Mensagem psicografada de Chico Xavier de 1955 acertou 88% das informações, dizem pesquisadores da UFJF
Vinte anos após a morte, o mineiro Chico Xavier ainda surpreende. A revista científica internacional Explore acaba de publicar um artigo inédito sobre a precisão de informações apresentadas pelo médium em uma sessão registrada em áudio em 1955, com a participação de um espírita português. Segundo os autores do artigo, 87,7% do que ele falou foram classificados como corretos e apenas 3% como incorretos. A pesquisa também avaliou que seria improvável que Chico, em 30,8% dos casos, tivesse obtido essas informações por meios convencionais, ou seja, em conversa com outras pessoas ou em pesquisa em livros ou documentos.
Se estivesse vivo, Chico faria aniversário nesta quinta-feira. Ele nasceu em 2 de abril de 1910 em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aos 17 anos, já participava de sessões espíritas e chamava a atenção. O médium se tornou um fenômeno, com 439 livros psicografados publicados em vida e ao menos 98 post-mortem.
Participaram do estudo pesquisadores de Portugal e do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O artigo "Análise da Ocorrência de Recepção Anômala de Informação Mediúnica: O Caso de Chico Xavier e Isidoro Santos" é assinado por Carlos Miguel Pereira, Alexandre Caroli Rocha, Jorge Gomes, José Lucas, Júlio Silva e Alexander Moreira-Almeida.
O artigo abrange a gravação em fita de áudio de 54 minutos de sessão mediúnica realizada em 3 de junho de 1955, em Pedro Leopoldo. Na ocasião, Chico psicografou mensagens e relatou conversas com espíritos de pessoas que teriam conhecido o ilustre visitante, o líder espírita português Isidoro Duarte Santos, fundador da revista Estudos Psíquicos e presidente da Federação Espírita Portuguesa.
— Nessa sessão de 54 minutos, Chico Xavier psicografa dois poemas atribuídos a poetas portugueses, e uma carta atribuída à esposa falecida do Isidoro, o visitante português. E ele começa a descrever continuamente, uma após outra, várias pessoas que estariam aparecendo para ele, no caso, 18 pessoas falecidas, a maioria da relação do Isidoro. E ele ia descrevendo características físicas, comportamentais, situações que aconteceram na vida deles — explica Alexander Moreira-Almeida, o diretor do Nupes.
Em sessão de 1954, Chico descreve 'espíritos' e lê mensagem para ilustre visitante
Mensagem do além
A primeira mensagem é uma carta psicografada para Isidoro ditada supostamente pelo espírito de sua primeira mulher. O estudo assinala que "seu conteúdo focava no incentivo à continuidade do trabalho espírita, sendo o único elemento verificável a assinatura. Não foi possível acessar os manuscritos originais para comparar a assinatura de Lia em vida. Contudo, Santos a reconheceu como a assinatura de sua esposa e identificou ainda o estilo do texto."
Os pesquisadores se debruçaram sobre o grau de precisão das informações apresentadas por Chico ao visitante. Será que o médium poderia ter feito um levantamento prévio para ludibriar o público? Será que ele teria como obter as informações sobre as pessoas falecidas e que viveram em Portugal?
— Fizemos um grande levantamento. Como essa informação poderia ter chegado ao Brasil? Investigamos publicações portuguesas e brasileiras da época e a possibilidade do Chico ter acesso às informações e que informações estavam nas explicações e quais não estavam — diz Alexander.
Durante a sessão, Chico relatou ver outras pessoas que teriam feito parte da vida do visitante, em Portugal. No fundo da gravação, é possível escutar Isidoro confirmar algumas descrições.
— Chico, durante 54 minutos, descreve 18 pessoas falecidas e várias características, e muitas delas com essa dificuldade de ter acesso. O resultado principal é que, ao longo dessa gravação, o Chico Xavier produziu 65 itens verificáveis de informação: 88% eram corretos — observa o diretor.
Poemas psicografados
O psiquiatra explica que o estudo constatou ser extremamente improvável, em ao menos 31% das informações, que Chico tivesse obtido os dados de forma convencional — conversas e pesquisas.
— Eram informações muito específicas da vida das pessoas, informações muito específicas de regiões de Portugal, muito pouco conhecidas, todas relacionadas ao visitante — argumenta.
Para Alexander, o resultado é mais um conjunto de evidências sobre a possibilidade da sobrevivência da consciência mesmo após a morte. Na sessão, Chico Xavier psicografou dois sonetos de poetas portugueses mortos mais de 50 anos antes.
— Os poemas atribuídos a Antero de Quental e a João de Deus traziam características muito específicas de estilo, da métrica, inclusive um deles foi escrito em português arcaico — destaca o psiquiatra.
A pesquisa sobre mediunidade é um dos principais alvos do Nupes, da Universidade Federal de Juiz de Fora. O próprio artigo na Explore reconhece que "uma meta-análise de estudos controlados recentes concluiu que, na maioria dos casos, os médiuns foram capazes de fornecer informações precisas sem usar meios convencionais, embora, às vezes, não tenha sido observada precisão acima do acaso." Uma interpretação, segundo o trabalho, "é que médiuns verdadeiramente talentosos são raros, e aqueles que conseguem manter consistentemente alta precisão sob controles científicos são ainda mais raros".
— Chico Xavier, sem dúvida, está entre os médiuns que produziram uma maior diversidade de fenômenos que têm sido estudados e para os quais é muito dificil encontrar explicações convencionais que deem conta do conjunto de evidências — observa Alexander.
