Gleisi Hoffmann, ex-ministra e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, publicou nesta segunda-feira (2) que o mercado financeiro tem o "DNA do autoritarismo" após reações negativas às notícias de suposta reunião entre o economista André Lara Resende e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Afirmou que os agentes de mercado que atuam na avenida Faria Lima estavam torcendo e apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais. Ela defendeu que Lula não “cometerá estelionato eleitoral”, descumprindo suas promessas de campanha, ato que, segundo ela, é defendido por agentes financeiros da Faria Lima.
Disse ainda que o encontro com economistas não resulta, necessariamente, em acatar as ideias. A ex-presidente do PT reforçou que não havia encontro agendado, mas negou que houvesse um problema uma eventual reunião.
"Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la. Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas", disse a ex-ministra.
Gleisi voltou a dizer que Lula teve governos com política fiscal responsável, sendo o presidente que mais fez superávit primário. Ela ainda criticou o mercado financeiro por ter "ala associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC)", "turma das apostas no Polymarket" e "apostas tipo rouba-monte que levaram a perdas de bilhões na segunda após a eleição".
"Praticamente todos são bolsonaristas de carteirinha. Então, parece normal que o presidente Lula chame para conversar gente que não está tão comprometida com essa Faria Lima", declarou a ex-presidente do PT.
Gleisi havia elogiado no domingo (1º) um artigo de Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, em que ele criticou a política de juros do Banco Central (BC) e atribuiu à taxa básica parte do desequilíbrio fiscal. Um dos formuladores dos planos Cruzado e Real, Resende também questionou a prioridade dada às despesas primárias.
Para Lara Resende, o debate sobre ajuste fiscal se concentra nos gastos primários e ignora o peso dos juros, principal fator de pressão sobre a dívida. Em artigo publicado em setembro, o economista reconheceu que o país gasta mal e citou emendas parlamentares, privilégios do Judiciário, isenções fiscais e subsídios.
Sustentou, porém, que, excluído o serviço da dívida, as contas públicas estariam praticamente equilibradas e que o déficit primário seria pequeno em comparação internacional. Gleisi Hoffmann
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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