei vem endurecendo sua posição contra empresas envolvidas na exploração de hidrocarbonetos na região. Em setembro, a Argentina anunciou sanções contra empresas ligadas ao projeto e enviou ao Congresso um projeto para ampliar as punições a companhias que explorem recursos naturais nas áreas reivindicadas pelo país. — Não vamos ficar sentados esperando que a ONU aja; vamos tomar medidas sobre o assunto — afirmou Milei. Ao mesmo tempo, voltou a convocar Londres a retomar as negociações para “encontrar uma solução pacífica” para a disputa de soberania e discutir a exploração dos recursos naturais. Presidente argentino: Milei demite funcionários da residência presidencial por supostos vazamentos de informações e põe militares na gestão A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Argentina e Reino Unido. Na véspera, Burnham havia levado a posição britânica sobre as Malvinas diretamente a Trump, em seu primeiro encontro presencial com o presidente desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro, realizado à margem da Assembleia Geral da ONU. Trump, que vinha fazendo declarações sobre a posição americana em relação às ilhas que provocaram repercussão em Londres e Buenos Aires, elogiou o novo líder britânico após a reunião e o chamou de “empresário nato”.

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), reúne-se com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, durante um encontro bilateral à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em 22 de setembro de 2026 BRENDAN SMIALOWSKI / AFP Em seu discurso na ONU, na terça-feira, o premier britânico advertiu que Londres permaneceria firme “contra qualquer ameaça à ordem da lei”, inclusive "quando ameaçam os direitos dos territórios britânicos de permanecer britânicos, como é o caso das Ilhas Malvinas". A declaração provocou uma resposta do chanceler argentino, Pablo Quirno, que afirmou haver direito de réplica na ONU para chefes de governo e justificou a manifestação argentina após os discursos dos líderes que estavam na programação. Exploração de hidrocarbonetos: Argentina denuncia empresas ligadas à israelense Navitas por exploração de petróleo nas Malvinas Nesta quarta-feira, Milei também questionou a posição britânica sobre o princípio da autodeterminação. Ao mencionar manifestações recentes de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte sobre o tema, afirmou que Londres deveria explicar como concilia sua interpretação do princípio com os debates dentro do próprio Reino Unido. Ao falar sobre os habitantes das ilhas, o presidente argentino os descreveu como uma “população implantada sobre um território que se encontra em disputa”, em linha com a posição histórica de Buenos Aires. Pandemia e IA Além das Malvinas, Milei voltou a atacar a atuação da ONU durante a pandemia. O presidente criticou as políticas de confinamento adotadas durante a crise sanitária e defendeu a retirada da Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS). — O que alguns alegam ser um erro de política sanitária, nós vemos como um experimento global de controle social disfarçado de ciência — disse.

Milei acrescentou que, quando um Estado restringe direitos como trabalhar, estudar e se despedir dos mortos em nome de medidas sanitárias, e isso resulta em mortes que ele considera evitáveis, “há uma palavra para nomeá-lo: genocídio”. Na segunda parte do discurso, o presidente mudou o foco para a IA e adotou uma posição menos intervencionista, semelhante à defendida por Trump, seu aliado. Na terça, o republicano usou o termo "superinteligência" para se referir à IA. Milei questionou os alertas sobre cenários de risco usados para defender maior controle estatal da tecnologia. — Os cenários distópicos aos quais se costuma recorrer para infundir medo e favorecer o controle do Estado não fazem sentido do ponto de vista econômico — afirmou. Para ele, o Ocidente deve "liderar o desenvolvimento da tecnologia". Leia mais: Reino Unido reafirma que Malvinas são britânicas enquanto Milei retoma reivindicação argentina após declaração de Trump Milei disse que a IA e a chamada “superinteligência” podem elevar a produtividade em uma escala ainda difícil de dimensionar. — Prudência não significa medo e, mais do que isso, o medo, sob nenhum ponto de vista, deveria se transformar automaticamente em obediência — ressaltou. O presidente prometeu transformar a Argentina em um polo de desenvolvimento de IA e destacou os recursos naturais, a energia e a mão de obra do país.

— Queremos ser o lugar mais competitivo do mundo para desenvolvê-la — contou, defendendo um marco jurídico favorável ao setor e o “compromisso de não regular de maneira preventiva” a tecnologia. Alinhamento com Trump Milei também reafirmou o alinhamento com Estados Unidos e Israel, países com os quais disse compartilhar “uma profunda afinidade de valores e uma complementaridade estratégica”. Presidente dos EUA: Trump diz que não descarta 'revisar' posição dos EUA sobre Malvinas Apesar das críticas à ONU, o governo argentino apoia a candidatura do diplomata Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ao cargo de secretário-geral da organização. A disputa pela sucessão de António Guterres ainda está em andamento. Ao retornar ao hotel, após o discurso, Milei afirmou ao canal TN estar “satisfeito” com a mensagem apresentada na ONU.

— É provável que, em algum momento, o Reino Unido se chame à reflexão e nos devolva as ilhas, que são nossas — afirmou. (Com AFP, La Nacion e New York Times)

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