Mercosul pode rever suspensão da Venezuela após novo cenário político, diz Alckmin

 

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O Mercosul deverá discutir o possível retorno da Venezuela ao bloco comercial sul-americano, à medida que os países se aproximam de Caracas após a expulsão de Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos em janeiro deste ano.

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O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o grupo poderia reavaliar a suspensão da Venezuela, visto que o país entra em um “momento diferente”, sinalizando uma possível mudança na dinâmica regional após anos de isolamento.

— A Venezuela aderiu ao Mercosul, foi suspensa e, à medida que entra em um novo momento, isso será rediscutido — disse Alckmin em Brasília.

O reengajamento da Venezuela com as instituições ocidentais ganhou impulso desde que Delcy Rodriguez tornou-se presidente interina e tomou medidas para reconstruir os laços com os EUA. O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse na semana passada que iria retomar contato formal, abrindo caminho para o eventual acesso a financiamento multilateral.

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Caracas também busca investimento estrangeiro em seus setores de energia e mineração com o apoio dos EUA, à medida que se intensificam as preocupações com o abastecimento global. Donald Trump tomou medidas para aliviar as sanções contra importantes entidades financeiras e concedeu novas licenças para que empresas petrolíferas americanas expandam suas operações no país.

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A Venezuela foi suspensa do Mercosul em 2017 por violar a cláusula democrática do bloco e por não cumprir seus compromissos econômicos. O retorno exigiria consenso entre os Estados-membros e uma reavaliação do cumprimento desses padrões.

O debate ocorre em um momento em que o Mercosul avança com uma reestruturação mais ampla, incluindo a implementação provisória do acordo comercial há muito adiado com a União Europeia em 1º de maio. O Brasil estima que o acordo poderá aumentar suas exportações para a UE em cerca de 13%.

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Alckmin, que também foi ministro da Indústria e Comércio do Brasil, destacou os esforços de expansão como parte da agenda estratégica do Mercosul. A Bolívia está adotando as regras legais e comerciais do bloco após ser aceita como país membro pleno em 2024, enquanto a Colômbia busca a adesão plena. Os membros fundadores do Mercosul são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

— É muito importante aprofundar a integração latino-americana — disse Alckmin, acrescentando que o comércio intrarregional representa menos de 30% do comércio total, em comparação com cerca de 50% na América do Norte, quase 60% na Europa e perto de 70% na Asean, do Sudeste Asiático.