Messias diz que vai conversar com senadores em busca de votos ao STF após Lula confirmar envio de indicação: 'Momento de entendimento'

 

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O chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta terça-feira que retomará o diálogo com senadores após o Palácio do Planalto confirmar que enviará ainda nesta terça-feira o nome do ministro ao Senado para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A oficialização ocorre quatro meses depois de o presidente Lula anunciar o nome do ministro para a vaga na Corte, no lugar de Luís Roberto Barroso. O petista informou a decisão aos ministros de seu governo durante reunião nesta manhã. Segundo relatos, ele também cobrou empenho do próprio Messias, além de ter pedido que demais auxiliares trabalhassem pela aprovação do nome do chefe da AGU.

Em nota divulgada à imprensa nesta tarde, Messias diz que dará continuidade à sua jornada no Senado “com humildade e fé”. “Buscarei novamente o diálogo com todos os senadores e senadoras, pois este é um momento que exige entendimento”, diz.

Pelos cálculos de apoiadores do ministro, ele já conversou com 75 dos 81 senadores desde que seu nome foi anunciado pelo petista. E agora deverá intensificar esse diálogo. Ainda na nota, Messias diz que continuará seu “empenho pela pacificação e estabilidade”. “Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”, afirma.

Lula anunciou o nome de Messias para a vaga na Corte em 20 de novembro, contrariando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e a cúpula da Casa, que apostavam no nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De lá para cá, houve um distanciamento de Alcolumbre com o Palácio do Planalto e críticas públicas do parlamentar com o governo federal —o senador foi um dos principais pontos de governabilidade do Executivo no Congresso neste Lula 3.

O presidente do Senado chegou a marcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em 10 de dezembro, prazo considerado apertado para governistas. Diante dessa resistência e de um cenário desfavorável para o chefe da AGU, o Planalto segurou o envio da mensagem presidencial formal como estratégia para ganhar tempo. Agora, com o envio da mensagem, é esperado que o rito regimental seja destravado.

Ainda não há clareza, no entanto, de quando essa sabatina será marcada. Alcolumbre já havia indicado a integrantes do governo que deixaria esse processo para acontecer somente após as eleições, em outubro. Aliados do senador, no entanto, dizem que há espaço para que isso seja revisto e que Alcolumbre não rompeu completamente com o Planalto. Um interlocutor frequente do senador afirma que o governo preciso buscar um diálogo franco com Alcolumbre.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou em entrevista à GloboNews nesta tarde que acredita que Lula deve ter comunicado a decisão do envio da mensagem a Alcolumbre.

—O presidente conversa com frequência com os dois presidentes, da Câmara e do Senado. Acredito, sim, que nessas conversas recentes com Alcolumbre ele tenha reafirmado o envio do nome do Messias. O presidente não me relatou isso, mas como ele fala com frequência com Alcolumbre ele deve ter informado a ele que o nome seria enviado— disse Rui Costa.