Meia da seleção australiana critica FIFA e diz que Prêmio da Paz dado a Trump 'ridiculariza' futebol

 

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O meia australiano Jackson Irvine, de 33 anos, criticou o Prêmio da Paz, iniciativa criada pela FIFA em 2025 e que premiou Donald Trump durante o evento de sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Na época, a entidade alegou que era uma premiação ofertada "por promover paz e união ao redor do mundo". Em entrevista à agência de notícias Reuters, Irvine criticou a decisão, e afirmou que a ação ridiculariza a política de direitos humanos que a entidade tenta implementar.

"Como uma organização, é preciso admitir que decisões como a que vimos, de conceder este prêmio da paz, ridicularizam o que eles estão tentando fazer com a política dos Direitos Humanos e com a tentativa de usar o futebol como uma força motriz global para o bem e para mudanças positivas no mundo".

A decisão da FIFA foi muito contestada, já que um mês após o prêmio ser dado a Donald Trump, em dezembro, os EUA lançaram um ataque militar na Venezuela, capturando Maduro, e iniciaram ataques aéreos contra o Irã junto a Israel. Irvine acredita que ações como esta provocam a sensação de que a percepção do que o futebol representa está regredindo.

"Decisões como essa nos fazem sentir como se estivéssemos regredindo na percepção de mercado do que o futebol representa atualmente, especialmente no nível mais alto, onde se torna cada vez mais desconectado da sociedade e das raízes do que o futebol realmente é e significa para as comunidades e para o mundo", disse o meia.

O meia é um dos capitães da seleção australiana, já disputou duas Copas do Mundo, de 2018 e 2022, e deve atuar pela terceira vez na competição neste ano após se recuperar de uma lesão. Irvine é ativista de causas sociais e membro da FifPro, sindicato mundial de jogadores de futebol profissionais, que entrou em constantes conflitos com a FIFA por causa do Prêmio da Paz.

Com mais de 80 jogos pela seleção, Irvine atua pelo St. Pauli, equipe alemã que disputa a Bundesliga e é conhecido historicamente por sua cultura progressista. O clube foi o primeiro da Alemanha a banir nazistas em seu estádio, e tem o combate a qualquer tipo de descriminação em seu estatuto.

Reforçando o seu posicionamento, o jogador deu entrevista a Reuters usando uma camisa com a frase "Anti-fascist football fan" (fã de futebol antifascista) estampado. Em 2022, foi o líder da equipe australiana nos protestos sobre as condições de trabalhadores migrantes e dos direitos da comunidade LGBTS, chegando até mesmo a encorajar outros atletas se expressarem politicamente.