Hajime Takata, membro do conselho de política monetária do Banco do Japão (BoJ), defendeu uma abordagem flexível para o aumento das taxas de juros, afirmando que a meta de inflação foi praticamente atingida e que o risco de superaquecimento dos preços está aumentando.
Em discurso a líderes empresariais em Hokkaido na quarta-feira, Takata afirmou que este ano representa uma "mudança de regime", na qual os aumentos das taxas não seguirão um ritmo fixo, mas serão "conduzidos de maneira ágil e dependente de dados, em resposta ao ambiente econômico e de preços doméstico, refletindo particularmente as tendências externas".
Takata, considerado um dos membros mais favoráveis ??ao aperto monetário (“hawkish”) do conselho do BoJ, propôs elevar a taxa básica de juros para 1,25% na reunião de julho.
A proposta foi rejeitada por 8 votos a 1, mantendo a taxa em 1%, patamar em que se encontra desde junho.
Com a inflação subjacente aproximando-se da meta de 2% do BoJ, o banco central precisa levar a taxa básica para um nível que não seja nem estimulante nem restritivo para a economia, a fim de evitar efeitos de segunda ordem na alta dos preços, disse Takata.
Os investidores parecem concordar, com o mercado de “swaps” de taxas de juros de curto prazo precificando uma probabilidade de 94% de uma ação em setembro.
A persistente fraqueza do iene frente ao dólar reforçou essa convicção; muitos veem um aperto monetário mais rápido pelo BoJ — o que reduziria a diferença de taxas em relação aos EUA — como uma forma eficaz de sustentar a moeda, após intervenções repetidas no mercado de câmbio terem tido impacto limitado.
As expectativas de um aumento iminente das taxas cresceram à medida que o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, expressou repetidamente preocupações com a desvalorização do iene e seu impacto na estabilidade do mercado global.
Em conversa com Ueda à margem da reunião de ministros de finanças do G20 no domingo, Bessent manifestou apoio às medidas decisivas do Japão para lidar com a desvalorização do iene e destacou o papel da moeda na inflação doméstica, segundo um comunicado do Tesouro.
Economistas afirmam que é difícil para o Japão ignorar a pressão tácita dos EUA para elevar as taxas, dada a importância da aliança entre os dois países.
