Memes sobre Bolsonaro não serão usados pela Acadêmicos de Niterói em ensaio técnico; escola homenageia Lula

 

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Começa nesta sexta-feira o último fim de semana de ensaios técnicos das escolas de samba do Rio antes do carnaval. Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói — que leva para a Sapucaí o enredo sobre o presidente Lula (PT) — repetirá o que fez no ensaio passado: usará quatro caminhões com telões entre os desfilantes. Mas os memes com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que marcaram a apresentação anterior, agora não serão mais usados, promete a agremiação.

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As imagens exibidas na sexta-passada, durante o primeiro ensaio técnico da escola, causaram polêmica na direita brasileira. Bolsonaro foi retratado "rindo igual a um condenado", ironizando a pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe. Uma foto do ex-presidente, que atualmente está recluso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (a Papudinha), também foi exibida com uma máscara cobrindo o rosto, acompanhada de uma das frases do samba-enredo deste ano ("Quanto importa a vida?"). A mensagem "Sem mitos falsos", também presente na canção que será cantada no desfile, também ilustrou uma foto de Jair Bolsonaro.

Ao longo da semana, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou uma denúncia, junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE), contra a Acadêmicos de Niterói, por propaganda eleitoral antecipada. No documento, datado da última segunda-feira, a senadora, que foi ministra durante o governo de Bolsonaro, criticou ainda a verba de R$ 1 milhão destinada pelo governo federal à agremiação. Um termo de cooperação firmado entre Embratur, Ministério da Cultura e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) destinou R$ 12 milhões às escolas, a ser dividido igualmente entre as 12 agremiações da elite do carnaval.

Ainda na segunda-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) sugeriu que a Embratur suspendesse o repasse à escola de Niterói, alegando que isso estaria ferindo o interesse público. Segundo o auditor Gregório Silveira de Faria escreveu na ocasião, haveria "possível direcionamento de recursos públicos para a prática de promoção pessoal de autoridade pública, agravado pelo fato de que o homenageado deve concorrer à Presidência da República nos pleitos que ocorrerão no ano corrente de 2026".

Na ocasião, a Embratur alegou que "não interfere na escolha de sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações" e lembrou que os desfiles também recebem quantias milionárias da prefeitura do Rio e do Governo do Estado do Rio. Somando governo federal, município e estado, cada agremiação receberá R$ 5,65 milhões.

Após o ensaio passado, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) foi um dos que rebateram as críticas direcionadas ao pai, enquanto o deputado estadual por São Paulo, Gil Diniz (PL), disse que protocolou no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) uma denúncia contra a agremiação.

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O presidente da agremiação, Wallace Palhares, por sua vez, foi exonerado na quarta-feira do cargo de assistente que exercia na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em ato assinado pelo deputado bolsonarista Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Casa. Ele estava lotado na Comissão de Transportes, associada ao Gabinete de Dionísio Lins (PP), vice-líder do governo Cláudio Castro (PL) na Casa.

Nesta quinta-feira, os vereadores de Niterói Douglas Gomes e Daniel Marques Frederico, do PL, também protocolaram uma representação no MPE contra a Acadêmicos de Niterói, pedindo a suspensão do desfile sobre Lula. Segundo eles, que questionaram ainda a destinação da prefeitura de Niterói de R$ 4 milhões à agremiação, o enredo “fere princípios básicos, tendo em vista o ano eleitoral”.

Escola diz que mudança já estava prevista

A Acadêmicos de Niterói não se manifestou sobre essas ações levadas ao MPE, tampouco à exoneração de seu presidente na Alerj. Mas explica que a mudança sobre o que será exibido no telão não teve relação às reações de políticos de direita. O argumento da agremiação é de que já estava previsto, para este segundo ensaio, o uso de outras imagens, que só serão reveladas a partir das 21h, quando está marcada a entrada da escola na Marquês de Sapucaí.

— Essa não é uma campanha política — disse o carnavalesco Tiago Martins, da Niterói, ao EXTRA no início do ano.

A vida de Lula desde a infância em Garanhuns (PE), passando pela viagem de pau de arara até São Paulo — período lembrado no samba-enredo composto por craques como Teresa Cristina, Paulo César Feital, André Diniz, Arlindinho, Fred Camacho e outros — e os tempos de metalúrgico farão parte do desfile. A trajetória política do homenageado também não ficará de fora.

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