Mercado em pânico: petistas defendem que Lula ouça economista ligado ao confisco de Collor

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A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que o mercado financeiro tem “o DNA do autoritarismo”. A crítica veio depois da reação do mercado à notícia de que o presidente Lula pode receber o economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, para conversar sobre uma proposta de derrubar os juros.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Lula deveria se reunir com Lara Resende nesta semana, em Brasília. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a reunião no próprio domingo (1º) e disse nesta terça-feira (3) que a ideia tem “várias deficiências” e que “não há nada nesse sentido sobre a mesa”.

Lara Resende publicou a proposta em setembro, no texto “Eu Acuso”. Ele defende levar a Selic, hoje em 13,75%, para 7,5% em 12 meses e depois mantê-la entre 3% e 5,5% ao ano, com metas fixadas por um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional.

O mercado já vinha em queda desde a reeleição de Lula, em 25 de outubro. Na semana seguinte, o dólar subiu 9,15%, a maior alta semanal desde 2008, e o Ibovespa caiu 18,12%, a pior semana desde março de 2020.

Nesta terça, no primeiro pregão depois da notícia sobre Lara Resende, o dólar chegou a passar de R$ 5,50. Em 2014, quando Lara Resende assessorava a campanha de Marina Silva (PSB), o próprio site do PT publicou o texto “Conselheiro de Marina planejou o confisco da poupança por Collor”.

A ligação vem do relato do ex-presidente Fernando Collor. Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, na TV GGN, em 2020, Collor contou que, antes da posse, se reuniu com o ex-ministro Mário Henrique Simonsen, o banqueiro Daniel Dantas e Lara Resende.

Segundo Collor, Lara Resende disse que “essa questão da liquidez tem que dar um bloqueio nela”. Simonsen teria respondido que tecnicamente era a saída, mas politicamente inviável.

“Politicamente cabe a mim torná-la viável”, contou Collor. Na mesma entrevista, Collor afirmou que a ideia de bloquear o dinheiro estava na cabeça dos economistas dos principais candidatos de 1989, “inclusive do governo do PT, inclusive do Lula”.

Ele contou ainda que soube pela ministra Zélia Cardoso de Mello que Aloizio Mercadante, hoje presidente do BNDES, chamou o plano de “o programa dos nossos sonhos”. Lara Resende nunca teve cargo no governo Collor e não comentou a versão.

Perfis do mercado nas redes passaram a falar em “erdoganização”, uma referência à Turquia. Lá, o presidente Recep Tayyip Erdogan pressionou o Banco Central, que cortou os juros de 19% para 8,5% entre 2021 e 2023.

A lira despencou e a inflação passou de 85% em outubro de 2022. Mesmo com a negativa da Fazenda, petistas saíram em defesa da proposta.

Gleisi chamou o texto de Lara Resende de “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”. José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, também endossou a ideia.

Na segunda-feira (2), Gleisi escreveu que o mercado torceu por Flávio Bolsonaro e que nele há até uma “ala associada ao PCC”. Sobre o encontro, ela perguntou: “E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la.”

O Copom, do Banco Central, decide nesta quarta-feira (4) se mantém ou corta a Selic. Fonte: coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.

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