Menos de 15% dos imigrantes presos pelo ICE possuem acusação ou condenação por crimes violentos

 

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Um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos mostra que menos de 14% dos quase 400 mil imigrantes que foram presos pela imigração americana, o ICE, durante o ano de 2025 tinham acusações ou condenações por crimes violentos.

As informações foram descobertas pela CBS News através desse documento. Quase 40% eram crimes relativos à imigração.

Com isso, os dados mostram uma narrativa diferente da defendida pelo governo Trump. Segundo diversas declarações do presidente e outras autoridades, a repressão da imigração visa principalmente criminosos perigosos e violentos que vivem ilegalmente nos EUA, pessoas que Trump e seus assessores costumam chamar de 'os piores dos piores'.

Quase 60% dos detidos pelo ICE no último ano tinham acusações ou condenações criminais, indica o documento. Mas, entre essa população, a maioria das acusações ou condenações criminais não se refere a crimes violentos.

Trump e seus assessores, por exemplo, falaram em diversas ocasiões que os agentes miram assassinos, estupradores e membros de gangues. Só que os dados mostram que apenas 4% do total eram relativos a algum desses casos.

Quase 40% de todos os presos pelo ICE no primeiro ano de mandato do governo do republicano não tinham antecedentes criminais e foram acusados ​​apenas de infrações civis de imigração, como viver ilegalmente nos EUA ou permanecer no país além do prazo permitido. Essas supostas violações da lei de imigração dos EUA são normalmente julgadas por juízes de imigração do Departamento de Justiça em processos civis e não criminais.

O documento obtido pela CBS mostra que foram realizadas cerca de 393 mil prisões entre janeiro de 2025 e 31 de janeiro de 2026.

O ICE classificou cerca de 229 mil dos detidos como 'estrangeiros criminosos', por terem acusações ou condenações criminais. Cerca de 153 mil das prisões foram categorizadas como 'outras prisões administrativas', ou seja, sem antecedentes criminais. Quase 11 mil das prisões foram 'prisões criminais' de estrangeiros detidos pelo ICE devido a novas acusações criminais, como interferência em operações.

Mais de 150 pessoas foram presas em protestos contra ICE no Minnesota, diz governo Trump

Mulher é morta a tiros por agente de imigração em Minneapolis (EUA)

Reprodução/Redes sociais

O czar da fronteira do governo dos Estados Unidos, Tom Homan, revelou que 158 pessoas foram presas durante protestos contra agentes do ICE em Minnesota. Segundo ele, as prisões ocorreram por 'agredir, obstruir e interferir' agentes de imigração.

Homan disse ter tido 'conversas francas e honestas' com o governador Tim Walz, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o procurador-geral Keith Ellison, observando, porém, que eles 'não concordam em tudo'.

Além disso, falou para comunidade ter 'calma' e 'pôr fim à resistência, ao impedimento e à interferência' das forças policiais.

Após a morte de ao menos dois manifestantes no estado de Minnesota em protestos contra o ICE, o governo dos Estados Unidos anunciou a retirada de 700 agentes de imigração das cidades. A informação foi revelada pelo czar da fronteira do governo Trump, Tom Homan.

Segundo ele, essa retirada dos agentes se deve ao aumento da coordenação entre as cadeias municipais e as autoridades federais.

'Isso libera mais policiais para prender ou deportar estrangeiros criminosos, permitindo que mais policiais assumam a custódia de estrangeiros criminosos diretamente das prisões, o que significa menos policiais nas ruas envolvidos em operações criminais', disse.

Apesar disso, o Departamento de Correções de Minnesota já facilita a transferência de pessoas que cumpriram penas por crimes graves em prisões estaduais, quando agentes federais estão presentes para assumir a custódia. Entretanto, o Departamento não administra cadeias municipais e alguns xerifes preferem não ter atividades em conjunto com o ICE.

Apesar da queda, Tom Homan afirmou que 'cerca de 2 mil' agentes de imigração permanecem em Minnesota

Ele reiterou sua ameaça de que, embora aqueles com antecedentes criminais sejam o alvo da operação, qualquer imigrante indocumentado poderá ser detido.

'Só porque priorizamos ameaças à segurança pública não significa que nos esquecemos de todos os outros', completou.