Mestre de capoeira sofreu atentado em bloco de carnaval uma semana antes de ser morto a tiros em Niterói, diz família
O mestre de capoeira Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Paulinho Sabiá, de 65 anos, que foi assassinado a tiros, na noite desta quarta-feira, no bairro de Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, já havia sofrido um atentado na semana passada. Segundo Adriana Bossobom, irmã do capoeirista, a tentativa de ataque aconteceu quando a vítima estava num bloco de carnaval, na altura de Icaraí.
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Segundo parentes, um homem em uma moto teria tentado disparar um tiro contra Paulinho. A arma, no entanto, teria falhado. Um dos fundadores da capoeira no Brasil, ele teria achado tratar-se de uma brincadeira, mas acabou registrando o ocorrido em uma delegacia.
— A namorada dele contou que, na semana passada, eles estavam caminhando quando ela teve a impressão de ter ouvido uma arma falhar. Como era carnaval, achou que pudesse ser brincadeira porque tinha muita gente. Mas, depois, viram uma pessoa subir numa motocicleta. E registraram o caso na delegacia. Infelizmente, a gente não conseguiu evitar que o pior acontecesse — explicou a irmã do capoeirista.
Morte a tiros
Paulinho foi morto a tiros na noite de quarta-feira de cinzas. Ele estava no banco do carona de um carro dirigido por sua namorada quando ocupantes de uma moto pararam a seu lado e o homem que estava na garupa atirou. A mulher não se feriu.
O crime foi no cruzamento das ruas Sete de Setembro e Lemos Cunha, um dos mais movimentados de Icaraí, por volta das 22h. De acordo com o relato de testemunhas a policiais que estiveram no local do crime, os bandidos agiram de forma rápida e abriram fogo apenas no capoeirista — que teria levado três tiros — como alvo, o que, segundo a polícia, reforça a suspeita de execução.
A irmã de Sabiá disse que a vítima era uma pessoa sem inimigos e muito querida por todos. Ela afirmou não saber o que pode ter motivado o assassinato.
— Meu irmão não tinha inimigos. Nada que a gente soubesse. Era incapaz de fazer qualquer mal a alguém. Nos anos 80, quando a capoeira era uma coisa até um pouco agressiva, ele participou de um movimento para pacificar isso. A gente está muito perdido. Não sabemos quem pode ter feito isso com ele. O crime foi uma brutalidade — lamentou Adriana.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). De acordo com a Polícia Civil, a perícia no local do crime foi feita. As equipes fazem diligências para apurar a autoria do crime.
Sabiá começou sua jornada no mundo da capoeira nas ruas de Niterói. Ele se formou no tradicional Grupo Senzala. Foi discípulo de José Tadeu Carneiro Cardoso, o mestre Camisa e, em 1989, fundou o Grupo Capoeira Brasil ao lado do ator e capoeirista Beto Simas, o mestre Boneco, e de mestre Paulão Ceará. Ao longo dos anos, a organização que se tornou uma das maiores do mundo e atua em dezenas de países.
A morte do capoeirista gerou repercussão nas redes sociais. O perfil Grito Marcial postou: "Hoje a capoeira está de luto. No despedimos de Mestre Paulinho Sabiá, um dos grandes pilares da capoeira no Rio de Janeiro e no Brasil (...). Mestre Paulinho ajudou a estruturar um trabalhou que ultrapassou fronteiras, formando milhares de alunos, mestres e contramestres, levando a cultura brasileira para diversos países e consolidando a capoeira como instrumento de transformação social".
