Megablocos em SP: moradores dizem que Prefeitura descumpriu plano e reduziu diálogo sobre segurança
Conselhos de moradores das regiões da Consolação e do entorno do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, se queixam de que a Prefeitura não cumpriu com o plano de segurança pactuado antes da realização de megablocos de Carnaval de rua, e afirmam que houve menos espaço para diálogo com a gestão municipal este ano.
Os problemas começaram no sábado (7) de pré-Carnaval, com a realização do megabloco de Ivete Sangalo, em frente ao Parque do Ibirapuera. E pioraram no domingo (8), quando o megabloco do DJ Calvin Harris coincidiu com o tradicional bloco do Acadêmicos do Baixo Augusta.
Na Consolação, moradores registraram imagens que mostram que parte do aparato de segurança prometido pela Prefeitura de São Paulo para o desfile dos megablocos do Calvin Harris e do Acadêmicos do Baixo Augusta não foi cumprido. Eles relatam que diversas vias que deveriam ter patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana até 22h já não tinham os agentes por volta de 20h.
São vias classificadas como Zonas de atenção especial (ZAES): áreas fechadas previamente e com controle de acesso, que só podem frequentar moradores. Ambulantes e foliões não podem passar por ali. Quem fiscaliza é a GCM com apoio da PM e da empresa contratada pela SPTuris para gerir o Carnaval.
Imagens às quais a CBN teve acesso mostram a esquina das ruas Gravataí e Caio Prado sem GCM, além do entorno da Praça Roosevelt. Moradores dizem que a Subprefeitura da Sé informou que foi comunicada pela Guarda Civil Municipal que não haveria guardas para cumprir o regulamento da ZAE. Eles também reclamam de ruído acima dos limites permitidos em lei.
Na avaliação do presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia, Nelson Cury, o entorno do Parque do Ibirapuera não tem estrutura para acomodar megablocos. Ele pede que eles sejam transferidos para outros espaços, como o Autódromo de Interlagos.
"As associações de bairro também não têm direito a opinar. O que temos visto, infelizmente, é que só depois conseguimos relatar os problemas potenciais — como ocorreu neste último sábado de pré-Carnaval. Foi um sufoco, um confinamento desumano, insuportável. É preciso repensar isso. Há locais que não vêm sendo utilizados no Carnaval. São Paulo tem alternativas, como Interlagos, que já recebe eventos como o Lollapalooza e a Fórmula 1 e poderia ser usado para esse tipo de evento também", defende.
Ele também pontua que a grande aglomeração de pessoas causa prejuízos para os cofres públicos, já que praça Tulio Fontoura, ao lado da Assembleia Legislativa de São Paulo, teve o gramado destruído durante os megablocos.
A CBN entrou em contato com a Prefeitura e aguarda um retorno sobre as questões.
