Mendonça afirma que bom juiz não deve ser 'estrela'
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira que um bom juiz não deve 'ser estrela', mas julgar com equilíbrio e consciência das próprias limitações. Durante palestra na OAB do Rio de Janeiro, ele defendeu que a atuação no Judiciário exige humildade, compromisso com a Constituição e foco no dever de fazer o que é certo.
As declarações foram dadas em meio a casos polêmicos no Supremo Tribunal Federal, como a investigação contra o Banco Master, que colocou Luiz Fux e Alexandre de Moraes no foco das atenções. Mendonça, no momento, ocupa o papel de relator do caso Master no Supremo.
No início do mês, uma pesquisa da Quaest apontou que 43% dos brasileiros dizem não confiar no Supremo Tribunal Federal.
Na avaliação do ministro, juízes são, antes de tudo, servidores públicos e devem preservar a confiança da sociedade a cada decisão.
Ao falar para advogados, o ministro alertou que a carreira não pode ter como objetivo principal o ganho financeiro.
'É preciso saber o que é certo, fazer o que é certo, mas fazer o que é certo em terceiro lugar, pelos motivos certos. O papel do bom juiz não é ser estrela, é simplesmente assumir a responsabilidade e julgar. Como eu sou cristão, pedindo a Deus que eu julgue de forma certa. Meu desafio para você, como advogado do século XXI, é definir adequadamente qual o seu objetivo de vida. Que não seja ganhar dinheiro, por favor. Esse é um objetivo, mas não é um objetivo de vida. Que você ganhe muito dinheiro, mas como consequência de bons princípios.'
Durante a palestra, Mendonça listou valores que considera essenciais para a atuação no Direito, como humildade, sabedoria, perseverança e lealdade aos princípios.
O ministro também destacou a importância de profissionais capazes de resolver problemas, em vez de apenas criá-los ou ignorá-los.
