O Brasil alcançou pela primeira vez o patamar muito alto de desenvolvimento humano, segundo dados divulgados, nessa terça-feira (26) pelo PNUD, o programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Os números do país mostram que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, o IDHM, chegou a 0,805 no ano de 2024, o maior da série histórica, rompendo pela primeira vez o patamar 0,8, o que indica que o país entrou na faixa de muito alto desenvolvimento humano.
O IDHM avalia o progresso de longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, o acesso ao conhecimento/ educação, e um padrão de vida decente, a partir da renda.
Apesar dos dado positivo, os números também revelam uma desigualdade ainda persistente no país, com IDHMs diferentes para homens e mulheres, brancos e negros e entre os estados e regiões metropolitanas. As diferenças até diminuíram segundo a ONU, mas continuam existindo. A melhor situação é dos homens com IDHM de 0,802, enquanto as mulheres têm IDHM de 0,798. A diferença se dá, basicamente, pela renda do trabalho. Já na análise entre brancos e negros, o IDHM dos brancos chega a 0,851, enquanto o dos negros fica em 0,774.
Para a economista Betina Barbosa, do PNUD, os números mostram que o Brasil não vai conseguir melhorar mais os índices se não pensar em políticas de inclusão.
"O desenvolvimento brasileiro não vai melhorar se não for um desenvolvimento agora inclusivo. E inclusão significa trazer para o conjunto de políticas públicas e conjunto de agendas de desenvolvimento a população negra e as mulheres. Esses são dois entraves sérios para o Brasil, a desigualdade de raça e a desigualdade de gênero".
Na análise das áreas, a da educação foi a que mais evoluiu entre 2012 e 2024, saindo de 0,679 para 0,798 em 2024, crescimento médio anual de 1,35%. As dimensões de longevidade e renda também cresceram no período estudado e conseguiram recuperar quedas em 2020 e 2021, período afetado pela pandemia da Covid-19. A da renda, no entanto, soma períodos de leve alta, com outros de baixa, andando quase que de lado ao longo do período analisado. Em 2012, o IDHM Renda era de 0,732, e em 2024 chegou a 0,760.
O PNUD calcula ainda o IDHM ajustado à desigualdade, que no caso do Brasil fica em 0,641, o que colocaria o país no patamar de médio desenvolvimento humano. Para reduzir essas desigualdades, é necessário evoluir principalmente em educação e renda. O IDH de educação, quando aplicada a questão da desigualdade, fica em 0,671, nível médio de desenvolvimento, enquanto o de renda é ainda menor, ficando em 0,508, de baixo desenvolvimento.
Para Betina Barbosa, é necessário que o debate sobre a melhoria da renda envolva toda a sociedade.
"Nós temos um problema na política de geração de renda, que não pode ser só ancorada em programas sociais, porque aqui nessa dimensão, o mercado e a sociedade precisam entrar no diálogo. O Brasil consegue fazer uma política pública no sentido de público de educação básica, público, público de saúde básica, mas de geração de renda não, porque aqui precisa do envolvimento da sociedade para esse diálogo. Qual vai ser a economia do futuro do Brasil e de que forma ela vai ser inclusiva?"
No recorte regional, o Distrito Federal lidera como a unidade da federação de maior desenvolvimento, com IDHM de 0,866. Outras 9 unidades da federação também atingem o patamar muito alto de desenvolvimento humano. Já o menor índice se dá no Maranhão, com IDHM de 0,745, ainda assim é considerado de alto desenvolvimento. Para se ter ideia da diferença, a renda domiciliar per capita no DF é de cerca de 1.400 reais, enquanto no Maranhão ela é de R$ 482.
