México prevê corte de 70% de ajuda financeira a Pemex, em meio a risco de perder grau de investimento

México prevê corte de 70% de ajuda financeira a Pemex, em meio a risco de perder grau de investimento - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governo do México busca reduzir o apoio financeiro destinado ao pagamento da dívida da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) para 81,1 bilhões de pesos (US$ 4,8 bilhões) em 2027, quase 70% menos do que o valor orçado para este ano. O governo espera que a Pemex registre um superávit financeiro de 95,1 bilhões de pesos (US$ 5,6 bilhões), segundo o projeto de orçamento para 2027 da presidente Claudia Sheinbaum, apresentado ao Congresso na noite de terça-feira. Em nota na madrugada: Após anunciar aumento da gasolina, Petrobras volta atrás e cancela reajuste No Brasil: Custo de subsídios a combustíveis já chega a R$ 37,5 bilhões; governo diz que alta do petróleo compensa desoneração Mesmo com um apoio menor à Pemex, o México continuará registrando um déficit de 3,9%, ante 4,1% neste ano, devido aos gastos sociais e aos investimentos em infraestrutura. No ano passado, o México destinou US$ 14 bilhões à Pemex em seu orçamento de 2026, por meio de injeções de capital destinadas ao pagamento de dívidas. O governo também concluiu uma recompra de US$ 10 bilhões para cobrir os vencimentos da Pemex neste ano.

Sheinbaum havia dito que espera que a Pemex alcance a autossuficiência financeira no próximo ano, uma meta que analistas classificaram como ambiciosa diante dos desafios operacionais da companhia. Segundo a apresentação de resultados mais recente, a Pemex enfrenta cerca de US$ 5 bilhões em vencimentos em 2027. Uma plataforma de petróleo no Golfo do México, ao largo da costa de Tamaulipas, em Tampico Mauricio Palos/Bloomberg Embora as injeções de capital tenham evitado uma crise imediata, o apoio continua ocultando problemas estruturais, entre eles um quadro de funcionários superdimensionado e uma produção cada vez menor em campos maduros. Veja o que muda: Subsídio maior para gasolina e diesel entra em vigor no Brasil O orçamento proposto para a Pemex em 2027 totaliza 527,1 bilhões de pesos, 2% a mais do que em 2026, segundo o documento. Os problemas financeiros da companhia deterioraram a posição do México nos mercados financeiros, levando os títulos soberanos a serem negociados atualmente perto do território de “lixo” e pagando taxas de juros mais altas do que países vizinhos menores e com classificações de crédito mais baixas, entre eles Guatemala e Panamá. Sheinbaum destinou mais de US$ 50 bilhões em apoio à Pemex em dois anos, além dos aproximadamente US$ 80 bilhões concedidos durante o governo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, elevando o resgate a um total de mais de US$ 130 bilhões.

O enorme desembolso contribuiu para quase dobrar o déficit orçamentário e transformou as perdas crônicas da companhia em um dos maiores riscos para o perfil de crédito do México. Fabio Graner: As escolhas políticas e econômicas do governo ao aumentar o subsídio para a gasolina Ainda assim, os governos sucessivos continuaram determinados a manter a Pemex de pé, por considerarem a petrolífera estatal um símbolo da soberania nacional. O governo informou no mês passado que seu apoio à companhia permitiu reduzir a dívida da petrolífera para o equivalente a 4% do tamanho da economia mexicana em 2025. Esse percentual havia atingido o pico de 9,3% em 2016. O México busca parceiros privados que ajudem a aumentar a produção, que, segundo o orçamento, deverá alcançar 1,8 milhão de barris por dia no próximo ano, ante cerca de 1,7 milhão de barris diários de petróleo bruto e condensados em julho. Até agora, o interesse em joint ventures com a Pemex tem sido limitado. Além da brasileira Petrobras, poucas grandes petrolíferas internacionais se mostraram dispostas a se associar à produtora e refinadora em dificuldades.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo