Mês da masturbação: entenda os benefícios e quando o hábito vira alerta
Celebrada em maio, Mês Internacional da Masturbação, a prática ainda é cercada por tabus e constrangimentos, apesar de a ciência já ter derrubado mitos antigos que a associavam à cegueira, infertilidade ou doenças graves. Atualmente, especialistas apontam que, além do prazer e do autoconhecimento, a masturbação pode trazer benefícios para a saúde sexual e genital quando vivida de forma equilibrada.
O chamado "Mês da Masturbação" surgiu em 1995, nos Estados Unidos, após uma iniciativa de uma loja de brinquedos sexuais da Califórnia. A campanha foi criada como forma de defender a educação sexual e protestar contra a repercussão envolvendo a médica Joycelyn Elders. Em 1994, ela foi demitida e presa após afirmar, durante um debate sobre saúde pública, que a masturbação deveria ser abordada nas escolas como parte da educação sexual, como ferramenta de prevenção à gravidez precoce e às infecções sexualmente transmissíveis.
Prática fortalece a saúde
Um estudo conduzido por pesquisadores da University College London e publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B sugere que a masturbação pode contribuir para a saúde genital masculina. A equipe analisou registros históricos e comportamentais de primatas, reunindo centenas de publicações científicas, questionários e observações feitas por primatologistas e tratadores de zoológicos.
Os cientistas encontraram “fortes evidências de coevolução entre a masturbação e a presença de patógenos em machos”. A hipótese levantada pelos pesquisadores é que a ejaculação ajudaria a eliminar microrganismos potencialmente nocivos do trato genital, funcionando como uma espécie de mecanismo natural de limpeza.
Outra teoria apontada pelo estudo é a de que a prática ajudaria a eliminar espermatozoides envelhecidos, favorecendo a renovação do sêmen e aumentando as chances de fecundação.
Além disso, evidências científicas indicam que a masturbação é uma das formas mais seguras de explorar a sexualidade. O sexólogo clínico Laurent Marchal Bertrand, psicólogo formado pela Universidade Católica de Leuven e professor em diversas universidades colombianas, afirma que ela permite reconhecer o próprio corpo, descobrir as próprias zonas erógenas e compreender as próprias preferências.
Os estudos mostram benefícios associados, como a redução do estresse, melhora da qualidade do sono, da autoestima sexual e até na prevenção de certas disfunções.
Nos homens, alguns estudos sugerem que a masturbação pode ajudar a reduzir o risco de disfunção erétil na idade adulta. Enquanto nas mulheres, pode promover a lubrificação e a resposta erótica — muito útil após a menopausa.
Com que frequência é considerado normal?
Segundo a Bertrand, a masturbação só se torna um problema quando passa a interferir nos relacionamentos, no trabalho ou na vida social.
Idade, gênero e circunstâncias pessoais influenciam a regularidade da masturbação. Estudos internacionais mostram que adolescentes e jovens adultos tendem a praticá-la com mais frequência, enquanto adultos mais velhos tendem a manter o hábito com menor intensidade.
As diferenças entre homens e mulheres também são claras. Um estudo de 2022 na Noruega descobriu que a maioria dos homens praticava o ato sexual de duas a três vezes por semana, enquanto a maioria das mulheres praticava de duas a três vezes por mês.
Ter ou não um parceiro também marca um contraste: em alguns casos, a masturbação complementa uma vida sexual compartilhada; em outros, serve como uma forma de compensar a solteirice.
Somam-se a esses fatores o estado de saúde, o nível de estresse e o bem-estar emocional. Quando o corpo é submetido a estresse físico ou mental, o desejo pode aumentar ou diminuir, alterando a frequência sem necessariamente indicar um problema.
Sinais de masturbação compulsiva
Segundo o sexólogo e biomédico Vitor Mello, a compulsão se caracteriza pela perda de controle e pelas consequências negativas. Ela pode estar relacionada a fatores emocionais, psicológicos ou contextuais. Ansiedade, depressão, estresse crônico, histórico de traumas, solidão e uso excessivo de pornografia são algumas das causas mais comuns.
— Nesses casos, a masturbação funciona como um escape para lidar com emoções difíceis. Entretanto, quando se torna a principal fonte de prazer e alívio, pode piorar a autoestima e aumentar o isolamento social — alerta Mello.
Entre os principais sinais estão:
Reduzir ou abandonar atividades importantes para se masturbar.
Necessidade crescente de aumentar frequência ou intensidade para obter o mesmo nível de prazer.
Dificuldade para controlar o impulso, mesmo em situações públicas ou inadequadas.
Sentimentos de culpa, ansiedade ou tristeza após o ato.
Preferir a masturbação em vez de relações sexuais com parceiros.
Causas associadas
Impactos na saúde sexual
Embora o ato em si não cause danos físicos diretos na maioria das situações, o excesso pode provocar fadiga, irritações na pele, diminuição da sensibilidade e, em casos extremos, disfunções sexuais, como dificuldade para manter a ereção ou alcançar o orgasmo durante relações sexuais. Além disso, a dependência do estímulo individual pode afetar a intimidade e o desejo no relacionamento.
— O equilíbrio é fundamental. A masturbação pode favorecer o autoconhecimento e o controle da ansiedade, mas o excesso geralmente indica questões emocionais ou comportamentais subjacentes, como estresse, solidão ou compulsão sexual. Sem controle, esse hábito pode contribuir para disfunções eréteis, pois corpo e mente passam a responder melhor ao estímulo individual do que ao contato com o parceiro — destaca o especialista.
