'Meu objetivo era fazer com que eles fossem ouvidos': estagiário do GLOBO comenta reportagem sobre professores hostilizados

 

Fonte: Bandeira



A editoria Brasil publicou, no dia 11 de maio, uma reportagem que rapidamente alcançou um grande número de leitores nas redes e no site do jornal O GLOBO: o sofrimento dos professores em sala de aula diante da intimidação ou abuso verbal feitos por estudantes. Um cenário triste, mas infelizmente cada vez mais comum no país, como mostrou o estagiário Eduardo Moure, autor da reportagem, feita com supervisão da editora assistente Fernanda Freitas. Para ele, que entrou na Redação do GLOBO há menos de quatro meses, ter feito algo de tamanha repercussão em pouco tempo foi como "marcar um gol de placa".

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Em um texto dirigido aos leitores, Moure conta os bastidores da reportagem e sua própria reação ao impacto que ela provocou.

“Caro leitor, que alegria poder escrever este texto para você. Minha felicidade se deve, principalmente, a dois motivos: o primeiro é ter a oportunidade de falar com quem, de certa forma, acompanha o meu trabalho; o segundo é o fato de que, se estou ocupando este espaço, é porque ‘mandei bem’.

Tenho 21 anos e há quase quatro meses sou estagiário no GLOBO, um dos maiores jornais do país. Escrevi recentemente uma matéria que teve uma grande repercussão: ‘Professores viralizam ao relatarem hostilidade de alunos e geram debate sobre más condições em sala de aula’. Se você acompanha o perfil do jornal no Instagram, talvez tenha se deparado com ela. A reportagem, que foi também a abertura da editoria Brasil no jornal impresso, alcançou quase 35 mil curtidas na rede.

Professores vêm desabafando sobre ambiente hostil em sala de aula

Montagem com imagens de reprodução/redes sociais

Desde que cheguei ao GLOBO já tive a oportunidade de escrever dezenas de textos para o site, assinar reportagens na versão impressa e produzir matérias em vídeo. Para alguém que sempre quis trabalhar com jornalismo, isso já seria especial por si só. Muitas vezes, quando chego à Redação, ainda penso: ‘Caramba, é real’.

Mas a reportagem sobre os professores teve um peso diferente. Sem dúvida, foi o texto mais importante que escrevi até agora. Tenho carinho por todas as reportagens que fiz e aprendi muito com cada uma delas, mas essa virou um marco para mim — profissional e pessoalmente.

Como a pauta surgiu

Navegando pelo X (antigo Twitter), vi o vídeo em que a professora Geórgia Kimura desabafa sobre mais um dia complicado de aula. Em seu relato, ela diz estar em uma batalha perdida e que sente medo de adoecer exercendo sua profissão. Decidi então pesquisar seu perfil no Instagram, onde ela havia postado o vídeo original. Na publicação, percebi não só as mais de 200 mil curtidas, mas também os comentários de milhares de professores dizendo o mesmo: que estavam exaustos.

Tive duas sensações imediatas. A primeira foi a certeza de que renderia uma matéria relevante; a segunda, perceber ainda mais a gravidade da situação e lamentar que educadores tenham que passar por isso. Meu objetivo era fazer, então, com que eles fossem ouvidos.

Hoje, a reportagem segue repercutindo nas redes e ainda muito acessada no site. Mais do que qualquer número, porém, o que mais me marcou foram os comentários de professores agradecendo o espaço dado aos relatos. Também recebi mensagens emocionadas de tios, que são educadores, elogiando a reportagem.

Ler esse retorno foi gratificante e me fez pensar no impacto que uma reportagem pode ter ao ampliar discussões importantes.”

* Estagiário sob supervisão de William Helal Filho e Mànya Millen

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