Menino de 7 anos que morreu com obesidade mórbida ganhou 68 kg em menos de dois anos; pais foram presos por homicídio
Em novembro do ano passado, autoridades foram acionadas para atendimento de Casper O'Brien, de 7 anos, na casa da família em Flint Township, no estado de Michigan, Estados Unidos. O menino apresentava quadro de obesidade mórbida, ao atingir os 116 kg, com 1,27 metro de altura, e teve morte constatada em decorrência de uma doença cardíaca agravada por esse quadro. Os pais da criança, Damien O'Brien, de 40 anos, e Jessica O'Brien, de 41, foram denunciados por assassinato em segundo grau, tortura, três acusações de abuso infantil em segundo grau, e seguem presos enquanto aguardam o julgamento.
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A Promotoria do Condado de Genesee acompanha o caso e tem participado das investigações, que apontaram que o menino chegou a esse estado de saúde após um período prolongado de negligência dos pais. Apesar de ter plano de saúde, o menino era privado até mesmo de consultas regulares, como visitas ao pediatra e nutricionista. Casper foi visto pela última vez por um médico de atenção primária em 12 de fevereiro de 2024, quando foi diagnosticado com tosse aguda, congestão na garganta e “doença metabólica”, de acordo com o relatório da autópsia que o jornal The New York Times teve acesso.
Na época desta consulta, o menino pesava um pouco mais de 47 kg, o que significa que ele ganhou aproximadamente 68 quilos em menos de dois anos. Os investigadores também descobriram que Casper passava o dia dentro de casa, sem estímulo para praticar qualquer atividade física, principalmente em cima da cama que dividia com outras pessoas da família. Ele não tinha acompanhamento nutricional e recebia uma dieta composta principalmente de batatas fritas e salgadinhos industrializados. Ainda eram ofertados suco de maçã e água com gás saborizada.
O laudo apontou como causa da morte uma cardiomiopatia dilatada, doença que compromete o músculo cardíaco, tendo a obesidade mórbida como fator contribuinte. Os investigadores afirmam que o menino estava completamente imóvel, sofria com escaras, lesões na pele e outros problemas de saúde decorrentes da negligência prolongada dos pais.
— Este foi um caso triste e horrível envolvendo a negligência gratuita e intencional de dois pais em relação ao cuidado, bem-estar e necessidades médicas do filho — disse o promotor do Condado de Genesee, David Leyton, à revista People.
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Casper teria ido ao médico apenas uma vez, quando foi encaminhado a um endocrinologista pediátrico, consulta que nunca chegou a acontecer. O menino era autista não verbal e não tinha qualquer acompanhamento do transtorno. Ele frequentava a escola.
O promotor Leyton chamou a morte de Casper de "um caso triste e horrível envolvendo a negligência arbitrária e intencional de dois pais em relação ao cuidado, bem-estar e necessidades médicas de seu filho", disse em comunicado conseguido pela NBC News.
Sujeira e acúmulo em casa
As condições da casa onde a família vivia, em Flint Township, também chamaram a atenção das autoridades. Policiais e equipes de emergência encontraram um imóvel tomado por lixo e sujeira, em uma situação descrita como de acumulação extrema. Havia tão pouco espaço para circulação que os socorristas tiveram dificuldade para acessar o menino. O único banheiro da residência tinha um vaso sanitário quebrado e cheio de fezes, segundo os relatos da investigação.
Casper dividia uma cama improvisada com os pais e a irmã de 5 anos. A menina também vivia em condições precárias e não frequentava a escola. As autoridades também não encontraram registros anteriores de atendimento do serviço de proteção à infância no local. As duas crianças tinham plano de saúde, mas não tinham acompanhamento médico, informaram veículos dos EUA.
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Durante a coletiva sobre o caso, o promotor David Leyton classificou a situação como um exemplo de negligência extrema e deliberada. Ele afirmou que o casal chegou a telefonar para um veterinário por causa do cachorro da família na manhã em que Casper sofreu a parada cardíaca, mas não havia buscado assistência médica adequada para o filho ao longo dos anos. Para a Promotoria, o conjunto de omissões e maus-tratos justifica as acusações de assassinato, tortura e abuso infantil.
Damien e Jessica O'Brien permanecem presos e devem voltar ao tribunal na quinta-feira, 2 de julho. O casal não pode ganhar a liberdade por meio de fiança.
