Michelin: a festa é nossa (é no Rio), mas as estrelas é que são elas...
O Guia Michelin Rio e São Paulo vem aí: segunda-feira tem noite de premiação no Copacabana Palace. E premiação Michelin, vale lembrar, não significa necessariamente distribuição de estrelas, hoje concedidas com bastante parcimônia pelos inspetores da casa. Vai rolar estrela, mas o jogo é duro. Pode aparecer uma ali, outra acolá e, sim, as estrelas também mudam de lugar. No ano passado, o Rio perdeu uma das duas estrelas do Oteque, do chef Alberto Landgraf.
Mas a noite vai ser das boas, já que a publicação inclui outras distinções de peso que agitam o meio, engrossam a lista e nos levam a grudar os olhos na tela da nona edição brasileira ( só no digital) para conferir cada um dos agraciados. O Bib Gourmand, o bonequinho sorridente que aponta os restaurantes de melhor custo-benefício, cada vez ganha mais peso e relevância. E, assim, acaba por animar (e facilitar) a cena gastronômica local e mundial.
"O Bib nos coloca no circuito internacional, é referência para os turistas que não querem gastar mil euros numa refeição", pondera o chef Elia Schraam, indicado no Guia com o seu italiano Babbo
O Rio conta hoje com 11 restaurantes com Bib Michelin. Puxando a conta: Lasai e Oro somam duas estrelas; Oseille, Casa 201, Mee, San Omakase, Cipriani e Oteque, uma estrela cada. Total de oitos estrelados na cidade. São Paulo tem 17 com estrelas, sendo três casas com duas: o Evvai, D.O.M e Tuju. Mas o Rio guarda seus trunfos, como festeja o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai.
" As duas estrelas do Lasai é uma conquista fenomenal" festeja Rafa Costa e Silva, que espera manter a cotação
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"Estou em Nova York no restaurante do Daniel Boulud , casa de projeção mundial. Ele tem uma estrela Michelin e o Lasai tem duas. Isso é uma conquista fenomenal", festeja Rafa Costa e Silva, que até o final do ano estará transferindo o Lasai para um salão de 300 m2, no novo Sofitel de Ipanema.
Mas as três estrelas, é melhor não esperar por elas para abrilhantarem a festa. É pouco provável que alguma casa do Rio ou de São Paulo leve a cotação máxima.
João Frankenfeld (casa 201) e Thomás Troisgros (Oseille) entraram no naipe dos estrelados, faturaram uma estrela cada no ano passado, que devem ser mantidas. O Haru, do Menandro Reis, anda merecendo uma estrela; o veterano Giuseppe Grill também e já está mais do que na hora do chef Claude Troisgros ter uma estrela para chamar de sua. Esse ano, pode levar com o novo Madame Olympe.
Portugal, de gastronomia consolidada mundialmente, não ganhou a sua tão esperada terceira estrela. Faturou 53 e espalhadas praticamente por todas as regiões do país. Mas a terceira mesmo, não saiu. Mas na noite de gala na Ilha da Madeira, foram anunciados 34 novos restaurantes na categoria dos "Indicados" pelo Guia Michelin. Não é Bib, não leva estrela, mas traz o peso de ser uma casa indicada pelo Guia. Com todos os chefs no palco, foi um momento de festa. E dez novas casas com uma estrela Michelin engrossaram o caldo luso.
Cito Portugal porque a premiação pode ser parecida com a que veremos na noite de segunda-feira: muitos "Bibs" (e isso é ótimo), novas casas "Indicadas" (já temos 27) e reforço na categoria "Uma estrela". Oteque talvez pegue de volta a estrela que se foi: Cipriani, que segue fechado para obras de reforma, será que perde a sua? O Mee, o asiático do mesmo Copacabana Palace, segura a que ganhou desde a primeira edição. E o Pérgula, que esse ano se voltou mais para o publico externo, talvez mereça algum reconhecimento. A leva dos " Indicados" deve aparecer fortalecida, com a inclusão de novos espaços da cidade. Há muitos que merecem projeção. Por sua vez, os que já estão lá podem subir de patamar e faturar um Bib Gourmand.
Minha aposta: o Lilia, do Lucio Vieira. Agora é torcer, porque tudo pode acontecer.
