Mesa carioca sai enfraquecida no novo Guia Michelin 2026
Na festa de premiação do Guia Michelin Rio e São Paulo, a mesa carioca teve pouco, quase nada, para erguer as taças e brindar, além do fato de servir de palco para o encontro. A cidade segue com as suas duas estrelas Michelin, do Lasai e Oro, que foram confirmadas numa noite de auditório lotado, mas que consagrou especialmente a gastronomia paulista. Teve até as bissextas três estrelas do guia, que foram concedidas em dose dupla para os restaurantes Tuju, de Ivan Ralston e o Evvai, de Luiz Felipe Souza. E, assim, a dupla paulista colocou as três reluzentes estrelas Michelin no mapa da gastronomia brasileira. O Brasil passa a ser o único de toda a América Latina a ostentar a cotação máxima Michelin. Que conquista espetacular.
Inédito: Ivan Ralston, do Tuju e Luiz Felipe Souza, do Evvai levam a terceira estrela. Chefs do Rio subiram pouco ao palco
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Já a gastronomia carioca sai enfraquecida na versão 2026, com raros momentos de alegria e de reconhecimento. Subimos pouco ao palco e fechamos a noite com poucos ganhos. Na categoria duas estrelas, que já contávamos com o Oro e o Lasai, que mantiveram a cotação ( ufa, porque perdemos uma do Oteque no ano passado) ganhamos o reforço de Claude Troisgros e Jessica Trindade, que faturaram a primeira estrela para o Madame Olympe. Foi dos raros momentos de alegria. São seis agora o numero de restaurantes com uma estrela no Rio : Oseille, San Omakase, Oteque, Madame Olympe e Mee. Cipriani, em obras de reforma, não aparece na lista oficial.
Outro momento de comoção: conquistamos o prêmio de melhor serviço. Isso é espetacular para uma cidade que há anos corre atrás de eficiência pelos salões. O mérito foi do veterano Raphael Zanon, do Casa 201, restaurante do chef João Paulo Frankenfeld, que segue com a sua estrela. Outro ganho do Rio: o melhor jovem chef entre São Paulo e Rio foi parar nas mãos do carioca Pedro Corona, do Koral, que ainda levou um Bib para a casa de Ipanema. A festa foi dele.
Melhor serviço foi para o veterano Raphael Zanon, do Casa 201. Premiação peso para o Rio
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Pedro Corona: ganhou Bib Gourmand e foi eleito o melhor jovem chef pelo Guia
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Mas Michelin, sabemos, não são só as suas estrelas. O Guia inclui outras categorias importantes. Como o Bib Gourmand, que sinaliza para os restaurantes de bom custo-benefício. E mais a categoria dos Recomendados, casas (supostamente) novas descobertas e indicadas pelos inspetores. E quem não quer aparecer recomendado no Guia Michelin? O site oficial do Guia 2026 anuncia "que os inspetores encontraram sete novidades entre Rio e São Paulo". Beleza.
Vamos à elas. Das sete novidades, São Paulo ficou com cinco delas; restaram duas para o Rio: Sushi Vaz, japinha muito bom, mas de matriz paulista. E o Yayá, da chef Andressa Cabral, que recomendo com entusiasmo, mas que abriu em 2021. Duas "descobertas" dos inspetores numa cidade que só a Zona Sul tem mais de 1600 restaurantes. Sem esforço algum, recomendaria dez de olhos fechados. E puxados também, porque da leva paulista recomendada, dois são orientais. Por aqui, também temos o Mitsubá, o Nao Hara, a expansão do Haru, o Mono do Marcel Nagayma...
O Bib Gourmand sinaliza para casas com bom custo-benefício, comer bem por cifras camaradas. O Rio pode ser bom nisso, só saber procurar. Já temos 38 restaurantes sinalizadas pelo bonequinho em edições Michelin anteriores. No Guia 2026 entraram14 Bibs novos, só que apenas um do Rio, o Koral, do Pedro Korona. Seguem sugestões para o próximo: Toto, Lilia, Francese, Polvo, tenho bem mais.
Essa edição do Guia Michelin 2026 - num recorte bastante carioca (e que fique bem claro isso) - é como nos versos do Lula Santos: "não vou dizer que foi ruim, também não foi tão bom assim...". . No próximo, torcer para os inspetores circularem e explorarem melhor a mesa carioca.
