Mendonça manda policial ligado a Vorcaro para presídio federal após PF apontar que ele recebeu dados sobre investigação mesmo preso

 

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A Polícia Federal afirma que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do "braço armado" do grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recebeu, na prisão, informações sobre operações policiais. Marilson foi capturado na terceira fase da operação Compliance Zero, em março, mesma ofensiva que prendeu Vorcaro pela segunda vez.

Segundo os investigadores, o fato de Marilson receber dados sigilosos sobre diligências realizadas fora do cárcere, demonstra que há uma "rede externa ainda ativa" e que o policial aposentado é capaz de influenciar integrantes da "Turma" que não estão presos. A avaliação da PF é a de que Marilson tem papel central da coordenação do "braço armado" do grupo de Vorcaro, podendo articular, comandar e acessar dados sensíveis, inclusive após a prisão.

A descoberta fez a corporação pedir a transferência do policial para um presídio federal, sob o argumento de que uma prisão comum "não seria suficiente para neutralizar" a influência de Marilson nem preservar a efetividade das investigações.

O pedido foi atendido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O relator da Compliance Zero reconheceu o "papel de liderança" de Mrilson na 'Turma' e indicou ser imprescindível que ele fique preso em um presídio "com maior rigor de fiscalização, restrição de contatos e reforço da incomunicabilidade prática, a fim de impedir que continue a influenciar a organização criminosa ou a frustrar o andamento das investigações".

Ainda de acordo com o inquérito, Marilson chegou a usar, quando estava na ativa, seu acesso institucional ao sistema da PF para consultar pessoas e empresas de interesse do grupo de Vorcaro. Os investigadores apontam que ele se valeu de sua experiência e vínculos internos "para abastecer a organização com informações reservadas".

A PF ainda diz ter indícios de que Marilson continuou recebendo pagamentos e mantendo "estrutura financeira vinculada ao esquema" mesmo após o avanço das investigações da Compliance Zero.