Menos de 24 horas após suspensão, governo Trump autoriza retomada de abordagens de trânsito do ICE

Menos de 24 horas após suspensão, governo Trump autoriza retomada de abordagens de trânsito do ICE

Fonte: Bandeira



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou nesta quarta-feira a suspensão da maior parte das abordagens de trânsito realizadas por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), menos de 24 horas após seu próprio governo anunciar a medida em resposta à morte de dois imigrantes durante operações de fiscalização migratória.


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A decisão foi confirmada por uma autoridade da Casa Branca e representa uma reviravolta na orientação anunciada anteriormente.

Na terça-feira, o governo havia determinado a suspensão da maior parte das abordagens de trânsito realizadas por agentes da divisão de Fiscalização e Remoção (ERO, na sigla em inglês), responsável pela prisão e deportação de imigrantes em situação irregular.

A medida havia sido adotada após as mortes do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, no Texas, e do colombiano Johan Sebastián Durán Guerrero, no Maine.

Os dois foram baleados durante tentativas de interceptação de seus veículos por agentes federais, segundo o DHS.

Fontes ouvidas pela imprensa americana, porém, afirmam que nenhum deles era o alvo das operações.


A rápida mudança de orientação evidencia a pressão enfrentada pelos agentes para cumprir a meta estabelecida pelo governo Trump de realizar cerca de 2 mil prisões diárias de imigrantes em situação irregular.

Nesta quarta, o presidente americano afirmou que as abordagens de trânsito são uma ferramenta fundamental para o combate à imigração irregular.

“NÃO PODEMOS abrir mão de uma das ferramentas mais importantes e eficazes do ICE no combate ao crime: A ABORDAGEM DE TRÂNSITO!”, escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social.

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"À esquerda radical 'Dumocrata' gostaria que isso acontecesse, mas isso não ocorrerá sob minha supervisão", acrescentou, utilizando um trocadilho depreciativo em inglês para se referir ao Partido Democrata.

Na véspera, o czar da fronteira da Casa Branca, Tom Homan, já havia sinalizado que a medida seria temporária.

Segundo ele, a orientação representava apenas uma "pausa curta" e não uma mudança permanente na política migratória do governo.

De acordo com fontes ouvidas pela imprensa americana, a suspensão previa exceções para o cumprimento de mandados criminais e operações realizadas em conjunto com outras agências de segurança.

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O DHS anunciou que irá acelerar a implementação de câmeras corporais para agentes em todo o país.

O departamento também informou que abriu investigações internas sobre as duas mortes.

Em audiência no Senado na terça-feira, o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou esperar que os casos sejam apurados em cooperação com autoridades policiais estaduais e locais.

Mortes reacendem críticas

Na segunda-feira, um agente do ICE matou Durán Guerrero, de 26 anos, durante uma operação na cidade de Biddeford, no estado do Maine, onde ele vivia com a esposa e a filha de três anos.

No X, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou o episódio como um "assassinato" e cobrou explicações de Trump.

“O que aconteceu no Maine é o assassinato de um colombiano latino-americano pelas mãos do governo dos EUA”, escreveu Petro.

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O presidente colombiano afirmou ainda que o jovem foi morto por ser tratado como “um ser inferior e sem direitos” e exigiu que “os assassinos paguem por esse homicídio”.

O DHS afirmou que Durán Guerrero estava no país "de maneira irregular" e possuía uma ordem definitiva de deportação.

Segundo a pasta, o veículo tentou fugir durante a abordagem e um agente disparou “por razões de segurança pública”.


A versão oficial, porém, foi questionada por autoridades locais.

O senador dos EUA, Angus King, afirmou que os agentes tentavam cumprir um mandado contra outra pessoa e que Durán Guerrero não era o alvo da operação.

Imagens divulgadas pela imprensa também levantaram dúvidas sobre as circunstâncias do disparo.

