Michelle pede para não ser julgada por 'conotação política' após conversa no STF por domiciliar a Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira para não ser alvo de julgamentos ou “rótulos de conotação política” após ter procurado ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em busca de apoio à concessão de prisão domiciliar ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu após a transferência de Bolsonaro para o Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, em Brasília — unidade conhecida como “Papudinha”.
Em publicação nas redes sociais, Michelle apelou diretamente a aliados e apoiadores para que não antecipem interpretações sobre sua atuação. “Àqueles que também amam e defendem o meu amor, o nosso líder, peço que não me levem ao tribunal do julgamento pessoal, que não se apressem em me julgar ou a criar rótulos de conotação política”, escreveu. A ex-primeira-dama afirmou que, no “tempo oportuno”, as pessoas compreenderão os movimentos. “Agimos sempre pedindo o discernimento de Deus. No tempo oportuno, vocês irão compreender todas as coisas. Confiem nele (Jair). Confiem em mim. Confiem em Deus!”, completou.
Segundo o GLOBO apurou, Michelle esteve com o ministro Gilmar Mendes, em audiência. O encontro foi descrito como uma tentativa de sensibilização diante do quadro de saúde do ex-presidente. Em outra frente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também telefonou para ao menos quatro ministros da Corte nos últimos dias para tratar do caso.
No post, Michelle negou a existência de tentativa de golpe e voltou a contestar a condenação do marido. “Meu marido não cometeu crime algum. Não houve nenhum golpe. Nunca deveria ter sido condenado. Está tudo errado desde o início!”, escreveu.
A ex-primeira-dama buscou associar o episódio a uma dimensão pessoal e familiar, afirmando carregar “a dor” do marido, da filha e de pessoas próximas. “Sou esposa. Sou mãe. Sou mulher. Carrego a dor da minha filha, a dor do meu marido e a dor de todos que o amam”, declarou. Segundo ela, é preciso conter a própria dor para continuar “de pé”, “resistir” e ser “uma coluna” e “uma intercessora” para ajudar Bolsonaro a suportar o que chamou de “sofrimentos”.
Michelle também reforçou que o estado de saúde do ex-presidente justificaria a prisão domiciliar. “O estado de saúde do meu marido, inclusive os riscos de queda, demandam que ele esteja em casa; sendo cuidado por nós, pela família”, escreveu. Em outro trecho, afirmou que seguirá mobilizada mesmo após a transferência. “Ainda que hoje as instalações do complexo sejam menos prejudiciais à sua saúde e lhe tragam mais dignidade, continuaremos lutando para levá-lo para casa.”
Nos bastidores, a avaliação é que a transferência para a Papudinha pode representar uma melhora parcial nas condições de custódia, por oferecer estrutura diferente da instalada na Polícia Federal, e é vista por aliados como um primeiro passo para a concessão da domiciliar.
A publicação foi acompanhada por uma mensagem de tom religioso na legenda, com a citação “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”, reforçando a conexão de Michelle com o eleitorado evangélico.
