Meme '6 7', ou 'six, seven' invade as aulas em inglĂȘs no Brasil: 'Nunca vi uma trend durar tanto', diz professora

 

Fonte:


Imagine uma aula de matemĂĄtica de um colĂ©gio bilĂ­ngue em que sempre que o nĂșmero 6, 7 ou 67 aparece, os alunos começam a reproduzir um meme do momento, no meio das explicaçÔes. SituaçÔes como essa estĂŁo acontecendo pelas escolas do Brasil com o meme "6 7" ou "six seven", em que crianças e prĂ©-adolescente começam a mexer as mĂŁos como se estivessem carregando algo em cada uma delas e a falar os numerais.

Veja mais: Regulamentação da IA na educação deve ser votada nesta segunda-feira após mudanças no texto sugeridas pelo MEC

Projeto do governo federal: MEC Livros tem alta procura, mas usuårios reclamam de instabilidade do serviço

A moda começou a partir de uma mĂșsica, “Doot Doot”, do rapper Skrilla, que fala dos nĂșmeros em referĂȘncia a uma rua de Chicago. Mas se popularizou em um jogo de basquete, com o jogador LaMelo Ball, do Charlotte Hornets, quem tem 2 m de altura, ou 6 pĂ©s e 7 polegadas, nas medidas usadas nos Estados Unidos. Depois, um menino americano apareceu em um vĂ­deo, comemorando um ponto em uma partida tambĂ©m de basquete com o meme. A partir dali, o conteĂșdo viralizou. A expressĂŁo chegou a ser eleita a palavra do ano por um dicionĂĄrio inglĂȘs, no fim de 2025.

— Se o educador nĂŁo estiver preparado para administrar o "six, seven" e usar isso a favor da aula ou como estratĂ©gia de relacionamento com a turma, acaba atrapalhando. É mais uma coisa para conta do educador que jĂĄ administra muitas outras questĂ”es na sala — comenta Paulo Carvalho, assessor pedagĂłgico do CurrĂ­culo Be, empresa que presta assessoria para o ensino bilĂ­ngue em escolas brasileiras.

O jogador LaMelo Ball, em partida pela NBA

Jordan Bank/Getty Images/AFP

Quando o professor pede para os alunos abrirem na pĂĄgina 67 ou simplesmente fala o nĂșmero seis, jĂĄ Ă© suficiente para os estudantes começarem a se movimentar e reproduzir o meme. Isso acaba fazendo com que a explicação seja interrompida. Ele Ă© classificado como um conteĂșdo “brain rot” (“cĂ©rebro podre”), ou seja, que nĂŁo tem um significado ou sentido especĂ­fico, Ă© apenas uma espĂ©cie de cĂłdigo das crianças e adolescentes para repetirem o movimento.

Em geral, as modas que ganham o TikTok e outras redes tĂȘm uma vida Ăștil. Mas o "6 7" estĂĄ mostrando que vai mesmo marcar uma geração. Ana Paula Santos, assessora pedagĂłgica tambĂ©m da CurrĂ­culo Be, percebe que a brincadeira jĂĄ dura alguns meses entre os alunos e estĂĄ atĂ© aumentando de pĂșblico.

— Eu nunca vi uma trend durar tanto tempo, escutei em setembro do ano passado e ainda nĂŁo acabou. Aqui no Leblon, Ă© febre. Eles fazem toda vez que algum professor cai na besteira de falar os tĂŁo temidos nĂșmeros. Antes era sĂł no Ensino Fundamental 2 (alunos entre 11 e 14 anos de idade), mas agora atĂ© no Ensino Fundamental 1 (alunos entre 6 e 10 anos de idade) acontece — relata Ana Paula.

O meme chegou tambĂ©m a inspirar mĂșsicas no Brasil, como a "Six Seven", da cantora Laurinha Costa, em que ela canta um refrĂŁo descrevendo uma equação passada por uma professora em que o resultado Ă© justamente 67.

O rapper americano Skrilla

Divulgação

Initial plugin text