Mendonça negou pedido da PF para fazer buscas em gabinete de Ciro Nogueira no Senado
Relator da decisão que autorizou a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido feito pela Polícia Federal para que fossem feitas buscas no gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no Senado.
O GLOBO apurou junto a interlocutores do STF que o pedido foi feito pela PF e negado por Mendonça, que não teria visto necessidade para a medida.
Um dos principais nomes da oposição no Senado, e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira foi um dos alvos da operação desta quinta. A defesa do senador nega ter recebido os valores e diz que ele vai esclarecer os fatos investigados.
Na decisão, Mendonça afirma que investigadores apontam Ciro como suposto “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco.
Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proposta apelidada nos bastidores do Senado de “emenda Master”. O FGC garante parte dos investimentos em caso de quebra de uma instituição financeira. Hoje, a cobertura é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. A proposta de Ciro elevava esse limite para R$ 1 milhão.
A ampliação da garantia era vista como relevante para o Banco Master porque a instituição tinha nos CDBs uma de suas principais formas de captação. Com uma cobertura maior do FGC, investidores teriam mais proteção para aplicar valores elevados nesses papéis, o que poderia facilitar a atração de recursos para o banco.
Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto da emenda foi elaborado dentro do Banco Master e encaminhado ao senador. Em uma das conversas citadas na investigação, Daniel Vorcaro comemora a apresentação da proposta afirmando: “Saiu exatamente como mandei”. A emenda não chegou a ser aprovada.
