O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), interrompeu um julgamento no plenário virtual da Corte após a formação de maioria para derrubar uma decisão dada por ele que determinou a retirada de um vídeo publicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os efeitos do chamado "tesouraço" defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O pedido de destaque, apresentado pelo próprio relator quando o placar já estava definido, causou estranheza nos bastidores do tribunal. A maioria de quatro dos sete ministros havia votado para permitir a retomada da publicação, que associava a proposta de corte de gastos do candidato do PL a possíveis reduções de recursos destinados a programas sociais, como Pé-de-Meia, Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida. Na prática, o pedido de destaque também impede, em tese, que o vídeo volte a circular, apesar da maioria formada para liberar a publicação. Isso porque a decisão liminar de Mendonça, que determinou a retirada do conteúdo, estava sendo submetida ao referendo dos demais ministros. Com a interrupção do julgamento antes de sua conclusão, a ordem de suspensão tende a permanecer em vigor até que o caso seja analisado no plenário presencial. Nos bastidores do TSE, a iniciativa provocou estranheza justamente pelo momento em que foi adotada, quando todos os ministros já haviam votado e a maioria contrária ao entendimento do relator estava formada. Além de adiar a conclusão do julgamento, o destaque tem como possível efeito prático a manutenção de uma restrição que já havia sido rejeitada por quatro dos sete integrantes da Corte. O julgamento havia sido iniciado no plenário virtual para referendar uma liminar concedida por Mendonça na última segunda-feira. Na ocasião, o ministro acolheu um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e determinou a retirada do conteúdo, sob o entendimento de que a publicação apresentava como certas consequências de uma proposta econômica que ainda não havia sido detalhada. Ao apresentar seu voto, Mendonça foi acompanhado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e pelo ministro Dias Toffoli. A ministra Estela Aranha, no entanto, abriu divergência para permitir que o vídeo voltasse a circular. Em seu entendimento, a publicação não apresentava fatos sabidamente inverídicos, mas críticas a uma proposta defendida por um adversário político, o que estaria dentro dos limites do debate democrático. A posição foi acompanhada pelos ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior e Floriano de Azevedo Marques, formando uma maioria de quatro votos a três contra a decisão de Mendonça. Apesar do resultado, o relator apresentou um pedido de destaque, mecanismo que retira o processo do ambiente virtual e o encaminha para julgamento presencial. Por isso, a conclusão do caso foi adiada, mesmo após todos os integrantes do colegiado terem apresentado seus votos.
Mendonça paralisa julgamento no TSE após formação de maioria para derrubar sua decisão sobre vídeo de Lula
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O Globo
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