Meta, Google e X descartam irregularidades no Exército do Lula e enfraquecem ação de Flávio Bolsonaro

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – As três principais plataformas digitais consultadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificaram irregularidades na atuação do canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e que reúne mais de 10 milhões de seguidores. As manifestações da Meta, do Google e do X, encaminhadas nesta sexta-feira (23) ao presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, contrariam as suspeitas levantadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que tenta questionar judicialmente a mobilização digital favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, as empresas responderam a determinações de Nunes Marques, que havia exigido esclarecimentos técnicos sobre o funcionamento do canal, a disseminação de publicações nas redes sociais e a eventual utilização de mecanismos artificiais para ampliar o alcance das mensagens.

As respostas não apontaram infrações às políticas das plataformas, embora o X tenha confirmado a existência de mobilização coordenada realizada predominantemente por usuários autênticos. A manifestação da Meta, responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, foi particularmente relevante para a investigação.

A companhia informou que examinou tanto o funcionamento do canal quanto publicações específicas indicadas pela campanha de Flávio Bolsonaro, sem encontrar elementos que justificassem punições ou restrições. “A análise do Canal à luz das Diretrizes de Canais consta da declaração técnica anexa, que constatou que não há violação das políticas, detalhando as políticas e metodologia para detecção de conteúdo violador.

A resposta também endereça os questionamentos sobre preservação de dados; dados disponíveis, encaminhamentos e esclarecimentos sobre inexistência de serviço pago nesta interface”, afirmou a Meta. Meta não encontrou uso de robôs nem comportamento irregular

A empresa também analisou links de publicações no Instagram apresentados pela equipe do candidato do PL. Segundo a resposta encaminhada ao TSE, os conteúdos examinados “não violam a política da Meta” e tampouco apresentam indícios de comportamento inautêntico coordenado, como a utilização de robôs para manipular artificialmente o alcance das mensagens.

A companhia esclareceu ainda que suas regras não proíbem a mobilização organizada de pessoas reais nas redes sociais. A distinção é importante porque a campanha de Flávio Bolsonaro questiona justamente a capacidade do Exército do Lula de coordenar ações digitais em larga escala.

“A versão pública dos Termos de Serviço tem o mesmo alcance: veda o uso do serviço para condutas determinadas, e não de uma categoria de ‘comportamento coordenado’ aplicável à mobilização de usuários reais”, explicou a Meta. A resposta diferencia a participação organizada de apoiadores políticos de práticas que envolvem contas falsas, automação irregular ou manipulação artificial.

No material examinado, a empresa não identificou elementos que caracterizassem essas infrações. Google também descarta ataques e automação irregular

O Google apresentou conclusão semelhante ao responder aos questionamentos do TSE. A empresa informou que suas verificações técnicas não identificaram sinais de ataques cibernéticos, tráfego automatizado irregular ou utilização de redes de robôs relacionados aos fatos investigados.

“As verificações técnicas internas disponíveis não identificaram sinais de ameaça cibernética, tráfego automatizado, ataques por scripts ou infraestrutura de botnet relacionada aos termos examinados. Também não foram identificadas violações de política ou medidas de aplicação adotadas pela Google em razão dos fatos narrados”, declarou a companhia.

A plataforma também esclareceu que parte das informações solicitadas pelo tribunal pode ser consultada publicamente, especialmente os dados referentes à evolução das pesquisas por determinadas palavras e expressões. Ao explicar o funcionamento de seus mecanismos de monitoramento, a empresa afirmou que os dados do Google Trends correspondem às pesquisas realizadas diariamente pelos usuários e que dispõe de ferramentas para identificar e filtrar a maior parte das atividades irregulares.

A conclusão reforça a ausência, nas verificações apresentadas, de evidências técnicas de manipulação automatizada vinculada ao canal de mobilização dos apoiadores de Lula. X confirma mobilização coordenada, mas afirma que prática é permitida

A resposta do X também contrariou a hipótese de que a atuação organizada de apoiadores do presidente constitua, por si só, uma infração. A rede social reconheceu que houve ações coordenadas destinadas a colocar determinados assuntos entre os mais pesquisados e comentados na plataforma.

Entretanto, destacou que essas iniciativas foram conduzidas predominantemente por contas reais de usuários brasileiros. “As Operadoras do X identificaram atuação coordenada realizada predominantemente por contas autênticas de usuários brasileiros, o que não é vedado pela Política de Autenticidade do X nem pela legislação eleitoral”, informou a empresa.

O esclarecimento é relevante para a discussão judicial porque estabelece uma diferença entre a organização coletiva de usuários e a utilização de mecanismos fraudulentos para interferir artificialmente na circulação de conteúdos. Dessa forma, embora tenha identificado coordenação entre participantes, o X não apontou violação de suas regras ou da legislação eleitoral nas atividades examinadas.

Flávio Bolsonaro tenta restringir atuação do canal Os esclarecimentos foram solicitados por Kassio Nunes Marques no âmbito de uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A equipe do candidato sustenta que é necessário verificar se o funcionamento do Exército do Lula desrespeita compromissos assumidos pelas plataformas digitais com a Justiça Eleitoral. O questionamento envolve o plano de conformidade firmado entre a Meta e o TSE, instrumento que estabelece medidas destinadas a combater a desinformação e prevenir práticas capazes de comprometer a igualdade de condições na disputa eleitoral.

Na quinta-feira (22), Nunes Marques concedeu prazo de 24 horas para que a Meta apresentasse relatórios sobre o canal. O ministro também solicitou informações ao Google e ao X sobre possíveis publicações sincronizadas, alcance das mensagens e eventuais tentativas de contornar mecanismos de fiscalização das plataformas.

De acordo com a reportagem, o presidente do TSE havia sinalizado a interlocutores a possibilidade de determinar uma nova suspensão do canal, dependendo das conclusões técnicas apresentadas pelas empresas. As manifestações recebidas nesta sexta-feira, porém, não apontaram as irregularidades investigadas.

Isso enfraquece os argumentos técnicos para uma eventual restrição, embora a decisão final sobre o funcionamento do canal continue sob responsabilidade da Justiça Eleitoral. Exército do Lula se consolida como instrumento de mobilização no segundo turno

Criado pelo deputado André Janones, o Exército do Lula tornou-se uma das principais ferramentas de comunicação e mobilização digital da campanha do presidente na reta final da eleição presidencial. Com mais de 10 milhões de seguidores, o canal permite disseminar conteúdos políticos e estimular a participação de apoiadores em ações coordenadas nas redes sociais, ampliando a circulação de mensagens favoráveis à candidatura petista.

O crescimento da iniciativa transformou a mobilização digital em um ponto de disputa entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, especialmente diante da importância das plataformas para a comunicação política no segundo turno. As respostas das três empresas estabelecem, até o momento, um dado central para essa controvérsia: a atuação coordenada de usuários reais não constitui automaticamente uma irregularidade, e as análises técnicas encaminhadas ao TSE não identificaram violações nas atividades examinadas.

O tribunal ainda deverá avaliar os esclarecimentos apresentados pelas plataformas antes de decidir sobre eventuais medidas relacionadas ao canal. Até lá, os relatórios representam um resultado favorável à manutenção do Exército do Lula como instrumento de mobilização política na disputa presidencial.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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