Mesmo com apoio do PT, Gleisi diz que governo não tem posição sobre CPI do Banco Master
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a dizer nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, que o governo não tem posição sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master, apesar da posição do PT de apoiar um requerimento para a instalação de uma CPI sobre o caso. A instituição financeira, liquidada pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado e controlada por Daniel Vorcaro, está sob investigação sobre supostas fraudes e crimes contra o sistema financeiro.
A jornalistas, Gleisi reforçou o discurso de que o governo Lula não está preocupado com uma CPI e que não tem posição sobre o tema.
— O governo não tem posição sobre CPIs ou CPMIs. Isso é da natureza da função do Congresso Nacional, que é legítimo para instalar ou não. O governo vai enfrentar a situação que vier — disse ao GLOBO. A declaração foi dada após reunião da ministra com lideranças do PT na Câmara.
Mais cedo, o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), que passou o cargo nesta terça ao deputado Pedro Uczai (SC), defendeu a instalação da CPI sobre o Master.
— Nós vamos assinar a CPI da Câmara, do (Rodrigo) Rollemberg (PSB-DF), e a CPMI da Heloísa Helena (PSOL-AL) e da Fernanda Melchionna (PSOL-RS) — afirmou Lindbergh horas antes.
Rollemberg anunciou no dia anterior ter protocolado um pedido de abertura de CPI na Câmara para investigar as fraudes financeiras supostamente praticadas pelo Banco Master. Na ocasião, o parlamentar afirmou que o pedido já conta com 201 assinaturas e que o escopo da Comissão também envolveria a compra pelo Banco de Brasília (BRB), de carteiras de crédito do Master que eram inexistentes.
A ministra também voltou a dizer que o governo Lula tem apurado as irregularidades do caso Master.
— O Master nós estamos enfrentando como deve ser enfrentado. É um caso de fiscalização do Banco Central e de apuração da Polícia Federal. É bom dizer que Vorcaro foi preso durante a presidência do BC de indicação do presidente Lula e sob a gestão do ministro Ricardo Lewandowski — afirmou Gleisi.
