Médico é condenado por publicar livro de fotos de pacientes com comentários 'humilhantes e desrespeitosos'
O anestesista australiano Lachlan Rathie foi condenado a pagar uma multa de 30 mil dólares australianos (ou pouco mais de R$ 100 mil), após publicar um livro com fotos de pacientes feitas durante procedimentos cirúrgicos e comentários considerados "humilhantes, insensíveis e desrespeitosos", nas palavras do juiz do caso, Dearne Firth. Segundo o site australiano News.Au, a decisão foi tomada pelo Tribunal Civil e Administrativo de Queensland, na Austrália.
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O médico, de 56 anos, trabalhou por quase três décadas no Toowoomba Base Hospital, no estado de Queensland. Em 2023, ele publicou de forma independente o livro “The Anaesthetic Picture Book”, com mais de 370 páginas de imagens relacionadas ao seu trabalho na unidade de saúde.
Segundo a decisão judicial, a obra continha fotografias de pacientes anestesiados e observações consideradas degradantes. Entre os conteúdos citados pelo tribunal, estavam imagens das genitais de uma criança, comentários depreciativos sobre pacientes obesos e observações jocosas sobre objetos encontrados nos corpos dos pacientes, como um item retirado do reto de um deles.
A sinopse do livro afirma que ele conta com uma “coleção aleatória de ECGs, radiografias, capturas de tela, traçados de EEG, registros de anestesia, gasometrias, anomalias intraoperatórias, casos bizarros, registros históricos, itens curiosos e curiosidades relacionadas à anestesia”.
Outra parte do texto ainda o classifica como “um livro ricamente ilustrado que consegue incluir tópicos tão díspares quanto o sapo Caco, um hambúrguer de rato e o Wolverine. Há imagens que fazem você se perguntar, estremecer e exclamar ‘Que diabos é isso?’”, o que fez a corte entender que havia um propósito cômico na publicação.
A contracapa do livro "The Anaesthetic Picture Book"
Reprodução/Amazon
Rathie alegou que o livro tinha finalidade educativa e afirmou que todas as informações de identificação haviam sido removidas, acreditando ter mantido "os padrões de confidencialidade". Ainda assim, o tribunal considerou que ele havia violado a confidencialidade e a privacidade dos pacientes sem o consentimento destes ao produzir o livro.
O livro chegou a ser vendido na Amazon e foi compartilhado entre colegas do hospital. Após a repercussão do caso, o médico tentou recolher os exemplares distribuídos.
O anestesista foi suspenso em outubro de 2023 e deixou o hospital em janeiro de 2024, quando pediu demissão. Durante o processo disciplinar, ele demonstrou arrependimento e participou de treinamentos sobre ética médica, mas o tribunal afirmou que houve grave quebra de padrões profissionais e de confidencialidade médica.
