Melhor IA para programar em Python? Especialistas analisam 7 opções para 2026 - QTU Questões do Universo

Melhor IA para programar em Python? Especialistas analisam 7 opções para 2026

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A melhor IA para programar em Python depende do perfil do desenvolvedor, da complexidade do projeto e do tipo de tarefa.
Em 2026, ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da rotina de programação, mas cada solução oferece recursos diferentes para gerar, revisar e corrigir código.
Para descobrir quais entregam os melhores resultados, o TechTudo ouviu Carlos Augusto Francisco Dos Santos, VP of Operations, e Saulo Jacção Rosa, sênior cloud architect na BRQ, além de João Paulo Lira, sócio-fundador da Hashtag, que avaliaram as sete melhores soluções de IA voltadas à programação em Python disponíveis no momento.
Os especialistas divergem em alguns pontos, mas concordam em algo essencial: a escolha certa depende do nível de experiência do desenvolvedor, da complexidade do projeto e do tipo de problema a ser resolvido.
Confira a seguir qual ferramenta pode ser mais útil para cada situação.
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Imagem gerada por IA/OpenAI
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1.
Qual é a melhor IA para programar em Python?
Para Carlos Augusto Francisco Dos Santos e Saulo Jacção Rosa, da BRQ, não existe uma resposta fechada para essa pergunta.
Os especialistas apontam que a ferramenta ideal muda conforme o cenário de uso.
"Não há uma unanimidade sobre qual IA é melhor para todos os cenários.
Para desenvolvimento em IDE, o Cursor está entre as opções mais completas.
Para trabalhar via terminal e fazer alterações em vários arquivos, Claude Code e Codex são boas opções.
O GitHub Copilot se destaca quando há bastante integração com GitHub, enquanto o Devin, da Cognition, tem uma proposta mais voltada à delegação autônoma de tarefas."
Em ambientes corporativos, os dois reforçam que o critério de escolha vai além do desempenho isolado da ferramenta.
"Em um ambiente corporativo, nem sempre a melhor ferramenta é necessariamente a que gera mais código ou lidera um benchmark.
É aquela que consegue trabalhar dentro da arquitetura da empresa, reutilizar componentes internos, respeitar tecnologias homologadas, seguir padrões de segurança e entregar alterações que possam ser validadas."
Já João Paulo Lira, sócio-fundador da Hashtag, tem uma avaliação mais direta e aponta uma ferramenta específica como sua preferida no momento.
"Atualmente, considero o Claude a melhor opção para programação em Python.
Ele apresenta códigos mais completos, com menos erros e mais robustos.
A solução do Claude Code é, para mim, o gabarito perfeito.
Consequentemente, ele utiliza o Claude por trás da ferramenta.
Se essa for a opção adotada, acredito que seja a melhor alternativa para praticamente todos os perfis: desde quem está começando até usuários mais avançados."
Apesar da divergência quanto a existir ou não uma ferramenta superior em todos os contextos, os dois especialistas concordam que a recomendação muda de acordo com o nível de experiência do desenvolvedor e que essa avaliação vale para o momento atual, já que o mercado de IA principalmente para programação evolui rapidamente e pode tornar essas indicações desatualizadas em questão de meses.
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2.
Conheça as principais IAs para programação em Python
Somando as indicações da BRQ e da Hashtag, sete ferramentas se destacam como as mais relevantes para quem programa em Python em 2026.
Cada uma delas atende a um perfil de desenvolvedor e a um tipo de projeto diferente, o que reforça que a escolha ideal não é única.
Claude Code
Por que entra na seleção – para João Paulo Lira, da Hashtag: "Atualmente, considero o Claude a melhor opção para programação em Python.
Ele apresenta códigos mais completos, com menos erros e mais robustos."
Principal diferencial – segundo os especialistas da BRQ: "Tem forte orientação ao terminal e ao entendimento de bases de código, sendo útil em depuração, refatorações e alterações distribuídas por vários arquivos."
Para quem é indicada - João Paulo Lira resume: "Para quem já possui algum nível de conhecimento em programação, eu utilizaria o Claude." Enquanto os especialistas da BRQ complementam: “para profissionais experientes, agentes integrados ao repositório, como Cursor, Claude Code, Copilot ou Codex, tendem a entregar mais produtividade."
