Miguel Falabella explicou a escolha por preservar a sua vida pessoal e o motivo de ter revelado que era pai de dois homens apenas no ano passado.
O artista — que é pai Theo e Cassiano, filhos biológicos de uma amiga sua — falou sobre isso durante entrevista ao Roda Viva na noite desta segunda-feira (24).
"Nunca expus porque achava que eu era uma pessoa pública e não eles.
Graças a Deus, são dois homens incríveis", falou sobre os filhos, admitindo que já é avô.
"Tenho um netinho", revelou ele ao falar sobre o futuro do Planeta.
A mesma regra valia para os seus companheiros e sobre a sua orientação sexual.
Ele explicou que nunca quis se colocar em uma caixinha.
"Não queria ser colocado em uma prateleira.
Depois que te colocam, não sai mais...
Nunca quis ter rótulos.
Me blindei mesmo.
Nunca transformei a vida em espetáculo.
Até porque, na época em que vivemos com preconceito, talvez eu não tivesse feito metade do que eu fiz...
Eu nunca tive nenhum problema com a minha vida.
Eu nunca levantei bandeiras, mas eu sempre vivi muito à vontade.
Não acho que a minha vida seja, acho que o meu trabalho é muito mais interessante do que a minha vida", explicou ele, que se surpreendeu com a repercussão de um post que fez de uma foto do Alexandre Altoé.
"Nunca me interessei pela vida de ninguém, nunca permiti que se interessassem pela minha.
Agora botei uma foto do Alexandre no Instagram, e foi um desespero.
O que é isso, gente? Que desespero é esse?", disse.
Apesar de sempre evitar que sua vida fosse exposta, Falabella relembrou que foi vítima de fake news, incluindo a de que seria portador de HIV.
"Falaram que eu, Claudia Raia e alguns artistas tínhamos." Foi horrível.
Lembro que fui fazer espetáculo em Londrina e saiu no jornal que eu tinha morrido no Hospital das Clínicas em São Paulo.
Aí me falaram: 'Não tem nenhum ingresso vendido'...
No Natal, entrei em uma loja e ela foi se esvaziando...
Foi cruel", relembrou.
Falabella também refletiu sobre a morte.
Aos 69 anos, ele contou que recentemente foi internado com pneumonia e pensou muito em sua partida.
"Eu tive uma pneumonia três semanas atrás.
Foi uma pneumonia silenciosa; de repente, me deitei e acordei muito mal.
Estava sozinho no Rio, peguei um Uber, fui ao hospital.
O cara já viu que eu estava com pneumonia, me internaram e eu pedi algo para dormir.
Apaguei.
Acordei no meio da noite com a sensação de paz tão grande...
Mas pensei: 'Tem tanta gente de quem quero me despedir e abraçar.
Não quero ir hoje'.
Não tive medo.
Foi uma experiência tão estranha", disse ele.
"A ideia me deu o desejo de priorizar.
Quero fazer as coisas que eu quero fazer, quero escrever um livro sobre essas grandes mulheres que passaram na minha vida...
Sou eu lembrando dessas grandes mulheres que eu tive em meus braços.
Já tenho até nome: Eu as tive em meus braços."
