Menopausa: além das ondas de calor, entenda os impactos no sono, no corpo e na sexualidade

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A menopausa, por muito tempo tratada como um assunto que deveria ficar restrito ao consultório, começa a ocupar outros espaços. No cinema, a chegada de "Minha Melhor Amiga", protagonizado por Mônica Martelli e Ingrid Guimarães, coloca essa fase da vida no centro da história ao abordar temas como ondas de calor, mudanças no corpo e sexualidade depois dos 50. Mais do que aparecer na ficção, a questão acompanha uma transformação na forma como muitas mulheres passaram a falar sobre as mudanças que chegam com o fim da vida reprodutiva. O que significa 'menopausa reversa'? Influenciadora 60+ explica termo que criou após viver o oposto do esperado Menopausa, hormônios e longevidade: por que o tema ganhou novo espaço entre mulheres Para a ginecologista Carolina Arrabal, especialista em saúde da mulher e endocrinologia ginecológica, levar o assunto para a cultura popular pode ajudar a diminuir o constrangimento em torno da menopausa. "O cinema ajuda a normalizar pautas que costumavam ficar restritas aos consultórios médicos. A menopausa resulta do declínio fisiológico na produção de hormônios como estrogênio e progesterona, afetando o metabolismo, a saúde óssea, o sono e a vida sexual. Reconhecer esses sintomas sem tabus é o primeiro passo para buscar soluções médicas que preservem a autonomia e a vitalidade da mulher madura", afirma. Embora o diagnóstico da menopausa seja feito depois de 12 meses consecutivos sem menstruação, as transformações podem começar antes. Ondas de calor, alterações no sono e no humor, ressecamento vaginal e desconforto durante as relações estão entre os sintomas que podem surgir nessa transição. A intensidade varia de uma mulher para outra, assim como os impactos na rotina. O ginecologista e obstetra César Patez ressalta que reconhecer a menopausa como uma etapa natural não significa ignorar aquilo que afeta o bem-estar.

"A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que a mulher precise conviver com sintomas que comprometem seu bem-estar. Alterações no sono, ondas de calor, ressecamento vaginal, dor nas relações e mudanças importantes na qualidade de vida devem ser discutidas na consulta. Existem diferentes possibilidades de cuidado, sempre de forma individualizada", explica. Sexualidade não precisa ficar em segundo plano A vida sexual é outro aspecto que costuma ser cercado de silêncio quando o assunto é menopausa. Alterações hormonais podem estar associadas a ressecamento vaginal e desconforto durante as relações, mas isso não significa que essa fase determine o fim do desejo ou da intimidade. Para Carolina, é justamente essa associação que precisa ser revista. "A vivência da sexualidade e o bem-estar na maturidade são pilares de saúde integrativa. A menopausa representa um ciclo de transição hormonal, e não a interrupção da qualidade de vida", destaca. A conversa também passa pelas diferentes formas de cuidado disponíveis. Entre elas está a terapia hormonal, que pode ser indicada para algumas mulheres, mas não deve ser encarada como uma solução automática. A decisão depende das queixas, do histórico clínico e dos fatores de risco de cada paciente. Reposição hormonal não é indicação para todas Rafael Lazarotto, também ginecologista, defende que a consulta nessa fase não se limite aos sintomas mais conhecidos. As mudanças hormonais também podem repercutir em diferentes aspectos da saúde, o que torna importante uma avaliação mais ampla. "Quando falamos em saúde da mulher depois dos 40, precisamos ampliar o olhar. A menopausa não deve ser analisada apenas pelos sintomas que incomodam no presente, mas também pelos impactos que as mudanças hormonais podem ter sobre ossos, músculos, metabolismo, sistema cardiovascular, sono e saúde mental", avalia. Para César, a maior abertura para falar sobre o tema também permite que a mulher conheça as possibilidades existentes sem transformar a terapia hormonal em obrigação ou tabu.

"A reposição hormonal não é uma solução universal. A indicação precisa considerar quem é aquela paciente, suas queixas, seu histórico e seus fatores de risco. O objetivo deve ser atravessar essa fase preservando saúde, sexualidade e qualidade de vida", conclui.

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