Limitações - para Lira, a robustez do código tem contrapartida: "Isso também significa que, invariavelmente, será necessário compreender uma quantidade maior de linhas e uma estrutura mais complexa."
Informações relevantes para Python - segundo Carlos e Saulo, da BRQ, o Claude entende: "A versão do Python, dependências, ambientes virtuais, frameworks, estrutura dos módulos, padrões arquiteturais e critérios de qualidade quando bem orientada.”
Claude Code é um agente de IA para programação
Divulgação/Claude.AI
Gemini / Gemini Code Assist
Por que entra na seleção - para Lira, "O Gemini é uma boa alternativa, especialmente para iniciantes, por produzir códigos mais enxutos e diretos ao ponto."
Principal diferencial - "Os códigos gerados pelo Gemini tendem a ser mais simples de compreender.
Eles costumam ser mais limpos, apresentam menos validações que não foram solicitadas e não avançam tanto para funcionalidades que não foram pedidas."
Para quem é indicada - "Para quem está iniciando, eu recomendaria o Gemini pela simplicidade", afirma Lira.
Já a versão corporativa, o Gemini Code Assist, é indicada pelos especialistas da BRQ para empresas que já operam no ecossistema Google: “Integra recursos de agente ao ambiente de desenvolvimento e ao ecossistema Google Cloud."
Limitações - A simplicidade que favorece iniciantes tende a se tornar uma limitação em projetos mais complexos, que exigem soluções mais completas.
Informações relevantes para Python - Por gerar código mais direto e com menos funcionalidades, o Gemini tende a facilitar o entendimento linha a linha, algo que é especialmente útil para quem está aprendendo a lógica da linguagem antes de partir para projetos maiores.
Gemini code assist ferramenta do Google para vibe coding
Divulgação/Google
Cursor
Por que entra na seleção - segundo os especialistas da BRQ: "Para desenvolvimento em IDE, o Cursor está entre as opções mais completas."
Principal diferencial - "Oferece um ambiente de desenvolvimento construído em torno de agentes, combinando edição, busca no repositório, terminal, checkpoints e diferentes modelos."
Para quem é indicada – de acordo com Carlos e Saulo, da BRQ, para desenvolvedores mais experientes, já que inclui a ferramenta entre os "agentes integrados ao repositório" que "tendem a entregar mais produtividade" para profissionais com esse perfil.
Limitações - no geral, a ferramenta não se destaca tanto quanto as concorrentes para o desenvolvimento especificamente em Python.
Informações relevantes para Python - por reunir edição, busca no repositório e terminal em um só ambiente, o Cursor pode ser útil em projetos Python com múltiplos módulos, já que facilita a navegação entre arquivos sem depender de ferramentas externas.
Página inicial do Cursor AI
Diedrich Bader/TechTudo
Codex
Por que entra na seleção - "Consegue trabalhar via terminal e fazer alterações em vários arquivos.”
Principal diferencial - "Aatua no IDE, terminal e nuvem, investigando código, editando arquivos, executando testes e apresentando mudanças para revisão."
Para quem é indicada - ferramenta voltada a quem trabalha via terminal.
Limitações - segundo avaliação do sócio-fundador da Hashtag, a principal limitação é comparativa, frente ao Claude Code: "Existe também o Codex, do ChatGPT, mas, de maneira geral, considero que o Claude Code apresenta uma qualidade superior."
Informações relevantes para Python - por atuar em IDE, terminal e nuvem, o Codex pode ser útil em fluxos que envolvem execução de testes automatizados em Python, já que a ferramenta é descrita como capaz de "executar testes e apresentar mudanças para revisão."
Codex é a ferramenta da OpenAI voltada para programação com inteligência artificial
Imagem gerada por IA/OpenAI
GitHub Copilot
Por que entra na seleção - foi apontado pelos especialistas da BRQ como referência para equipes já integradas ao GitHub: "O GitHub Copilot se destaca quando há bastante integração com GitHub."
Principal diferencial - "GitHub Copilot, da Microsoft/GitHub, diferencia-se pela integração com IDEs, repositórios, issues, pull requests e processos de revisão."
