Memorial para vítimas de protestos no Irã sofre tentativa de incêndio em Londres

 

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Um muro memorial localizado em Golders Green, no norte de Londres, foi alvo de uma possível tentativa de incêndio criminoso. O caso aconteceu na Limes Avenue, na madrugada desta segunda-feira (27), e está sendo investigado pela Polícia Metropolitana, com apoio da unidade antiterrorismo, embora o incidente não esteja sendo tratado, até o momento, como ato terrorista.

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O memorial presta homenagem a milhares de manifestantes mortos durante a repressão no Irã, em janeiro, e fica próximo a um centro judaico. Parte do muro também é dedicada às vítimas do ataque do Hamas ao festival de música Nova, em Israel, em 2023. Uma mensagem recente de solidariedade à comunidade judaica, após ataques recentes, também foi afixada nas proximidades.

Segundo a polícia, inicialmente acreditava-se que o fogo poderia ter sido provocado por uma vela, mas imagens de câmeras de segurança mostraram uma pessoa utilizando um líquido inflamável para tentar iniciar as chamas. O incêndio atingiu a área, mas o muro em si não foi danificado. O caso foi registrado às 00h15 de segunda-feira e comunicado oficialmente às autoridades no início da noite.

Comunidade relata medo crescente

Ali Vahedi, voluntário do grupo comunitário Miga Rally, responsável pela construção do memorial e pela organização da segurança do local, afirmou que o clima de insegurança se agravou nas últimas semanas. Segundo ele, drones têm sobrevoado a área e pessoas já chegaram a arremessar objetos, como tomates, contra o memorial.

“A situação está ficando mais perigosa”, disse à Press Association. Ele relatou ainda que a polícia informou que o suspeito utilizou um líquido para iniciar o incêndio e que o fogo só não causou danos maiores porque foi percebido e apagado rapidamente por uma pessoa que passava pelo local.

Outro voluntário, Vahlid Baghi, classificou a tentativa de incêndio como “chocante”. Já Ahad Ghanbary destacou que há preocupação real entre moradores, especialmente porque Golders Green concentra uma forte presença tanto da comunidade judaica quanto de iranianos exilados. Segundo ele, os grupos convivem de forma próxima e compartilham o temor diante da escalada de ataques.

O episódio ocorre poucas semanas após outro suposto ataque incendiário que destruiu quatro ambulâncias da comunidade judaica na mesma região. A Polícia Metropolitana afirmou ter reforçado a presença policial com patrulhas armadas e agentes do Projeto Servator, especializados em identificar comportamentos suspeitos e possíveis preparações para crimes.

O superintendente-chefe Luke Williams afirmou que a corporação reconhece o aumento da preocupação entre moradores e que a polícia trabalha em estreita colaboração com líderes comunitários e organizações locais. Já Phil Rosenberg, presidente do Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos, declarou solidariedade à comunidade britânico-iraniana e afirmou que o país enfrenta uma ameaça potencialmente ligada a ações coordenadas contra grupos judaicos e opositores do regime iraniano.

Um grupo que se identifica como Harakat Ashab al-Yamin al-Islamia (Hayi) reivindicou a autoria de uma série de ataques incendiários contra locais judaicos no norte de Londres, além de um incidente envolvendo drones próximos à embaixada israelense. Dois homens chegaram a ser presos sob leis antiterrorismo, mas foram liberados posteriormente — um sem acusação formal e outro sob fiança até julho. A investigação segue em andamento.