Mensagem prova que promessa do polo aquático cometeu abusos contra atleta negro, diz advogado
Uma grande promessa polo aquático, acusada de agressão sexual e racismo contra um colega de equipe negro, pediu desculpas por suas ações. A retratação, feita num grupo de bate-papo da equipe, contraria a alegação de inocência sustentada pelo advogado de Lucca Van Der Woude, que é filho de Thomas "Basti" Van Der Woude, um diretor de Hollywood que trabalhou em filmes de grande sucesso, incluindo "Onze Homens e um Segredo" e "Náufrago".
"Quero me desculpar por tudo o que aconteceu. A maioria dos problemas foi culpa minha e sinto muito", escreveu Lucca em mensagem datada de 26 de janeiro de 2024, de acordo com o processo. "Sei que isso magoa a equipe e sinto muito por isso. Prometo ser melhor daqui para frente", completou ele.
Os incidentes que constam do processo movido pela família de Aidan Romain ocorreram na Harvard-Westlake School, uma escola particular de elite de Los Angeles (Califórnia, EUA).
Numa ocasião, Aidan, que é negro, sentiu alguém agarrar suas nádegas e inserir um dedo. A experiência o chocou — ainda mais quando percebeu que era seu colega de equipe, Lucca.
"Era racismo puro e simples", desabafou ele. "Eu fiquei tipo, 'Por que você fez isso? O que você está fazendo?'. Ele apenas riu", completou o atleta.
Lucca van der Woude
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Aidan também alegou ter passado por vários episódios em que foi alvo de racismo e insultado com termos pejorativos e racistas.
"Eles não faziam questão de esconder", disse Aidan, referindo a Lucca e outro compnaheiro de equipe, identificado apenas como Kim. "Quando as luzes se apagavam, eles diziam: 'Onde está o Aidan?' ou 'Onde está o negro?'"
Além dessas agressões, segundo o processo, Aidan declarou que Lucca e Kim "o chicoteavam" na sala de musculação com uma corda de pular de uso esportivo.
De acordo com o processo, um colega de equipe começou a proferir insultos racistas contra outro jogador negro no ônibus da equipe durante viagem à Espanha.
Quando esse atleta pediu que o abusador parasse, outro colega de equipe teria avisado Aidan e o outro jogador para ficarem quietos, dizendo que ninguém acreditaria em "dois jogadores negros".
Em destaque, Aidan Romain e Lucca Van der Woude, acusado de agressão sexual e racismo
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Em 28 de fevereiro de 2024, Lucca foi preso. Meses depois, ele teria admitido em tribunal juvenil ter praticado penetração sexual com "objeto estranho" contra um menor, como parte de acordo judicial. A acusação envolvendo Aidan foi posteriormente retirada.
A escola também concluiu não ter havido agressão sexual.
Porém quando a família de Aidan foi à Justiça com um processo civil contra a Harvard-Westlake, funcionários da escola e Lucca, a posição da defesa mudou.
"Lucca nega todas as acusações contra ele, conforme entendemos que foram feitas pela equipe de Romain. Não houve testemunhas dessas alegações e não houve queixas por mais de 18 meses", escreveu um dos seus advogados.
Outra mensagem de texto de Janine Jones, que atuava como diretora assistente de Comunidade e Pertencimento da Harvard-Westlake, também foi mencionada nos documentos. De acordo com o processo, Janine enviou a mensagem aos pais de Aidan depois que eles relataram por e-mail que seu filho havia sido agredido sexualmente em fevereiro de 2024 por um colega de equipe nos chuveiros externos da escola.
"Devo ver Aidan em breve... mas não quero deixá-lo desconfortável verificando como ele está", diz ela na mensagem.
A Harvard-Westlake, por meio de seus advogados, negou ter recebido qualquer relato dos pais de Romain de que ele teria sido abusado sexualmente, conforme relata o processo, que aponta a mensagem de texto como "prova contemporânea".
Um porta-voz da instituição de ensino disse ao "California Post" que a instituição "contesta categoricamente muitas dessas alegações que distorcem os fatos e as ações da escola".
"A escola tratou as denúncias de comportamento inadequado em seu programa de polo aquático com urgência e seriedade, iniciando prontamente uma investigação e cumprindo suas obrigações de notificação obrigatória", declarou o porta-voz, acrescentando que a escola "também cooperou integralmente com as autoridades policiais".
O processo alega que o grave sofrimento emocional acabou forçando Aidan a se mudar para Barcelona (Espanha), em 2024, para continuar seu treinamento de polo aquático "num ambiente seguro".
Lucca, outrora considerado uma promessa olímpica, está escondido após a revelação do processo bombástico.