Para quem é indicada - times e empresas que já estruturam todo o ciclo de desenvolvimento dentro do GitHub.
Limitações - possui um diferencial competitivo menor fora de fluxos fortemente baseados no GitHub, em comparação as outras ferramentas.
Informações relevantes para Python - é uma boa opção para quem já trabalha com projetos Python versionados no GitHub, já que facilita a revisão de código em equipe direto pelo próprio fluxo de pull requests.
Ferramenta para programadores GitHub Copilot
Divulgação/GitHub
Devin
Por que entra na seleção - citado por Carlos e Saulo, da BRQ, como uma proposta diferente das demais ferramentas: "O Devin, da Cognition, tem uma proposta mais voltada à delegação autônoma de tarefas."
Principal diferencial - "Devin, da Cognition, tem uma proposta mais orientada à delegação autônoma de tarefas.
Também há possibilidades de agentes locais via Devin CLI e opções empresariais de execução na infraestrutura do cliente."
Para quem é indicada - ainda segundo os especialistas da BRQ, "o Devin também é interessante, principalmente quando há tarefas bem delimitadas que podem ser delegadas com maior autonomia".
Ou seja, num cenário mais comum, em equipes com processos maduros de validação.
Limitações - a ferramenta tem um caso de uso mais específico (delegação autônoma) do que abrangente para o dia a dia de programação em Python.
Informações relevantes para Python - por operar com maior autonomia, o Devin exige tarefas bem delimitadas e critérios de validação claros.
O Devin, IA da Cognition, tem uma proposta focada na delegação autônoma de tarefas
Divulgação/Devin AI
Junie
Por que entra na seleção – os especialistas da BRQ incluem o Junie entre as sete ferramentas ao listar as principais opções do mercado para quem desenvolve em Python, destacando seu vínculo com o ecossistema JetBrains.
Principal diferencial - "Junie, da JetBrains, tem como diferencial a integração com PyCharm e outros IDEs da JetBrains."
Para quem é indicada - desenvolvedores e empresas que já utilizam o PyCharm como IDE principal para projetos em Python, aproveitando uma integração nativa em vez de recorrer a uma ferramenta externa.
Limitações - assim como o Devin, a ferramenta possui um alcance mais restrito da ferramenta fora do ambiente JetBrains.
Informações relevantes para Python - por depender do ecossistema JetBrains, o Junie tende a fazer mais sentido para quem já tem o PyCharm consolidado no fluxo de trabalho, e menos para quem programa em editores como VS Code, por exemplo.
A JunieAI surgiu entre as principais opções do mercado para quem desenvolve em Python
Divulgação/JunieAI
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3.
Qual IA é melhor para iniciantes?
Para quem está começando a programar em Python, o Gemini é a opção mais citada.
João Paulo Lira, da Hasgtag, por exemplo, explica o motivo diretamente ligado à forma como o código é gerado.
"Isso acontece porque, de modo geral, os códigos gerados pelo Gemini tendem a ser mais simples de compreender.
Eles costumam ser mais limpos, apresentam menos validações que não foram solicitadas e não avançam tanto para funcionalidades que não foram pedidas."
Carlos Augusto Francisco Dos Santos e Saulo Jacção Rosa, da BRQ, seguem a mesma linha, mas ampliando a recomendação para além de uma única ferramenta, sugerindo qualquer solução com formato de chat, usada como apoio pedagógico.
"Para iniciantes, recomendaria uma solução conversacional, como um chat, utilizada como uma espécie de tutora para o profissional.
Há várias soluções no mercado como ChatGPT, Claude ou Gemini.
O iniciante pode pedir explicações, exercícios, comparações entre soluções e a IA ajuda também a interpretar erros, evitando copiar aplicações completas sem compreender o código."
Isso tudo é o que diferencia uma boa ferramenta para quem está aprendendo.
Ou seja, não basta gerar um código funcional, é preciso que ele seja compreensível.
Lira reforça esse critério ao explicar por que o Claude, apesar de ser sua recomendação para desenvolvedores mais experientes, não é o ideal para os primeiros contatos com a linguagem.
"O Claude, por outro lado, tende a gerar um código mais robusto e completo, sendo, no fim do dia, uma solução melhor para resolver o problema proposto.
