Menino venezuelano de 10 anos vai sozinho a tribunal de imigração nos EUA após mãe ser detida pelo ICE

 

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Um menino venezuelano de 10 anos compareceu sozinho, no final do mês de abril, a um tribunal de imigração em Houston, no Texas, após sua mãe ser detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Sem advogado e sem familiares próximos no país, Wilfredo Gomez passou a enfrentar de forma independente um processo de deportação para o Equador, país onde, segundo aliados da família, ele nunca esteve e não conhece ninguém.

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O caso ganhou repercussão nos Estados Unidos após o congressista democrata Joaquin Castro denunciar a situação nas redes sociais e cobrar a libertação da mãe do garoto, Nexoli, além da suspensão imediata da deportação.

Segundo relato de Wilfredo à emissora Univision, a ida ao tribunal foi marcada por medo e insegurança.

— Eu estava com muito medo porque era a minha primeira vez no tribunal — afirmou o menino.

De acordo com informações da Fox San Antonio e da Chron, Nexoli foi detida em dezembro durante uma blitz policial em Houston e permanece presa desde então. Ela possui autorização de trabalho e, segundo Castro, tentava regularizar sua situação migratória enquanto mantinha um pedido de asilo em andamento junto com o filho.

Sem outros parentes nos Estados Unidos, a antiga chefe de Nexoli, Marife Mosquera, assumiu a tutela legal de Wilfredo. Foi ela quem recebeu uma notificação do Departamento de Segurança Interna informando que o governo federal havia iniciado o processo de deportação da criança.

Mosquera também relatou que foi informada de que, com a prisão da mãe, o processo migratório de Wilfredo passou a tramitar separadamente. Desde então, ela tenta obter mais informações junto às autoridades sobre o caso e busca assistência jurídica para o menino.

Impactos emocionais

Desde a detenção da mãe, Wilfredo tem apresentado sinais de abalo emocional. Segundo sua tutora, ele perdeu peso e seu desempenho escolar caiu.

Ao falar sobre a ausência de Nexoli, o menino destacou a mudança na rotina e no apoio emocional que recebia.

— Ela costumava me encorajar muito. Ela ainda me encoraja, mas não é a mesma coisa — disse à Univision.

A situação levou Joaquin Castro a fazer um apelo público ao Departamento de Segurança Interna. Em publicação na rede X, o parlamentar afirmou que o menino não deveria estar sendo tratado como um infrator.

“Wilfredo tem 10 anos. Na semana passada, ele se representou no tribunal de imigração. Sua mãe, Nexoli, foi detida em Houston e está presa, longe do filho, desde dezembro”, escreveu o congressista.

Castro afirmou ainda que o governo pretende deportar o garoto para o Equador, embora ele nunca tenha vivido no país.

“Ele deveria ser tratado como uma criança, não como um criminoso”, acrescentou.

A publicação foi compartilhada posteriormente por Aaron Reichlin-Melnick, pesquisador sênior do Conselho Americano de Imigração, que afirmou que situações como essa não são incomuns no sistema migratório americano.

“Dizer que uma criança de 10 anos se representou sozinha em um tribunal de imigração parece uma afirmação distópica, mas isso é relativamente comum em nosso sistema”, escreveu.

Ele também criticou medidas adotadas durante o governo de Donald Trump, afirmando que uma das primeiras ações da administração foi retirar financiamento da assistência jurídica gratuita para crianças imigrantes.

O Departamento de Segurança Interna ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o caso até a publicação das reportagens locais.