Mestre Ciça diz que cumprirá promessa de parar de fumar com Viradouro campeã: 'Não é fácil, mas vou!'

 

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Campeão do Carnaval carioca de 2026, Mestre Ciça, de 69 anos, fez uma promessa antes de a Viradouro entrar na Avenida: se a escola conquistasse o título, ele pararia de fumar. Após o resultado, em entrevista a O Globo, o mestre falou da emoção da vitória e garantiu que vai cumprir a promessa.

— Vou cumprir. Não é fácil. É difícil, mas vou conseguir — disse o já vencedor.

Ciça foi aplaudido de pé por integrantes das escolas adversárias, após a Viradouro sagrar-se campeã na Cidade do Samba.

— Esse choro aqui é de alegria, sabe por quê? Venceu o sambista, venceu o carnaval — disse ele, interrompido por amigos que cantavam o samba campeão. — É um choro de alegria porque é o carnaval de um sambista. E estamos no maior carnaval do mundo!

Ciça construiu uma carreira que atravessa cinco décadas de avenida, de passista na Unidos de São Carlos, em 1971, a comandante de ritmistas em algumas das principais escolas do Rio. Neste ano, ele viveu um feito raro: ser o enredo da Unidos do Viradouro — vencedora do Estandarte de Ouro como melhor escola — e, ao mesmo tempo, o responsável por conduzir a bateria da própria homenagem na Sapucaí. Ciça também foi eleito Personalidade do Ano pelo Estandarte, que é uma realização dos jornais O GLOBO e Extra e chega à 54ª edição.

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Considerado o mestre de bateria mais longevo em atividade — na função há cerca de 40 anos —, Ciça, que já foi mecânico de automóveis, ingressou no carnaval carioca como passista, em 1971, para depois tornar-se ritmista na São Carlos, onde tocou agogô de duas bocas. Após o primeiro casamento, em 1977, fez uma pausa na folia a pedido da então esposa, que não se conformava em ter de passar as madrugadas longe do marido. Não suportou a distância de sua outra paixão e acabou voltando para o samba em 1986, já na Estácio e ainda como ritmista.

Dois anos depois foi convidado para virar mestre de bateria. Estreou no novo posto no desfile seguinte, cujo enredo era “Um, dois, feijão com arroz”. Em 1992, a escola foi campeã, com “Pauliceia Desvairada”.

A escolha de transformar o mestre em tema não foi apenas afetiva. A Viradouro levou para a avenida uma narrativa que celebra a trajetória de Ciça como símbolo de disciplina, liderança e resistência do samba. O desfile percorre sua história desde o início na Estácio, berço onde cresceu, passando pelas passagens por União da Ilha do Governador, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos da Tijuca, até os títulos conquistados — incluindo os campeonatos da própria Viradouro, em 2020 e 2024.

Registro do ensaio técnico, domingo passado (1º): Mestre Ciça e a rainha de bateria, Juliana Paes

Divulgação/Renata Xavier