No entanto, isso também significa que, invariavelmente, será necessário compreender uma quantidade maior de linhas e uma estrutura mais complexa."
Por fim, os especialistas fazem um alerta direto para quem está começando a usar a IA para copiar códigos prontos, sem entender o que eles fazem, alertando que é um risco ao aprendizado.
Carlos e Saulo, da BRQ, defendem que a IA deve ajudar a "interpretar erros, evitando copiar aplicações completas sem compreender o código".
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4.
E para quem já sabe programar?
Para desenvolvedores que já dominam a lógica da programação, a recomendação dos especialistas muda de direção.
Em vez de priorizar simplicidade, o foco passa a ser robustez e integração com o fluxo de trabalho real.
João Paulo Lira é direto sobre a indicação nesse cenário.
"Para quem já possui algum nível de conhecimento em programação, eu utilizaria o Claude.
[...] O Claude, por outro lado, tende a gerar um código mais robusto e completo, sendo, no fim do dia, uma solução melhor para resolver o problema proposto."
Carlos Augusto Francisco Dos Santos e Saulo Jacção Rosa seguem a mesma lógica, mas ampliam a lista de ferramentas indicadas para esse perfil, destacando um tipo específico de solução: agentes com acesso direto ao repositório do projeto.
"Para profissionais mais experientes, agentes integrados ao repositório, como Cursor, Claude Code, Copilot ou Codex, tendem a entregar mais produtividade.
O Devin também é interessante, principalmente quando há tarefas bem delimitadas que podem ser delegadas com maior autonomia."
Essa preferência por agentes integrados não é atoa.
Para desenvolvedores experientes, recursos como acesso ao terminal, ao Git e à execução de testes deixam de ser diferenciais e passam a ser essenciais, já que permitem que a IA atue diretamente sobre o código real do projeto, e não apenas em trechos isolados.
Os especialistas da BRQ completam, detalhando esse critério ao explicar o que consideram mais importante na avaliação de uma ferramenta.
"Também são fundamentais a integração com IDE, terminal, Git e CI/CD; a possibilidade de revisar e reverter alterações; os controles de permissão; e a capacidade de executar testes, linters (como Flake8, Pylint ou Ruff, no caso de Python) e análises de segurança."
Esses recursos ganham ainda mais peso conforme a complexidade do projeto aumenta.
Em bases de código grandes, com múltiplos arquivos e dependências, uma IA que só sugere trechos soltos de código tem utilidade limitada.
O que explica por que ferramentas como Claude Code, Cursor e Codex, capazes de compreender e alterar repositórios inteiros, são as mais citadas pelos especialistas para esse perfil de desenvolvedor.
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5.
O que avaliar antes de escolher uma IA para Python?
Além de conhecer as ferramentas disponíveis, os especialistas ouvidos pelo TechTudo reforçam que a escolha da IA ideal passa por critérios técnicos específicos, que valem tanto para quem está começando quanto para quem já atua profissionalmente com Python.

Qualidade e funcionamento do código
Antes de qualquer outro critério, os especialistas concordam que o mais importante é verificar se o código realmente funciona.
João Paulo Lira, da Hashtag, resume esse ponto de forma direta: "O primeiro é verificar se o código realmente funciona e se não apresenta bugs ou comportamentos incoerentes".
Carlos Augusto Francisco Dos Santos e Saulo Jacção Rosa, da BRQ, vão na mesma direção ao afirmar que: "O principal critério é a taxa de sucesso em tarefas reais, resolução de problemas reais: o código atende ao requisito, passa nos testes e não cria problemas nas regressões?".
Legibilidade
Um código que funciona, mas é difícil de entender, também é um problema segundo os entrevistados.
Lira explica por que isso afeta diretamente a manutenção do projeto: "A legibilidade do código é muito importante, principalmente pensando em manutenção.
O código precisa ser organizado e fácil de ler e compreender".
Compreensão do contexto
Uma IA que gera código tecnicamente correto, mas alheio à realidade do projeto, pode gerar mais problemas do que soluções.
Sendo assim, Lira alerta: "Uma IA pode gerar um código que funciona tecnicamente, mas assumir determinadas premissas que não correspondem à realidade daquele negócio".
