Meu filho não quer usar desodorante: como resolver sem briga?
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Dúvida da semana 🤷♀️🤷
"Meu filho de 11 anos já tem cheiro de suor, mas não quer usar desodorante porque diz que 'não é natural'. Como faço para ele criar esse e outros hábitos de higiene sem brigar?"
Lidar com comportamento opositor, especialmente a partir da pré-adolescência, é um exercício constante de paciência. A gente tenta se equilibrar entre o diálogo e as consequências quando o filho simplesmente diz “não”, sem deixar escalar para uma briga.
Curioso como isso aparece em situações que nunca imaginamos antes de ter filhos, como o uso de um desodorante.
Para responder à pergunta desta semana, ouvimos três especialistas: um educador parental, que fala sobre o equilíbrio na relação do dia a dia, e dois médicos, que explicam quando o desodorante passa a ser indicado e quais são os cuidados.
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Palavra dos especialistas 👩🏫👨🏫
Renato Maiato Caminha - Terapeuta, educador parental e palestrante
🧠 A preocupação em não brigar é bastante importante. E sabemos que é difícil evitar isso diante de um comportamento opositor. Mas, sempre que o adulto se desregula, ele perde autoridade. O adolescente percebe isso muito rápido: ele vê o pai ou a mãe gritando, perdendo o controle, e depois nota que ele mesmo é cobrado quando faz a mesma coisa.
🪞Não há nada mais importante na educação do que o modelo e o exemplo que damos às crianças e adolescentes, que ainda estão com um sistema emocional incompleto. Eu brinco dizendo que eles são como “panelas sem tampa”, e o adulto é o elemento regulador.
🧭 Mas isso não significa ceder. Pelo contrário: é possível manter o seu posicionamento. O ponto é sustentar a regra — higiene é uma responsabilidade — sem entrar na desregulação.
🧼 A questão do desodorante não começa no desodorante. Ela começa antes, na construção de hábitos de autocuidado desde pequeno: escovar os dentes, dar descarga, cuidar do próprio corpo. Isso faz com que a criança se implique e entenda que se trata de uma responsabilidade pessoal.
👃 E há um ponto importante: esse autocuidado não diz respeito só à individualidade. Ele tem impacto nos outros. Pode ser difícil conviver com alguém que está com mau cheiro, pois isso afeta o ambiente e as relações.
⚖️ Quando surge um comportamento opositor como não querer usar desodorante, entramos no campo das consequências. Porque não é algo que afeta apenas a própria pessoa, mas também quem convive com ela.
🚗 Por exemplo: se a família vai sair junta, não dá para entrar no carro, um ambiente pequeno e fechado, sem desodorante e, por causa disso, com cheiro ruim. A consequência, nesse caso, é clara: não há como esse programa acontecer, já que impor um mau cheiro aos outros não é adequado. É uma forma de mostrar que existe uma consequência para um comportamento que tem repercussão social. Explicações claras, nesse momento, podem ajudar a mudar a situação.
🤝 Por isso, o caminho é manter o posicionamento com firmeza, sem desregular. Porque, no fim, nada é mais importante na educação do que o modelo parental.
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🧠 Não existe uma idade certa para começar a usar desodorante. O que orienta essa decisão é o surgimento do odor axilar, que costuma aparecer no início da puberdade, em geral entre 8 e 12 anos. Se não há odor significativo, não há necessidade de usar.
🧼 Do ponto de vista médico, o desodorante não é imprescindível. O mais importante é manter bons hábitos de higiene, como banho regular e troca de roupa. O uso passa a fazer sentido se o odor impactar negativamente a vida pessoal e social.
🧴 Quando há necessidade, a recomendação é começar com produtos mais suaves: hipoalergênicos, fórmulas para pele sensível, sem fragrância e sem álcool. Recomenda-se também evitar substâncias com potencial efeito hormonal (disruptores endócrinos), como parabenos, bisfenóis (como o BPA) e fragrâncias com composição pouco transparente.
⚖️ Algumas famílias preferem evitar os antitranspirantes, inclusive os que contêm sais de alumínio, por precaução. Nesses casos, desodorantes simples, focados no controle do odor, costumam ser suficientes
🚫 Vale ainda evitar produtos mais agressivos, especialmente em spray ou aerossol, que podem irritar a pele.
💬 Para incentivar hábitos de higiene, o caminho mais eficaz não é a imposição, mas o diálogo. Explicar as mudanças do corpo de forma simples, incluir a criança nas escolhas e dar o exemplo costuma funcionar melhor do que transformar isso em um ponto de conflito.
No radar: 3 livros e 1 filme sobre puberdade e adolescência 👀
'Celebre seu corpo (e suas mudanças também!)', de Sonya Renee Taylor (Editora Melhoramentos)
Um livro que responde muitas dúvidas, tratando de temas como seios e sutiãs, menstruação, surgimento dos pelos, sentimentos, amigos, entre outros.
'Tudo muda: Um guia alegre e sincero sobre a puberdade', de Nina Brochmann e Ellen Støkken Dahl Seguinte (Editora Seguinte)
Para ajudar meninas (e meninos) prestes a entrar na adolescência ou que já estão nessa fase, as médicas norueguesas explicam diferentes aspectos da puberdade. Há respostas para perguntas como “O que é menstruação?”, “Para que serve o suor?”, “De onde vieram todos esses sentimentos?”, entre outras.
'De repente adolescente: Antologia de contos', de Camila Fremder, Clara Alves, Socorro Acioli, Vitor Acioli e outros (Editora Seguinte)
Nesta antologia, os autores narram, em contos diversos, experiências típicas do início da adolescência: a mudança de escola, a separação dos pais, o despertar de um sentimento, o amadurecimento às vezes precoce…
'Red - Crescer é uma Fera', disponível no Disney+
O filme conta a história de uma adolescente que, quando fica muito nervosa, vira um grande panda vermelho. Na trama, o público acompanha sua jornada de amadurecimento, suas inseguranças e como ela se sente dividida entre a filha que sempre foi e a sua nova personalidade.
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