Mesmo sob onda de frio histórica, oeste dos EUA tem inverno sem neve e coloca temporada de esqui em risco

 

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As temporadas de esqui em boa parte do oeste dos Estados Unidos estão sob risco neste inverno devido à falta de neve para a época do ano. Estados como Oregon, Colorado e Arizona registram volumes muito abaixo da média histórica, consequência direta de temperaturas recordes, que têm impedido a formação de uma base adequada nas montanhas.

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No início do mês passado, o governo federal dos EUA identificou seis estados do oeste — entre eles Novo México, Utah e Washington — em situação de severa “seca de neve”. O monitoramento é considerado estratégico porque a acumulação de neve no inverno garante reservas hídricas na primavera e no verão, quando o degelo alimenta rios e reservatórios. A ausência desse estoque natural aumenta o risco de secas prolongadas em uma região já vulnerável.

Pistas verdes onde deveria haver branco

Os efeitos mais imediatos são sentidos nas estações de esqui. Segundo a imprensa local, no Oregon, o resort Skibowl, no Monte Hood, anunciou no domingo a suspensão das atividades até que haja novas nevascas. Outras estâncias da mesma montanha, principal opção de esportes de inverno para moradores de Portland, operam com limitações. No Mount Hood Meadows, apenas sete dos 11 teleféricos estavam previstos para funcionar nesta semana, enquanto o boletim diário de neve reconheceu que as “condições primaveris” passaram a definir o fim antecipado da temporada.

Em Timberline, também no Monte Hood, cinco dos nove teleféricos abriram com uma base de neve de 101,6 centímetros — cerca de 152 centímetros abaixo da média histórica. Mais ao sul, no Willamette Pass, apenas uma pista segue aberta, atendida por dois teleféricos; as outras 29 foram fechadas. Já o Monte Ashland suspendeu suas operações por tempo indeterminado devido à escassez de neve acumulada.

O cenário se repete em outras regiões do oeste. A Vail Resorts, maior empresa de esqui do mundo, informou que apenas 11% de suas pistas nas Montanhas Rochosas estavam abertas em dezembro e que a neve acumulada em novembro e dezembro foi 50% menor do que o normal. Em comunicado divulgado em 15 de janeiro, o CEO da companhia, Rob Katz, afirmou que o oeste dos EUA enfrenta “uma das piores nevascas de início de temporada em mais de 30 anos”, com impacto direto na visitação e nos gastos turísticos.

Utah apresenta um quadro um pouco menos crítico. Estações em altitudes elevadas, como Snowbird, conseguiram abrir quase todas as pistas. Já as áreas mais baixas dependem de canhões de neve ao longo de todo o inverno, algo que normalmente ocorre apenas no começo da temporada. “A neve artificial tem partículas menores e é mais gelada, e esquiar nela não é a mesma coisa”, disse McKenzie Skiles, diretora do Laboratório de Pesquisa e Operações em Hidrologia da Neve da Universidade de Utah, em entrevista recente ao The New York Times.

Enquanto o oeste enfrenta dificuldades, a Costa Leste vive um contraste marcante. Múltiplas tempestades e temperaturas persistentemente baixas garantiram uma das melhores temporadas em décadas. No norte de Vermont, estações como Jay Peak, Killington e Stowe registram bases superiores a 380 centímetros. Para efeito de comparação, Jay Peak acumulou até agora mais neve do que o Alyeska Resort, no Alasca, conhecido por índices elevados de precipitação.

A inversão de papéis surpreende esquiadores, já que a Costa Oeste sempre foi associada a pistas longas, menor lotação e neve fofa. Segundo Michael Downey, coordenador do programa de seca do estado de Montana, a melhor alternativa neste momento são as Montanhas Rochosas do Norte. “Montana e o oeste do Wyoming são os únicos em situação razoável. Em altitudes acima de 1.800 metros, a camada de neve está ótima; em níveis médios e baixos, a situação está pior do que nunca”, afirmou ao The New York Times.