Já Carlos e Saulo, da BRQ, reforçam esse ponto ao destacar a importância de a IA reconhecer "a versão do Python, dependências, ambientes virtuais, frameworks, estrutura dos módulos, padrões arquiteturais e critérios de qualidade" do projeto.
Integração com ferramentas de desenvolvimento
A capacidade da IA de operar dentro do fluxo de trabalho já usado pelo desenvolvedor também é citada como critério relevante para Lira: "A integração com a IDE também é importante”.
Já a dupla de especialistas da BRQ amplia esse critério para além da IDE: "Também são fundamentais a integração com IDE, terminal, Git e CI/CD".
Segurança
Informações sensíveis expostas por descuido são um dos riscos mais citados nas entrevistas.
Lira, da Hashtag, por exemplo, foi enfático: "Informações sensíveis, como tokens e senhas, não devem ser inseridas diretamente no código.
O ideal é que sejam armazenadas separadamente, por meio de arquivos específicos, variáveis de ambiente ou outras estruturas adequadas”.
Carlos Augusto e Saulo, da BRQ, acrescentam outros riscos técnicos: "Exposição de credenciais, validação insuficiente de entradas, consultas vulneráveis, execução insegura de comandos e tratamento inadequado de dados pessoais".
Privacidade
Isso leva a privacidade, que em ambientes corporativos, a forma como a ferramenta lida com dados também deve entrar na avaliação.
Carlos Augusto e Saulo Jacção são específicos sobre esse ponto: "Privacidade e conformidade também precisam fazer parte da avaliação, incluindo políticas internas, LGPD, requisitos regulatórios, localização dos dados, retenção de prompts e uso das informações para treinamento".
Testes e revisão
Nenhum dos especialistas recomenda confiar cegamente no código entregue pela IA.
Lira, inclusive, é direto: "Não basta confiar na afirmação da ferramenta de que basta copiar e executar.
É necessário verificar se ele realmente funciona, se existem bugs, se o comportamento é coerente e se a solução atende ao que foi solicitado".
Enquanto os especialistas da BRQ reforçam que a capacidade de "executar testes, linters (...) e análises de segurança" deve ser levada em conta na escolha da ferramenta.
Custo e consumo de recursos
Por fim, o preço da ferramenta não deve ser avaliado isoladamente, mas em relação ao resultado entregue.
Carlos Augusto e Saulo, da BRQ, explicam: "O custo deve ser analisado pelo resultado gerado, não apenas pelo preço da assinatura ou do token.
(...) Uma ferramenta, aparentemente barata, pode sair cara se usada sem boas práticas".
Lira concorda que os valores praticados no mercado são semelhantes entre as soluções, mas destaca o Claude Code como referência de custo-benefício "principalmente pela flexibilidade que oferece".
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6.
Quais são os riscos de usar IA para programar?
Apesar dos ganhos de produtividade, os especialistas são unânimes ao apontar que o uso de IA para programar em Python não está livre de riscos, inclusive, com alguns deles podem passar despercebidos justamente por o código "parecer" correto.
Carlos Augusto e Saulo, da BRQ, listam uma série de falhas técnicas comuns nessas ferramentas.
"Essas ferramentas podem inventar APIs, usar versões incompatíveis de bibliotecas, ignorar casos extremos ou produzir testes que apenas confirmam a própria implementação.
Também podem introduzir dependências desnecessárias ou ignorar componentes internos já homologados."
João Paulo Lira, sócio-fundador da Hashtag, reforça esse ponto, destacando que a IA pode entregar respostas sem avisar que parte delas não é real, um risco especialmente perigoso para quem ainda não tem experiência suficiente para identificar o problema.
"Até porque elas tentam ser solícitas até demais e adiantam muitas coisas.
Às vezes, inclusive, podem simular ou inventar valores para conseguir te responder sem te avisar que aquilo não é real."
Esse comportamento está diretamente ligado a outro risco citado por Lira, que seria a IA assumir premissas erradas sobre o projeto sem deixar isso explícito para quem está usando a ferramenta.
"É aí que mora o perigo, além de ela poder assumir premissas que você não sabe que ela assumiu e que não são verdadeiras."