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Duas organizações de defesa dos imigrantes também afirmaram que o colombiano possuía autorização para trabalhar nos EUA.

Protestos e pressão

O caso provocou indignação em Biddeford e em outras cidades da região.

Centenas de pessoas protestaram na terça-feira diante de um centro de detenção do ICE em Scarborough, entre Biddeford e Portland.

Alguns manifestantes carregavam cartazes com frases como "Parem os assassinatos" e "Acabem com esse terror".


— Essas pessoas são assassinas e precisam deixar nosso estado agora — afirmou o organizador Todd Chretien.

Vizinhos de Durán Guerrero o descreveram como uma figura amigável na comunidade.


— Todo mundo o conhecia — contou Sadie Dilboy, proprietária de uma lavanderia próxima ao local do incidente, lembrando que ele costumava visitar o estabelecimento com a filha pequena.


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Outra moradora da região, Claudia Morton, afirmou estar profundamente abalada.

— O mundo inteiro deveria estar chorando — disse.

A morte de Durán Guerrero ocorreu apenas uma semana após um agente do ICE matar o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, em Houston, no Texas.

Segundo autoridades federais, ele foi baleado durante uma operação enquanto seguia para o trabalho, após ser perseguido por agentes em veículos descaracterizados.


Posteriormente, o governo reconheceu que ele não era o alvo da ação, apesar de inicialmente ter afirmado o contrário.

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Os dois casos aumentaram a pressão sobre o ICE em meio à campanha de deportações em massa promovida por Trump.

Segundo o New York Times, ao menos 22 pessoas foram baleadas por agentes envolvidos nas operações migratórias desde o início do segundo mandato do republicano, em janeiro de 2025.

Seis morreram, incluindo três cidadãos americanos.

Quase todos os episódios envolveram pessoas dentro de veículos.

Cobranças internacionais

Na última semana, o governo do México anunciou que buscará a responsabilização criminal, nos EUA, por casos envolvendo a morte de imigrantes mexicanos durante a campanha de deportações em massa promovida por Trump.

Segundo o chanceler mexicano, Roberto Velasco, pelo menos 17 cidadãos mexicanos morreram sob custódia do ICE ou durante operações federais desde o retorno de Trump à Casa Branca.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que buscará apoio de procuradores federais do México e do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, para pressionar pela proteção dos mexicanos mantidos em centros de detenção.

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Organizações de defesa dos direitos humanos e dos imigrantes têm criticado a atuação do ICE e denunciado abusos durante operações de fiscalização migratória.

A oposição democrata acusa o ICE de extrapolar suas funções e sustenta que operações da agência também têm afetado imigrantes que vivem legalmente nos EUA.

Diversos incidentes envolvendo agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira ocorreram em chamados estados-santuário, onde autoridades locais limitam a cooperação com o governo federal em ações contra a imigração irregular.

Em sua publicação nesta quarta, Trump voltou a defender a atuação da agência.

"Os homens e mulheres do ICE estão fazendo um GRANDE trabalho, um trabalho que precisa ser feito.

O CRIME CAIU MUITO nos EUA, em muitos casos para níveis não vistos há décadas", afirmou.

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As operações de fiscalização migratória também já resultaram na morte de cidadãos americanos que se opunham às ações.

Em janeiro, os ativistas Renee Good e Alex Pretti morreram em Minneapolis, episódio que levou o ICE a revisar parte de suas estratégias operacionais.

Em nota, um porta-voz do ICE afirmou que a agência está "constantemente avaliando seus procedimentos para manter os agentes seguros e criminosos fora das ruas", mas acrescentou que não comentaria táticas de aplicação da lei.

Petro e Trump já entraram em choque diversas vezes por causa da política migratória.

Um dos principais atritos ocorreu em 2025, quando o governo americano deportou um grupo de colombianos algemados durante o voo de repatriação, gerando críticas do presidente colombiano às condições da operação.

(Com AFP e New York Times)