Messi diz que dinheiro dos argentinos

Messi diz que dinheiro dos argentinos 'não chega ao fim do mês', e Milei responde: 'totalmente verdade'

Fonte: Bandeira



Usando seu Escritório de Resposta Oficial (Opra), o governo argentino respondeu às declarações do capitão da seleção de futebol do país, Lionel Messi, sobre pessoas em dificuldade econômica na Argentina para quem o dinheiro "não chega no fim do mês".

O presidente Javier Milei compartilhou a declaração em sua conta nas redes sociais.

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Messi havia feito o comentário após a vitória na semifinal contra a Inglaterra, em entrevista ao site TyC Sports.

— Estamos orgulhosos e felizes por poder dar essa alegria ao povo.

Sabemos que as Copas do Mundo são especiais para nós e nos esquecemos de todas as coisas ruins pelas quais temos que passar, que existem pessoas que estão tendo dificuldades, que não têm emprego, que não conseguem chegar ao fim do mês ou que estão constantemente lutando; em nossa vida, é o que sempre nos tocou — disse o atacante.

Messi afirmou que espera ter dado um alento para argentinos nesta situação.

— Ao poder dar a eles esse tipo de alegria de estar em uma final de Copa do Mundo mais uma vez, chegando a duas finais consecutivas, conquistamos algo incrível — afirmou.

— Fomos os melhores nos últimos quatro anos e provamos mais uma vez que ninguém nos deu nada de graça e que tudo o que conquistamos foi em campo.

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Os comentários do capitão foram amplamente repercutidos, especialmente por aqueles que criticam o governo de Milei.

Para rebater essas vozes dissidentes, o governo publicou uma postagem na rede X através do Opra criticando o trabalho de um jornalista e, ao fazê-lo, aproveitou a oportunidade para comentar as declarações de Messi.

"Em relação às palavras do melhor jogador de futebol da História, Lionel Messi, de que há pessoas que estão passando por momentos difíceis, isso é totalmente verdade", afirmou o governo.

A gestão Milei atribuiu a culpa, porém, aos governos anteriores de Néstor e Cristina Kirchner.

"Duas décadas de declínio kirchnerista não podem ser apagadas em 24 meses", comentaram, justificando a declaração do capitão.

"Sim, tivemos dois anos de reformas profundas, e o país está infinitamente melhor do que há dois anos, quando havia 60% de pobreza, 20% de extrema pobreza, inflação anual de 15.000%, salários de miséria e uma moeda que se desvalorizava a cada dia...

mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Ninguém prometeu que seria fácil.

O caminho é muito árduo, mas é o que fará a Argentina grande novamente", afirmou o comunicado do palácio presidencial.

Polêmica sobre as Malvinas

Tratando de outro assunto, no dia seguinte à vitória da Argentina contra a Inglaterra, o Opra falou sobre o comentário de Milei em referência à faixa que os jogadores desfraldaram com a mensagem "As Malvinas são argentinas", um protesto pelo arquipélago disputado em guerra com o Reino Unido na década de 1980.

— A questão é quem comete o erro.

Do ponto de vista da responsabilidade, certos erros são inadmissíveis e podem ter consequências muito negativas — disse o presidente na ocasião.

A declaração vinha sendo interpretada como uma crítica de Milei aos jogadores.

(Milei é admirador da política econômica liberal da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que governava o Reino Unido durante o conflito pelas Malvinas.)

Em seguida, o governo procurou explicar que Milei, naquele trecho de seu texto, não se referia aos jogadores, mas sim "àqueles que ocupam cargos públicos, os funcionários e autoridades políticas que falam em nome do Estado argentino e cujas declarações geram conflitos diplomáticos que posteriormente dificultam as negociações que afetam o futuro de todo o país".

Em outras palavras, a nota sugeria que a crítica era dirigida à vice-presidente Victoria Villarruel, que classificou os britânicos como "piratas usurpadores" e "invasores".

"A referência era dirigida àquelas pessoas que detêm responsabilidade institucional e era inequívoca para qualquer pessoa que ouvisse a entrevista completa, em vez de trechos maliciosos", afirmou o OPRA, concluindo: "Os jogadores da seleção argentina são cidadãos que defendem uma causa legítima e têm todo o direito de fazê-lo.

Nenhum deles ocupa cargo público, nem suas declarações comprometem a posição do Estado".

O governo criou o Opra em fevereiro com o objetivo de refutar jornalistas e rebater reportagens na imprensa.

O escritório é chefiado por Juan Pablo Carreira, apelidado de Juan Doe, ligado ao assessor presidencial Santiago Caputo.

O Opra foi concebido pelo ex-chefe de gabinete Manuel Adorni, atualmente sob investigação por enriquecimento ilícito.

Carreira construiu um perfil de grande impacto, com mais de 202 mil seguidores no X, baseado na defesa ferrenha da linha do governo, com ataques diretos e ofensas a líderes da oposição, jornalistas e analistas críticos a Milei.