Na parte de segurança, Carlos Augusto e Saulo detalham riscos que vão além da qualidade do código em si, envolvendo diretamente a proteção de dados e credenciais.
"Na segurança, os riscos incluem exposição de credenciais, validação insuficiente de entradas, consultas vulneráveis, execução insegura de comandos e tratamento inadequado de dados pessoais.
Agentes com acesso ao terminal, à nuvem ou a sistemas corporativos devem operar com o menor privilégio possível, ambientes isolados, registros de atividade e aprovação para ações sensíveis."
Um dos alertas mais fortes das entrevistas, porém, é sobre o chamado "vibe coding".
A prática de gerar código por tentativa e erro, sem especificação clara nem validação, e levá-lo direto para produção.
Os especialistas da BRQ são categóricos sobre os riscos dessa abordagem.
"Ele pode servir para aprendizado ou protótipos descartáveis, mas levar código gerado por tentativa e erro, sem especificação e validação, para produção pode ser uma forma de antecipar velocidade, mas, ao mesmo tempo, pode gerar débitos técnicos no médio e longo prazo difíceis de gerenciar e caros de corrigir."
Por fim, os dois ainda resumem o que consideram o maior risco de todos: confiar demais na IA, mesmo quando o código vem acompanhado de uma explicação convincente.
"O maior risco, entretanto, é a confiança excessiva.
Código bem escrito e acompanhado de uma explicação convincente ainda pode estar errado.
A responsabilidade de revisar, testar e aprovar continua sendo humana."
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7.
IA pode substituir o programador Python?
A IA já é capaz de executar tarefas relevantes do desenvolvimento, mas isso está longe de significar a substituição integral do profissional.
Carlos e Saulo, da BRQ, deixam essa distinção clara.
"A IA já consegue executar partes relevantes do desenvolvimento, mas isso não equivale a substituir integralmente um programador.
Construir software envolve compreender necessidades humanas, negociar requisitos, tomar decisões arquiteturais, avaliar riscos e responder pelo resultado."
João Paulo Lira, da Hashtag, segue a mesma linha, mas destaca que a "substituição" que de fato acontece no mercado não é da IA sozinha, e sim da combinação entre ferramenta e profissional qualificado.
"De maneira geral, acredito que essa substituição não acontece pela IA sozinha, mas pela combinação entre um bom programador Python e uma ferramenta de IA."
Essa diferença entre substituir tarefas e substituir a profissão aparece com clareza na forma como o trabalho do programador está mudando.
Os especialistas da BRQ voltam a explicar que parte do tempo antes dedicado à escrita manual de código está migrando para outras etapas do processo.
"O papel do profissional tende a mudar.
Parte do tempo antes dedicado à produção manual de código tende a migrar para especificação, arquitetura, curadoria de contexto, revisão e validação."
Lira é quem reforça esse deslocamento ao descrever o que diferencia um uso eficiente da IA de um uso improdutivo, e como isso depende diretamente do conhecimento técnico de quem está por trás da ferramenta.
"Uma pessoa que sabe o que está fazendo, que já desenvolveu projetos anteriormente e que consegue orientar a IA adequadamente pode utilizar a ferramenta de maneira muito mais eficiente.
Essa pessoa consegue aprender com a IA, compreender quais são as melhores práticas e direcioná-la para construir um projeto de forma mais adequada."
Para os dois especialistas da BRQ é justamente esse conhecimento técnico que se torna decisivo à medida que a complexidade do projeto aumenta.
Carlos e Saulo fecham esse ponto reforçando que a responsabilidade final continua sendo humana, independentemente do quanto a IA avance.
"A IA pode substituir determinadas tarefas e ampliar bastante a capacidade das equipes.
Mas a responsabilidade pela qualidade, pelos custos, por atender à expectativa das iniciativas e pela sustentabilidade do software continua sendo das pessoas e das organizações que promovem os sistemas para produção."
Em projetos simples, a IA já resolve boa parte do trabalho sozinha.
Mas quanto maior a complexidade, envolvendo escalabilidade, segurança e decisões de longo prazo, mais o resultado depende de quem sabe orientar a ferramenta com conhecimento técnico real.
Com informações de Anthropic, OpenAI e Stack Overflow Developer Survey 2025 .
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