A empresa de tecnologia Meta começou a ser julgada nos Estados Unidos nesta semana por contribuir para uma crise de saúde mental entre crianças e adolescentes.
Proprietária do Facebook, do Instagram e do WhastApp, a big tech é acusada de projetar em suas plataformas – de forma consciente e deliberada – recursos que viciam os jovens.
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Ainda, há alegações de que a empresa coleta rotineiramente dados de crianças menores de 13 anos sem consentimento dos pais, violando a lei federal.
Embora 29 estados tenham entrado com a ação judicial federal há três anos, o julgamento tem quatro deles como autores: Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey.
Em entrevista a Fernando Andrade no Estúdio CBN, o antropólogo da Tecnologia e professor da Universidade da Virgínia, David Nemer, explica que a acusação diz que a Meta não teria apenas criado produtos que eventualmente teriam efeitos colaterais, mas sim “desenhado e monetizado plataformas que explorariam vulnerabilidades psicológicas”.
“Os Estados Unidos têm uma tradição do litígio de sempre proteger muito a criança e o adolescente.
(Os estados) alegam que a Meta sabia que determinados elementos dos produtos poderiam causar danos e mesmo assim os projetou e manteve para maximizar a sua receita e o seu engajamento”.
Mark Zuckerberg no Tribunal Superior de Los Angeles em depoimento de fevereiro durante julgamento da Meta.
WALLY SKALIJ / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP
Segundo o antropólogo, uma das acusações diz respeito ao design “exploratório potencialmente viciante”, com funcionalidades que produzem engajamento compulsivo através da “rolagem infinita”, do autoplay e de notificações persistentes, que levam os jovens de volta à plataforma ao saírem.
Ainda nela, há alegações quanto a uma “métrica da vaidade” e sobre os algoritmos determinarem o conteúdo apresentado ao usuário.
Já a segunda acusação afirma que a Meta possuía pesquisas internas associando o Instagram à depressão e ansiedade.
Conscientemente, a big tech teria projetado algoritmos e ferramentas que causassem o vício nos jovens.
“Por isso que está sendo comparado muito ao (vício em) cigarro, que vira uma questão de saúde pública.
(...) E isso é uma das coisas que esse julgamento tenta mostrar, do quão danoso essas redes são para quem não ainda está (com o cérebro) 100% formado, que seriam as crianças e os adolescentes”, diz.
“(Os estados) constatam também que há diversas violações nas leis de proteção à privacidade da criança, coisa que, pelo menos no Brasil, a gente está um pouco mais resguardado desde a aprovação do ECA Digital”, completa.
As indenizações financeiras pedidas pelos estados podem chegar a US$ 200 bilhões,o que corresponde a pouco mais de 14% do valor total de mercado da empresa, de US$ 1,39 trilhão, na última terça-feira (18).
O que pode acontecer com outras big techs?
Nemer explica que a Meta está sendo julgada por ser a maior empresa de tecnologia no mundo atualmente, especialmente quando são mencionadas plataformas de uso diário.
Porém, isso não quer dizer que outras empresas, como TikTok, Google e Discord, atuem de maneira diferente – pelo contrário.
“A importância de um julgamento como esse é que, novamente, vai criar um precedente para que ou as outras (empresas) se alinhem e se portem de forma ‘mais decente’, ou cairão no mesmo tipo de julgamento.
Ouça a entrevista completa:
