Médico que tentou matar a esposa com golpes de pedra na cabeça durante trilha diz em tribunal ser 'vítima'
Um dos julgamentos mais esperados dos últimos anos no Havaí (EUA) começou nesta semana: o médico Gerhardt Konig está sendo julgado por tentativa de homicídio após golpear a cabeça da então esposa, Arielle, com uma pedra durante caminhada em 24 de março do ano passado em Pali Puka, Oahu, e empurrá-la de um penhasco num famoso mirante.
Na quinta-feira (2/4), anestesiologista de 47 anos testemunhou e assumiu a postura de "vítima". Ele contou detalhes do relacionamento. Segundo Gerhardt, Arielle vinha trocando "mensagens de flerte" com o colega Jeff Miller, que era casado. A "descoberta", disse ele, fez com que o casal parasse de fazer sexo por vários meses, de acordo com reportagem do "Daily Mail".
"Arielle não estava disposta a fazer sexo com você sempre que você exigia, não é?", perguntou o promotor Joel Garner, segundo o "HawaiiNewsNow".
"Eu nunca exigi sexo, então isso não está certo", rebateu o réu.
"Depois de chamar uma mulher de vadia mentirosa e prostituta, faz sentido que ela não queira transar com você, certo?", insistiu Garner, provocando uma objeção bem-sucedida do advogado de defesa.
Gerhardt e Arielle Konig
Reprodução/Facebook
Garner, então, perguntou se Gerhardt havia usado o insulto grosseiro contra a esposa.
"Eu a chamei disso em algum momento", admitiu o médico.
Gerhardt confessou ter agredido Arielle, de 37 anos — uma engenheira nuclear — na cabeça, mas insistiu que foi em legítima defesa, após ela tê-lo atacado primeiro.
O anestesiologista afirmou que observava Arielle "grudada no celular" várias vezes quando estavam juntos.
Arielle Konig
Reprodução/LinkedIn
"Desbloqueei o celular dela enquanto ela dormia", revelou Gerhardt, que passou a monitorar pelo computador trocas de mensagens de Arielle com outras pessoas pelo WhatsApp.
No dia da trilha em Pali Puka, Gerhardt soube que a esposa faria uma viagem de negócios com Jeff, o que provocou uma briga.
Porém, em determinado momento da trilha, os dois posaram para uma selfie. Segundo o médico, ele sentiu um "empurrão" à beira de um penhasco e acabou puxado para o chão pela esposa.
"Ela gritou, agarrou os meus punhos, se jogou no chão e me puxou junto. Eu me debati, consegui soltar as duas mãos e tentei fazer com que ela soltasse meus testículos, quando ela me acertou com uma pedra", relatou o réu, de acordo com a emissora KHON2.
Arielle foi socorrida em trilha após ser golpeada na cabeça por Gerhardt Konig
Reprodução
Em seguida, alegou o médico, ele conseguiu tomar a pedra dela e a atingiu duas vezes na cabeça com ela em "legítima defesa".
"Eu me senti horrível", declarou Gerhardt sobre o que aconteceu depois da briga.
Arielle e seu enteado — filho de Gerhardt — testemunharam contra ele durante o julgamento que ganhou grande repercussão em Honolulu.
O filho, Emile Konig, testemunhou que o pai ligou para ele por FaceTime dizendo que "não conseguiria voltar para Maui e que ele cuidasse bem das crianças menores".
Segundo uma reportagem da CNN, Emile afirmou que o pai disse que sua madrasta "o estava traindo e que ele tentou matá-la".
Versão de Arielle
Arielle também contou aos jurados sua versão dos fatos, alegando que ele disse "Vá se f****, acabou para você!" antes de golpeá-la na cabeça e tentar esfaqueá-la com uma seringa — o que ele nega.
Segundo a promotoria, Arielle foi empurrada do Pali Lookout, um famoso mirante panorâmico em Oahu, mas o marido não conseguiu completar o movimento. Assim, o anestesista começou a dar socos na esposa e golpeou o rosto dela várias vezes com uma pedra. Em seguida, ele fugiu do local, sendo preso horas depois.
Arielle alegou à polícia que o marido ficou furioso depois que ela disse que ficaria "desconfortável" de tirar uma foto com ele à beira do precipício em Pali Lookout. A recusa, disse a engenheira, fez o marido ter um acesso de fúria. Ele teria usado também duas seringas com substância desconhecida no corpo de Arielle, o que fez a polícia desconfiar de premeditação.
"Não sei o que havia na seringa, mas Gerhardt é anestesista e tem acesso a vários medicamentos potencialmente letais como parte de seu emprego", argumentou Arielle no processo.
Gerhardt Konig
Reprodução/Honolulu Police Department
A engenheira disse que Gerhardt tinha "ciúme extremo" e acreditava que ela estivesse vivendo um caso extraconjugal. Os dois chegaram a fazer terapia de casal.
O tumultuado casamento de seis anos de Arielle e Gerhardt foi exposto em detalhes por ela em audiência no ano passado. A engenheira acusou o marido de abusar sexualmente dela.
Arielle foi socorrida por outras pessoas que faziam a trilha. Desde então ela tem medida protetiva contra o agora ex-marido.
