Messias agradece senadores aliados, após críticas de atuação da base e acusações de traições em derrota ao STF
O chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, agradeceu aos senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, após críticas da atuação da base e acusações de traições na base governista na votação que rejeitou a indicação do ministro a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira, Messias chamou os dois senadores de “amigos” e agradeceu “profundamente” a atuação deles e por terem lhe apoiado “incondicionalmente ao longo deste processo”.
"Jesus Cristo nos ensinou o valor da gratidão. Agradeço profundamente aos meus amigos @jaqueswagner e @ottoalencar, e aos 32 senadores que me apoiaram incondicionalmente ao longo deste processo. Que Deus os abençoe grandemente e multiplique em bênçãos todo o carinho dedicado a mim", escreveu Messias.
A derrota de Messias no plenário do Senado foi orquestrada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que ficou contrariado com a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União e passou a trabalhar contra o ministro. O presidente do Senado nega ter trabalhado contra.
Na avaliação do Palácio do Planalto, a articulação pela derrota também teve traições de aliados, identificados por governistas como integrantes do MDB, do PP e do PSD, além de suspeitas da atuação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), candidato favorito de Alcolumbre.
O posicionamento de Messias nesta sexta ocorre após governistas passarem a acusar parlamentares da base aliada de terem traído o Palácio do Planalto e votado contra o ministro na votação no Senado. Otto é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde Messias foi sabatinado, e exerce influência na bancada do PSD.
No caso de Wagner, além das críticas à atuação da articulação política do senador --que tinha, à tarde, afirmado ao presidente da República que a situação estava favorável-- gerou contrariedade entre governistas o comportamento dele no momento da votação em plenário.
Eles criticaram o tom amigável do líder do governo com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula nas eleições, no plenário momentos antes do placar da votação ser revelado, e o abraço que ele deu em Alcolumbre após a derrota ter sido sacramentada.
Em uma derrota histórica para o governo, a indicação foi reprovada pelos senadores na quarta-feira por 42 votos a 34. Segundo a colunista do GLOBO Malu Gaspar, Messias avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que cogita deixar o comando da AGU após a rejeição.
Na quinta, o ministro também foi às redes sociais agradecer o apoio que recebeu dos ministros do STF André Mendonça e Gilmar Mendes.
