Mensagens entre Vorcaro e ex-presidente do BRB indicam pagamento de propina por meio de imóveis

 

Fonte:


Ao decretar a prisão preventiva do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que Costa atuava como um verdadeiro mandatário de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no âmbito do BRB e que, em contrapartida, receberia imóveis avaliados em aproximadamente R$ 150 milhões. Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, outro operador de Vorcaro, segundo a PF, foram alvos hoje da quarta fase da Operação Compliance Zero.

Mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro revelam que os dois combinaram o pagamento de propina ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição de imóveis de alto padrão em São Paulo e também em Brasília.

Para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela REAG, bem como empresas de fachada, num esquema organizado por Daniel Monteiro. A Polícia Federal traz ainda trocas de mensagens entre Vorcaro e Costa, deixando claro a proximidade entre os dois.

Eles se tratam como amigos. O ex-presidente do Banco de Brasília chega a mencionar que o governador havia lhe pedido um material de argumentação para enfrentar críticas sobre uma operação entre o Master e o BRB. Já Vorcaro envia uma mensagem para uma corretora de imóveis dizendo que precisa fazer Paulo Henrique Costa feliz na avaliação de um imóvel que estava sendo negociado como propina para o ex-presidente do Banco de Brasília.

Para o ministro André Mendonça, as provas já obtidas pela Polícia Federal nesse caso indicam que deixar Costa em liberdade colocaria em risco toda a operação Compliance Zero, por isso acabou sendo decretada a prisão preventiva dele hoje.

Já o advogado Kleber Lopes, que defende Paulo Henrique Costa, acompanhou a movimentação da Polícia Federal em Brasília e a prisão do cliente, disse que essa prisão não faz sentido. No primeiro momento, a defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução, para a aplicação da lei penal, ele está em liberdade desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera no primeiro momento a prisão absolutamente desnecessária.

Paulo Henrique Costa já havia sido alvo na primeira fase da operação Compliance Zero, mas naquela ocasião não foi preso, foi alvo a pena de um mandado de busca e apreensão e foi afastado também do comando do banco.

Hoje, ao ser preso, foi levado à superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde já está Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em processo de negociação de uma delação premiada. Por isso, segundo fontes da Polícia Federal, Paulo Henrique Costa não deve ficar no mesmo local de Vorcaro. Após passar por uma audiência de custódia, deve ser encaminhado à penitenciária da Papuda em Brasília.