Menino de 7 anos morre após ficar preso em duto de sucção de piscina em resort na Itália
Um menino de sete anos morreu após ficar preso no sistema de sucção de uma piscina em um resort na cidade de Castelforte, na Itália. Gabriele Petrucci comemorava o próprio aniversário com a família e amigos quando foi encontrado inconsciente dentro da água, no sábado (18).
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De acordo com relatos, o menino estava na parte rasa da piscina ao lado da mãe, enquanto o pai, Antonello, permanecia a poucos metros, na borda. Em um momento de distração, Gabriele desapareceu. Ao perceber a ausência do filho, o pai voltou o olhar para a água e identificou o corpo da criança preso ao duto de sucção.
— Eu vi o corpinho do Gabriele encolhido naquele tubo — disse Antonello, em relato à imprensa local.
O menino ainda se debatia debaixo d’água, mas não conseguia retornar à superfície. O pai mergulhou imediatamente e tentou retirá-lo com as próprias mãos, contando com a ajuda de outras três pessoas. Segundo ele, a força de sucção impediu o resgate imediato, sendo necessário desligar a bomba da piscina para liberar a criança.
— Tentei puxá-lo, mas não consegui. Só depois que desligaram o sistema foi possível soltá-lo — afirmou. — O braço dele estava roxo. Ele lutou como um leão para se libertar.
Apesar das tentativas prolongadas de reanimação, Gabriele não resistiu. O advogado da família, Francesco Lauri, afirmou que não houve possibilidade de reversão do quadro.
Falhas de segurança e investigação
Os primeiros levantamentos indicam que o tubo de sucção da piscina externa do complexo termal não possuía grade de proteção no momento do acidente. A ausência ou inadequação desse tipo de dispositivo pode aumentar significativamente o risco de aprisionamento por sucção.
O pai da criança também levantou suspeitas de possível tentativa de encobrir irregularidades após o ocorrido. Segundo ele, uma grade teria sido encontrada posteriormente em local distante da piscina.
— Como que por mágica, essa grade apareceu bem longe — disse à mídia local, sugerindo que o item pode ter sido recolocado após o acidente.
A promotoria de Cassino abriu investigação por homicídio culposo contra quatro pessoas, incluindo gestores do resort, o responsável pela manutenção e o funcionário encarregado da reinstalação da grade. Imagens de câmeras de segurança foram apreendidas e são consideradas fundamentais para esclarecer se o equipamento de proteção estava ausente, danificado ou em desacordo com as normas.
A piscina foi interditada para a realização de uma auditoria técnica no sistema de circulação de água. Uma inspeção detalhada está prevista para o dia 27 de abril. O sepultamento de Gabriele ocorrerá em Roma, no dia 25.
Riscos do sistema de sucção
Sistemas de drenagem em piscinas utilizam sucção para filtrar e tratar a água. Quando as tampas de proteção estão ausentes ou comprometidas, a pressão pode prender partes do corpo ou até mesmo imobilizar completamente uma pessoa contra o ralo.
Crianças com menos de oito anos são consideradas as mais vulneráveis, devido ao menor porte físico e à dificuldade de resistir à força de sucção. Em ambientes como spas termais, que podem contar com estruturas mais antigas, o risco é ainda maior caso não haja atualização para sistemas modernos de segurança antiaprisionamento.
Casos semelhantes já foram registrados em outros países. No Brasil, uma menina de 12 anos morreu após ter o cabelo sugado pelo sistema de uma piscina em Mirassol, no interior de São Paulo, enquanto nadava com amigos.
Familiares descrevem Gabriele como um menino “alegre e feliz”. Para o advogado da família, a tragédia poderia ter sido evitada.
— A morte é atribuível à má gestão da piscina e a um sistema de segurança desatualizado e fora das normas — afirmou Lauri.
