Mesmo com suspensão do tarifaço, setor de móveis avalia que EUA mantém ambiente comercial protecionista
O setor de móveis avalia que mesmo com a retirada da sobretaxa de 40% por decisão da Suprema Corte, os Estados Unidos ainda mantém um ambiente comercial bastante protecionista, já que o governo Trump deverá buscar novas bases jurídicas para sobretaxar produtos, incluindo os brasileiros. Apesar do otimismo do governo brasileiro com o novo cenário tarifário — uma tarifa de 10% entrou em vigor nesta terça-feira — o setor adota a cautela.
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As empresas moveleiras aguardam maior clareza regulatória sobre o enquadramento de seus produtos e também o resultado da investigação sobre as práticas ilegais de comércio do Brasil com os EUA, que estão sendo investigadas no âmbito da seção 301, o que pode permitir nova taxação no futuro. As vendas do setor para o mercado americano caíram 25% no ano passado.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), que representa o setor, o impacto econômico até agora foi de até US$ 90 milhões. Segundo a entidade, esse prejuízo veio com cancelamentos de pedidos, renegociações comerciais e aumento de estoques. Em alguns meses, as retrações nas vendas chegaram a 28% na comparação anual.
30% das negociações em compasso de espera
Esse cenário, diz a Abimóvel, levou empresas a adotarem ajustes operacionais relevantes, com suspensão temporária de turnos nas companhias mais dependentes do mercado americano. Parte das empresas também passou a adotar postura mais conservadora nas negociações comerciais. Estima-se que cerca de 30% das negociações com compradores americanos estejam em compasso de espera.
"Nesse contexto, a entidade, juntamente com seus representantes legais, acompanhará a agenda da visita presidencial e as discussões bilaterais previstas para março nos Estados Unidos, em articulação com o governo brasileiro, contribuindo para o diálogo em torno da previsibilidade regulatória, da segurança jurídica e da avaliação das medidas que impactam a competitividade das exportações de móveis", diz a Abimóvel.
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Já a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avalia que a decisão da Suprema Corte restabelece condições mais previsíveis ao comércio bilateral e reduz, no curto prazo, as tensões geradas sobre as exportações brasileiras de produtos químicos.
"A medida judicial contribui para aliviar pressões sobre contratos, fluxos logísticos e planejamento produtivo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, especialmente em um setor caracterizado por forte integração produtiva e investimentos cruzados entre os dois países", diz a Abiquim em nota.
A Abiquim acompanha também como será o processo de devolução retroativa de valores pagos pelos importadores e se o governo Trump tomará outras medidas para recompor a arrecadação com novas tarifas.
Os Estados Unidos tem superávit de cerca de US$ 8 bilhões com o o Brasil no setor químico. Mais de 20 empresas químicas instaladas por aqui são de capital americano, o que mostra a integração entre as cadeias produtivas, diz a Abiquim. Há, inclusive, empresas associadas à entidade com plantas industriais que destinam cerca de 50% de sua produção ao mercado americano, fornecendo produtos que não são fabricados por lá.
